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Tiroteio entre traficantes leva terror aos moradores da Mangueira

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Desde a execução do ex-traficante Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, há uma semana, no Complexo da Mangueira, facções criminosas rivais vêm disputando  o controle da venda de drogas na comunidade e aterrorizando moradores. Nas redes sociais, multiplicam-se os relatos de disparos e de que o medo voltou a pairar na região. No período, muros amanheceram pichados com inscrições do TCP (Terceiro Comando Puro), facção rival à que dominava a favela, e de Bonde do 22, uma referência ao grupo formado pelo traficante Leonardo da Costa, o Léo 22.

Moradores relatam que “Mesmo com a UPP na favela, o TCP invadiu. Ontem (terça-feira) eles colocaram fogo na casa de um morador. Está muito difícil conviver com tudo isso.” Outros moradores publicaram nas redes sociais fotos das pichações na Rua Jupará, uma delas, se referia ao Bonde do Louco, como Léo 22 também é conhecido. Na mesma rede, internautas comentaram que estavam com medo.

Informações repassadas à polícia dão conta de que os criminosos ligados a Léo teriam chegado à Mangueira na quinta-feira, tentando retomar a venda de entorpecentes. Os rivais do Comando Vermelho (CV) teriam resistido e pedido reforços de outras comunidades. Tanto que uma das suspeitas da polícia é que o homem morto em confronto com agentes da UPP no domingo, seja de favela do Engenho Novo, que foi até a Mangueira com grupo para apoiar a permanência do CV. A polícia não confirma a tentativa de invasão ao morro, mas diz ter recebido informes sobre a disputa.

A guerra entre grupos rivais pelo controle das bocas-de-fumo também é uma das linhas de investigação da Divisão de Homicídios (DH) para a morte de Tuchinha. As investigações apontam que os autores do crime seriam dissidentes do grupo do ex-traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, irmão de Tuchinha.

A escolha da facção TCP por Léo 22 para comandar o grupo que disputaria o controle da venda de drogas na Mangueira não seria mero acaso. O atual gerente da venda de entorpecentes no Morro da Serrinha, em Madureira, é cria da Mangueira e ex-integrante da facção Comando Vermelho.

Após uma briga com um dos chefões daquela quadrilha, ele buscou refúgio no TCP com o aval de Marcelo Santos das Dores, o Menor P, chefão do tráfico no Complexo da Maré que está preso. Tido como sanguinário por aliados e por moradores das comunidades — por isso os apelidos 22 e Louco —, Léo tem seis mandados de prisão por homicídio, expedidos pela 3ª Vara Criminal da Capital, 2ª Vara Criminal de São Pedro da Aldeia e 37ª Vara Criminal da Capital.