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Bolsonaro gastou apenas 9% da verba destinada à vacinação contra Covid


Da verba emergencial liberada para compra e desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, apenas 9% foi utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) até o momento, o que aponta para um atraso na vacinação no país. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

Bolsonaro assinou três medidas provisórias em agosto, setembro e dezembro para liberar créditos extraordinários que somam R$ 24,5 bilhões. No entanto, até a metade de fevereiro, o país gastou só R$ 2,2 bilhões de fato, segundo dados de execução orçamentária da Câmara dos Deputados (atualizados no último dia 10) e do Ministério da Saúde.

Segundo a reportagem, o cálculo não inclui os pagamentos feitos nesta semana pelas doses de Coronavac, do Instituto Butantan, porque o Ministério da Saúde não informou de onde saiu o dinheiro e ainda não há registros do gasto nos sistemas de execução orçamentária consultados pela reportagem.

O Secretário de Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, utilizou as redes sociais, na manhã de hoje (13), para alertar que a vacinação no país caminha a passos “muito lentos”. Segundo ele, a população “está sendo enganada pela falsa sensação de uma vacinação arrastada”.

Lei de Cotas perderá a validade em 2022

Criada em 2012, a Lei de Cotas das instituições de ensino federal (Lei 12.711/2012) perderá a validade em 2022, caso não seja renovada pelo Congresso.

A revisão da lei sob o governo Jair Bolsonaro (sem partido) – que é antipático a ela e nega o racismo como um problema estrutural do Brasil – é fator de preocupação para o movimento negro, que teme retrocesso numa política amplamente avaliada como bem sucedida por estudiosos da educação e de políticas públicas.

Além disso, o processo de revisão, previsto no artigo sétimo da própria lei, deve acontecer em pleno ano eleitoral, quando a polarização política estará ainda mais exacerbada.

“Não só temos um temor como, justamente por conta disso, já estamos, junto com outras instituições, criando uma grande frente de defesa da renovação da Lei de Cotas”, diz José Vicente, reitor e fundador da Universidade Zumbi dos Palmares.

Sociólogo e advogado, Vicente lembra que as cotas da magistratura, do Ministério Público e do serviço público federal também estão subordinadas à mesma legislação.

“Na hipótese de a lei não ser prorrogada, nós teríamos todas as políticas de cotas canceladas no nosso país, o que seria um absurdo, uma perda inominável, tendo em vista que as cotas não conseguiram dar conta ainda do que elas se propuseram”, afirma o reitor.
“Dos 20% de juízes negros que deveriam estar preenchendo as cotas do Judiciário, não chegamos ainda a 5%. Isso acontece também no Ministério Público, nos concursos federais e, mesmo na universidade, a ação afirmativa chegou aos bancos escolares, mas ainda não alcançou o corpo docente, a estrutura de gestão operacional do ambiente universitário e a ciência, nas bolsas de pós-graduação de mestrado e doutorado.”

Vicente avalia que a conjuntura atual impõe um desafio adicional à revisão da política.

“Se a luta já estava difícil antes, agora com Bolsonaro e companhia vai ser uma pedreira”, avalia.

“A discussão pode perder seu caráter técnico para se transformar numa bandeira política, entrando para esse ambiente de conflito e confronto. Esse é um grande risco. E aí, os negros sozinhos não têm condição de fazer a defesa. Será preciso um grande concerto nacional, uma trincheira de defesa muito grande, que vai exigir esforço extraordinário.”

Vicente, de 61 anos, é ele mesmo um exemplo do papel da educação na ascensão social dos negros no Brasil.

Nascido em Marília, no interior paulista, numa família de seis irmãos sustentada pela mãe boia-fria, cresceu na lavoura. Vendeu limão e paçoca para ajudar em casa, foi soldado da Polícia Militar e estudou direito para tornar-se delegado. Anos depois, de volta aos bancos escolares, no curso de sociologia, tomou contato com o movimento negro.

Dessa experiência, surgiu um cursinho preparatório para formação de estudantes para entrar na USP (Universidade de São Paulo), que seria o embrião da Unipalmares. Fundada em 2004, a instituição foi inspirada pelas universidades negras americanas, onde estudou, por exemplo, a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, egressa da Universidade Howard.

O reitor avalia que, passado quase um ano de pandemia, já está evidente que a crise sanitária afeta os estudantes de maneira distinta.

“Os negros e os estudantes negros sofreram de uma forma mais intensa os impactos da pandemia”, afirma Vicente.

“Isso por dois motivos. O primeiro é que os negros, em regra, estão nos empregos mais fragilizados, na informalidade e nas pequenas e médias empresas. Foi justamente nesses espaços que a pandemia fez um ‘strike’, produziu um dano terrível. Então eles foram os primeiros a ficar sem empregos e sem geração de renda.”

O segundo ponto, avalia o reitor, é que esse público, por suas limitações econômicas, tem mais dificuldade de ter acesso de qualidade à internet para realizar seus estudos.

“Mesmo estando em casa, eles se defrontam com diversas outras responsabilidades e limitações, que resultam num grau de aprendizado menos efetivo. Por esse conjunto de fatores, o jovem negro acaba sendo penalizado de uma forma muito mais intensa.”

Para Vicente, o ensino híbrido entre presencial e à distância veio para ficar. E deve continuar sendo o modelo dominante, mesmo quando o avanço da vacinação permitir o retorno das aulas presenciais.

“Tenho bastante convicção de que isso veio para ficar”, afirma. “É um formato novo, que foi desafiador num primeiro momento. Mas o setor conseguiu fazer a conversão de maneira muito rápida e os alunos, aqui em São Paulo, gostaram de não ter que se deslocar para vir até a universidade. Ninguém quer perder esse ganho.”

“Agora, não tenha dúvida que acessar e usufruir desses benefícios tem alguns pressupostos, que para a grande maioria das pessoas não estão colocados e, para os negros, menos ainda. Então o trabalho é construir essa ponte, de diminuir ou eliminar essa dificuldade que é o acesso do negro ao ambiente tecnológico.”

Segundo o reitor, a evasão na Universidade Zumbi dos Palmares em decorrência da pandemia ficou dentro da média do mercado. “Ainda estamos em época de rematrícula, mas, num levantamento ainda informal, penso que ficamos na casa de 30% a 33% de evasão. Antes, tínhamos cerca de 1,8 mil alunos”, diz Vicente.
Omissão do governo federal e desserviço na Fundação Palmares

O reitor avalia que, assim como na saúde, o governo federal deixou de cumprir seu papel na educação durante a pandemia, que seria o de coordenar ações num plano nacional.

“O governo deveria ter estruturado, coordenado e colocado na mesa um plano nacional de encaminhamento dessa questão. Trazendo todos os atores, construindo um consenso e depois liderando esse processo”, afirma.

“Sem isso, as soluções foram criadas individualmente ou no âmbito das associações de classe. Algo que poderia ter sido construído de forma mais unitária ficou subordinado a decisões particulares e, assim, não temos até hoje um cronograma do que vai ser em 2021.”

Vicente também lamenta os rumos da Fundação Palmares sob a gestão de Sérgio Camargo.

“É inominável. Esse é um espaço de produção de políticas públicas para a agenda e demandas dos negros. Além de não construir nenhuma dessas políticas, ele [Sérgio Camargo], com sua atitude e sua postura, desconstruiu. Ele danificou e praticamente extinguiu grande parte das políticas que já se faziam necessárias antes da pandemia e que, depois dela, se constituíram numa emergência.”

O reitor cita como exemplo as comunidades quilombolas, que estão sob a tutela da Fundação Palmares. “Para colocar os quilombolas dentro das prioridades de vacinação foi um Deus nos acuda e, para fazer os insumos chegarem a eles de forma adequada, a Fundação Palmares até agora não se apresentou”, diz Vicente.

“Então avalio que Sérgio Camargo presta um desserviço ao tema. Ele coloca uma conflituosidade que está fora de lugar e fora de tempo. Desconstitui o que foi um esforço coletivo extraordinário para se colocar esses temas dentro da agenda, produzindo uma cizânia entre negros e entre negros e brancos que é indevida e não tem racionalidade ou justificativa.”

O reitor da Universidade Zumbi dos Palmares também vê com preocupação a agenda enviada pelo governo ao Congresso, por ocasião do início de mandato dos novos presidentes do Senado e da Câmara, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Arthur Lira (PP-AL).

Entre as 35 prioridades elencadas pela gestão Bolsonaro, estão uma proposta que amplia o acesso a armas e outra que prevê excludente de ilicitude para militares em operações de garantia da lei e da ordem. Isso num país onde as maiores vítimas de mortes por armas de fogo e por policiais são os jovens negros.

“São agendas fora de lugar e de hora, que colidem com a agenda da cidadania que o Brasil precisa”, afirma. “Foi um esforço extraordinário tirá-las da pauta e agora elas voltaram, com sua capacidade destrutiva e de dano. Isso significa que vai ser necessário novo esforço para retirá-las outra vez da cena, substituindo-as por questões mais prementes.”

Na avaliação de Vicente, a resistência da sociedade civil brasileira ganha agora um reforço com a eleição do democrata Joe Biden nos Estados Unidos.

“A nova direção do governo americano é um fator moderador adicional. Isso deve refletir no Brasil, pois Bolsonaro vai ter que rever e reconstruir sua relação com o governo americano, que tem o meio ambiente e os direitos humanos como temas prioritários.”

O ano de 2020 foi marcado por diversos casos rumorosos de mortes de pessoas negras no Brasil.

Como o menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, morto ao cair do nono andar de um prédio no Recife; o adolescente João Pedro Mattos, de 14 anos, assassinado com um tiro de fuzil durante uma operação policial enquanto brincava com os primos dentro de casa em São Gonçalo (RJ); e João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, espancado e morto por seguranças numa loja do Carrefour em Porto Alegre.

Questionado sobre por que os casos brasileiros não geraram uma onda de protestos tão ampla como a morte de George Floyd nos Estados Unidos, o reitor avalia que há diferenças culturais e históricas importantes entre os dois países e na tradição de mobilização da população negra lá e cá.

Ele afirma, porém, que medidas como a divisão proporcional de recursos de campanha entre candidatos negros e brancos; a aprovação de cotas de 30% para juízes e estagiários negros no Judiciário; e a abertura de processos seletivos exclusivos para negros por empresas como Magazine Luiza e Bayer mostram que há avanços no debate nacional sobre o tema racial.

“Houve transformação social no Brasil por conta dos episódios de racismo e isso está materializado nessas medidas”, afirma.

“Foram eleitos cinco jovens vereadores negros em Porto Alegre; uma prefeita negra em Bauru, no interior de São Paulo; as primeiras vereadoras negras de Curitiba e Joinville, em Santa Catarina; “, destaca Vicente.

Segundo ele, todos esses avanços simbólicos sugerem que a lei de proporcionalidade de recursos já se apresentou como uma ferramenta importante.

“Mesmo ela tendo sido aprovada num dia para implementar no outro, com o processo político já em andamento e no meio de uma pandemia. Isso indica que, com tempo, mais disponibilidade para construir uma agenda e a condução adequada dentro dos partidos, podemos ganhar ainda mais terreno e apresentar números significativos”, afirma o reitor.

“Mas eu diria que a lei já foi um sucesso. Diria até que foi uma revolução”, acrescenta. “Isso nos estimula e permite um olhar de augúrio, no sentido de que essa agenda, se bem construída e conduzida, não será limitada ou cerceada nem por Bolsonaro, nem por filho do Bolsonaro, nem por quem quer que seja. Porque ela parece já está bem solidificada como uma agenda da sociedade brasileira.”

Outro indicativo disso, na avaliação de Vicente, é o avanço da discussão sobre desigualdade racial no ambiente corporativo. Segundo ele, no entanto, não surpreendem reações como a da juíza do Trabalho Ana Luiza Fischer, que afirmou que o trainee exclusivo para negros do Magazine Luiza seria uma “discriminação inadmissível”, ou a ação civil movida pelo defensor público federal Jovino Bento Júnior contra o mesmo programa.

“Nós continuamos sendo racistas. O Magalu ao longo de 15 anos fez processos de trainee, só se apresentavam brancos, e ninguém nunca contestou isso, porque é considerado como parte da normalidade”, observa o reitor.

“De repente, o Magalu fala ‘vamos colocar os negros também para disputar espaço’. Aí o pessoal se ofende, tem medo de perder o monopólio dos espaços de poder e privilégio que se constituíram em latifúndios da branquitude. Então colocaram o bloco na rua dizendo que é ilegal, imoral, etecetera e tal. Mas as instituições responderam”, afirma, lembrando que o Ministério Público do Trabalho referendou a legalidade do programa de trainee e o defensor público que moveu a ação foi “cancelado” por seus próprios pares.

O filho de boia-fria que chegou a reitor de universidade é prova viva de que o racismo persiste, mesmo para os negros bem sucedidos.

“É normal quando chego de carro num restaurante dizerem ‘olha, para buscar chefia, fica estacionado um pouquinho mais na frente’. E quando saio do restaurante e estou esperando que meu carro chegue, que as pessoas me deem a chave ou peçam para eu ir buscar seus carros, porque na ideia deles, um negro de terno e gravata nesse local ou é segurança ou é motorista.”

“São coisas que agridem, que deixam a gente chateado. Mas sabemos que é parte de uma realidade que precisa ser superada e, por conta disso, a gente levanta, sacode a poeira e segue em frente.”

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes dá R$ 1,6 bi para Coca e Ambev em manobra fiscal


Um decreto assinado por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes em benefício da indústria de refrigerantes custará R$ 1,8 bilhão em recursos federais ao longo dos próximos três anos. O valor consta de um documento do Ministério da Economia enviado em janeiro ao Congresso Nacional. A medida beneficia diretamente as gigantes Coca-Cola e Ambev, que ficarão com R$ 1,6 bilhão, o correspondente a 90% do total.

Em 19 de outubro, o presidente e o ministro decidiram reembolsar subsídios aos fabricantes de refrigerantes, sucos e chás, por meio de um decreto assinado por ambos.

Desde os anos 1990, Coca-Cola, Ambev e companhia limitada transferiram a fabricação de concentrados para a Zona Franca de Manaus. As corporações tiveram direito a uma série de isenções em impostos federais, estaduais e municipais.

Idosa de 101 anos viraliza na web ao entregar currículo em empresa


Uma idosa de 101 anos surpreendeu a equipe de uma empresa em Promissão (SP) depois que entregou um currículo e manifestou interesse em trabalhar no local. Segundo a aposentada, ela queria trabalhar para comprar as coisas que gosta sem depender dos familiares.

“Eu quero trabalhar para comprar meus ‘vinhozinhos’, minha ‘carninha’, para não depender só da filha, ajudar um pouco”, conta dona Maria Cardoso.

A bisneta da idosa, Pâmela Cristina Matias Gomes,  que várias pessoas da família dela são funcionárias de um frigorífico da cidade e que a bisavó sempre demonstrou interesse em também trabalhar na empresa.

Por causa disso, a tia da idosa decidiu fazer um currículo para a dona Maria e pediu para a bisneta entregar aos recrutadores. Pâmela mandou o documento no grupo da empresa no WhatsApp e o currículo chegou às mãos da analista de atração e seleção do frigorífico, Juliana Araújo.

“Ela mandou mensagem ‘Juliana, faz entrevista com a minha vó’. Aí na hora que eu vi a data de nascimento, eu levei um susto e falei: ‘Pelo amor de Deus, leva o currículo para mim’. Aí ela levou e achei a coisa mais linda, com a foto dela”, conta Juliana.
Na semana passada, a analista compartilhou a situação nas redes sociais e se surpreendeu com a repercussão da história na cidade.

“Eu compartilhei porque foi uma coisa que mudou o meu dia, essa senhora com essa lição de empoderamento feminino, dando essa aula para a gente.”
A dona Maria contou que não completou os estudos, pois trabalhou na roça desde os 9 anos de idade. Apesar do desejo de trabalhar no escritório da empresa e fazer alguma coisa diferente, ela disse que fez o currículo como uma forma de brincadeira porque não sabe escrever.
De acordo com a bisneta, uma empresa de vinhos chegou a entrar em contato com a família depois da repercussão e disse que vai doar garrafas todo mês à idosa.

Já Juliana disse que pretende levar a dona Maria para fazer um passeio pela empresa quando a pandemia acabar.

“Tem muita empresa entrando em contato, querendo o telefone dela e já ganhou muito vinho que eu sei. Ela está uma celebridade na cidade, todo mundo só fala disso”, afirma Juliana.

Homem preso por pedofilia fez casa igual do filme Jogos Mortais


A polícia do Distrito Federal descobriu na sexta-feira (12) que um homem de 29 anos acusado de armazenar e compartilhar pornografia infantojuvenil tentava reproduzir em sua residência, na cidade de Planaltina, ambientes similares a série de filmes de terror Jogos Mortais. Os cômodos da casa, além de sujos, possuíam armadilhas.

Por fora, a residência era conservada, mas, dentro dela, havia sujeira espalhada de forma proposital por todos os cantos lembrando cenas das oito produções onde as vítimas são obrigadas a passar por testes que envolviam violência extrema e sacrifícios em troca de liberdade.

Em entrevista ao portal Metrópoles, o delegado Giancarlos Zuliani, chefe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), afirmou que a residência é assustadora. “A casa parecia um filme de horror. Por fora, a casa parecia normal, mas, por dentro, é um show tenebroso”, disse.

Um dos cômodos mais sujos, de acordo com o portal, é o banheiro, que aparentemente não era usado para o seu propósito. Lá, um computador foi colocado no chão, com o teclado apoiado em cima do vaso sanitário e uma cadeira embaixo do chuveiro. Na parede era possível ver escrito “HUGON”. No primeiro filme dos Jogos Mortais há a inscrição de um “X” no cômodo.

Já em um dos quartos policiais encontraram uma cadeira pendurada de cabeça para baixo e cheia de fios em cima do colchão, próximo a um sofá destruído. No quarto filme da série, um quarto também é utilizado como armadilha para um homem que estuprava e filmava as mulheres vítimas dele.

O ambiente foi descoberto durante a quinta etapa da Operação Coleciona-Dores. Agentes da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) cumpriram mandado de busca e apreensão no endereço do acusado. Na casa, os policiais encontraram materiais relacionados à pornografia infantil armazenados em um HD externo.

Coronavírus pode agravar distúrbios mentais

Além de ter causado milhões de mortes ao redor do planeta por sua condição agressiva ao trato respiratório e físico, a Covid-19 também gera preocupações na área de saúde mental.

Inserida em um contexto de isolamento social, desemprego, perda de renda, morte de pessoas próximas e com medo de adoecer, a população mundial apresenta, de forma geral, aumento nos casos de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e até mesmo demência.

Não bastasse isso, especialistas indicam que o próprio coronavírus pode penetrar no Sistema Nervoso Central (SNC) e causar distúrbios. Essa situação está sendo denominada de “quarta onda”.

“Há evidências de que o novo coronavírus pode penetrar no SNC através da via olfatória ou circulatória, bem como pode ter um impacto indireto no cérebro, devido à tempestade de citocinas (inflamação). Relatos mostram que os pacientes com Covid-19 podem apresentar manifestações neurológicas como doença cerebrovascular aguda (AVC), distúrbio da consciência, distúrbios do paladar e olfatório”, afirma o psiquiatra Lúcio Botelho, membro da Sociedade Internacional de ECT e Neuroestimulação (ISEN). Ele também é diretor-médico do mais antigo hospital psiquiátrico de Salvador, o Espaço Nelson Pires, e diretor-médico, idealizador e co-fundador da OMNI – Centro de Terapias Biológicas.

Essas alterações na consciência “costumam ocorrer durante a infecção, principalmente em pessoas vulneráveis, como idosos que já têm condição para desenvolver estado confusional”, explica o psiquiatra.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com a participação de psiquiatras de 23 estados e do Distrito Federal, revela que 47,9% dos entrevistados perceberam aumento em seus atendimentos após o início da pandemia. Além disso, 67,8% dos médicos afirmaram que receberam pacientes que nunca haviam apresentado sintomas psiquiátricos antes. O agravamento de quadros em seus pacientes foi relatado por 89,2% dos entrevistados.

A principal preocupação é que essas condições causem problemas mais graves, como o suicídio. Atualmente, essa é a segunda maior causa de morte do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), com 800 mil óbitos anuais. No Brasil, entre 2010 e 2016 a taxa de pessoas que tiraram a própria vida cresceu 7%, indo na contramão da tendência mundial, que diminuiu 9,8%.

“A gente já tem um número bastante alto. Com a quarta onda, que é essa perspectiva de aumento dos transtornos mentais, existe uma tendência de doenças e isso está relacionado ao suicídio. Há um aumento exponencial de depressão e ansiedade. Consequentemente, é possível que haja aumento no índice de suicídio, até porque as pessoas estão presas em suas casas”, lamenta Lúcio Botelho.

Para tentar contornar esses problemas, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou, durante a pandemia, o atendimento psiquiátrico via telemedicina. “Foi importante porque possibilitou o acesso ao cuidado de saúde. E não só pessoas do centro urbano, mas quem mora no interior tem acesso difícil ao psiquiatra. Sem falar na assistência psicológica. A interação social com a tecnologia que temos disponível foi importante para desafogar essa angústia”, explica o psiquiatra.

Outra coisa que ajuda é ajustar a rotina para melhorar a saúde mental. “Muitas coisas que podemos fazer em casa por conta própria é um sono regular e num horário adequado, a prática de exercício físico aeróbico, se manter em contato com outras pessoas. Muitas vezes a pessoa ou tem vergonha ou não consegue quebrar a barreira do silêncio. Então conversar com outras pessoas já é ajuda, mesmo que seja com parentes e amigos próximos. Uma alimentação saudável também é essencial”, afirma Lúcio.

Segundo ele, o sono adequado varia de pessoa para pessoa. Enquanto crianças e idosos tendem a dormir menos, adultos e jovens normalmente dormem mais. O ideal é ter a sensação de estar recuperado ou recuperada após uma noite de sono.

Justiça bloqueia bens de prefeito que furou fila da vacinação contra covid-19


A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens do prefeito de Candiba, Reginaldo Martins Prado, por furar a fila da vacinação contra o coronavírus. Contrariando os protocolos nacional e estadual, ele foi o primeiro a ser vacinado no município, mesmo sem integrar o grupo de prioridades da primeira fase da imunização contra covid-19. O bloqueio foi de R$ 72,5 mil em bens.

A condenação foi a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Estado da Bahia (MP/BA), que pede ainda a condenação do gestor por ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública – princípios da impessoalidade e da moralidade.

Na decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª região (TRF1), foi considerado que “ao ser o primeiro munícipe (cidadão do município) a receber dose de vacina contra a covid-19, (o prefeito) possuía pleno conhecimento de que não integrava os grupos prioritários de imunização contra a covid-19 definidos pelo Ministério da Saúde”.

Ainda segundo a decisão, “há, portanto, indícios fortes de ter o requerido (o prefeito), intencionalmente, ignorado o fato de a municipalidade ter recebido poucas doses de imunização, as quais atenderiam apenas 50 pessoas de um total de 14 mil habitantes do município de Candiba. Tais condutas encontram-se demonstradas pelas provas apresentadas pela parte autora (MPF e MP/BA), o que descortina (revela) os fortes indícios de improbidade administrativa que atentam contra os princípios da administração pública”.

A ação de improbidade foi ajuizada pelos MPs no dia 20 de janeiro, junto a outra ação civil pública, na qual os órgãos pedem que a Justiça determine ao prefeito Reginaldo Martins Prado seja impedimento de receber a segunda dose da CoronaVac até que chegue o momento de vacinação do grupo em que se enquadra.

A ação ainda pede o impedimento de fornecer a vacina a qualquer outra pessoa que não se enquadre nos critérios da fase 1, em especial parentes e servidores municipais, sob pena de multa de R$ 10 mil por vacinação de pessoa vinculada ao gestor que não se enquadre no plano de vacinação; a imediata desvinculação de sua imagem de todos os atos da campanha de vacinação até sua finalização, indicando outro servidor municipal para representar a prefeitura.

Além da obrigação de realizar retratação pública, reconhecendo a ilegalidade de seu ato e destacando a importância de a população respeitar a ordem oficialmente estabelecida; apresentação, ao final de cada etapa da vacinação, do nome, qualificação e critério de cada pessoa vacinada; e a confirmação definitiva dos pedidos de urgência e a condenação ao pagamento de R$50mil, a título de indenização pelos danos morais causados à coletividade.

STF mantém obrigatoriedade de uso de máscara


O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos hoje (12) para manter a obrigatoriedade do uso de máscaras em áreas públicas e presídios, em razão da pandemia de Covid-19. A obrigatoriedade do uso de equipamento individual em locais como estabelecimentos comerciais e industriais, escolas e templos religiosos foi estabelecida em uma lei que entrou em vigor em julho. Porém, em agosto, o relator, ministro Gilmar Mendes, derrubou o veto do presidente Jair Bolsonaro a um trecho específico da lei que trazia o detalhamento destes espaços, que são lugares fechados onde há reunião de pessoas. A liminar foi confirmada pelo plenário.

Agora, os ministros voltaram a discutir o tema, em plenário virtual, onde realizam seus votos virtualmente. Em seu voto, Gilmar Mendes afirmou que o Brasil “atingiu lamentavelmente o 2º lugar mundial em quantidade de casos (atrás apenas dos Estados Unidos da América)” e que os vetos “descumpriram preceitos fundamentais relativos ao processo legislativo constitucional”. O ministro também destacou que “a obrigatoriedade legislativa de uso de equipamentos de proteção individual em presídios e estabelecimentos socioeducativos assume extrema relevância, diante da precariedade estrutural das políticas de saúde nesses sistemas”.

Acompanharam o relator os ministros Alexandre de Moraes, Marco Aurélio, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Dias Toffoli e Edson Fachin. Os demais poderão votar até a meia-noite. A decisão do Supremo garante a segurança jurídica para a aplicação da norma que, na prática, já foi restabelecida pelo próprio Congresso Nacional. Deputados e senadores derrubaram o veto de Bolsonaro, validando o texto integral da lei, incluindo a lista de exemplos de ambientes onde a máscara é obrigatória.

Eike Batista é condenado a 11 anos de prisão


O empresário Eike Batista foi condenado pela 3a Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro a uma pena de 11 anos e 8 meses de prisão por crimes contra o mercado de capitais. A juíza Rosália Monteiro Figueira condenou-o ainda a pagar uma multa de R$ 871 milhões pelos crimes de insider trading (uso de informação privilegiada) e de manipulação de mercado.

Eike foi denunciado em 2014 sob a acusação de ter lucrado com a venda de ações de sua empresa OGX, através da ocultação, ao mercado, de informações negativas sobre a companhia.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o empresário teria simulado a injeção de até US$ 1 bilhão na OGX para atrair investidores, incorrendo no crime de manipulação de mercado.

A injeção do dinheiro foi anunciada pela empresa, mas, segundo o MPF, o empresário sabia da inviabilidade financeira de ativos importantes da empresa e não tinha real interesse em fazer o aporte.

O MPF também acusou Eike de usar informações privilegiadas para lucrar com a venda de ações em 2013. Segundo o MPF, o empresário teria vendido as ações da OGX em um momento em que ele possuía informações que ainda não tinham sido divulgadas para o mercado.

No processo, a defesa de Eike Batista negou que o empresário tenha feito uso de informações privilegiadas ou que tenha tentado manipular o mercado.

MP denuncia pai e madrasta por tortura contra menino acorrentado em barril


O Ministério Público de Campinas (SP) denunciou por tortura o pai do menino mantido acorrentado dentro de um barril no dia 30 de janeiro. Além do homem, a madrasta do garoto de 11 anos e uma filha dela também responderão por tortura se a Justiça aceitar a denúncia.

A ação da promotora Adriana Vacare Tezine atribiu, ainda, o crime de abandono intelectual ao pai, já que ele não matriculou nem manteve o filho na escola em 2020. Os três acusados estão presos preventivamente por tortura e omissão.

“A denúncia cita o resultado de exame de corpo de delito, que apontou na criança lesões causadas por agentes contundentes e corto-contundentes”, informou o MP, em nota publicada nesta sexta-feira (12).

O jovem foi resgatado pela Polícia Militar (PM) após uma denúncia. A filha da madrasta do garoto estava em casa vendo televisão quando os policiais chegaram.

Segundo a PM, o menino tinha mãos e pés acorrentados, estava debilitado e com sinais de desnutrição. Para os policiais, ele contou que se alimentava cascas de frutas e fubá cru. Tinha sede e fome quando pediu ajuda.

Após o resgate e os dias hospitalizado para passar por exames e tratar a desnutrição, o menino de 11 anos recebeu alta e foi encaminhado para uma instituição de acolhimento em Campinas, uma medida excepcional prevista pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).

Por todo o país – e até fora do Brasil – houve uma mobilização de ajuda ao garoto. Centenas de roupas e brinquedos foram doados.