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Família de PM é assassinada em São João de Meiriti

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Um policial militar do 5º BPM (Praça da Harmonia) encontrou sua família morta ao chegar em casa, nesta quarta-feira. Segundo as primeiras informações do 21º BPM (São João de Meiriti), o sargento do 5º BPM (Praça da Harmonia) Cristiano José Martins chegou em casa por volta das 8h desta quarta-feira. Primeiro, ele descobriu dois cachorros da família mortos nos fundos do imóvel. Depois, viu a porta dos fundos aberta. Ao entrar na casa, achou os corpos de sua mãe, Marilene, de seu irmão, e das primas Kauane e Hester.

A porta dos fundos da casa estava arrombada. As vítimas foram identificadas como Marilene José Martins, de 60 anos, Fernando José Martins, de 36, Kauane, de 7, e Hester, de 5. As crianças estariam sendo cuidadas por Marilene. Elas seriam primas de criação do sargento Cristiano.

 Por volta das 11h20, os corpos das quatro vítimas deixaram a residência e seguiram para o Instituto Médico-Legal (IML) de Duque de Caxias, também na Baixada. Segundo informações preliminares da polícia, Marilene foi morta por asfixia e Fernando levou facadas – os dois têm marcas de pancadas no corpo. As crianças teriam sido espancadas. Os cachorros da família também teriam levado facadas.

Um homem que sobreviveu à chacina  seguiu para prestar depoimento. Ele será ouvido na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que investiga o crime. O homem andava com dificuldade ao sair da casa na Rua Bom Jardim, no bairro Parque Tietê, onde ocorreram os assassinatos. Ele contou a PMs do 21º BPM (São João de Meriti) que estavam no local do crime que conseguiu escapar da pessoa que invadiu a residência se trancando no quarto.

Além dos familiares, prestam depoimentos vizinhos e amigos das vítimas. O delegado André Moraes, responsável pelo caso, afirmou que mais pessoas ainda serão ouvidas até que se possa direcionar a investigação. Segundo Moraes, ainda é cedo para apontar suspeitos.

O delegado Giniton Lages, titular da DHBF, informou que Leonardo e Marilene José Martins, de 60 anos, uma das vítimas da chacina, brigavam pela guarda das crianças que também foram mortas: Kauane, de 7, e Hester, de 5. A mulher era tia das meninas. Já o rapaz visitara os filhos pela última vez no dia 20 do mês passado.

– Eles tinham uma audiência pela guarda provisória amanhã. Ela tinha interesse na guarda. Esse rapaz não morava na comunidade (onde ocorreu o crime). Já foi envolvido no tráfico daquela comunidade, mas agora está morando na Ilha (mais especificamente, no Morro do Barbante) – contou o delegado.

Giniton disse ainda que não pode apontar Leonardo como um dos suspeitos do crime. Segundo o policial, a mãe das crianças é viciada em crack, por isso não pode ficar com elas. O Conselho Tutelar, então, deu a guarda provisória à Marilene.

– Nós apuramos a princípio o seguinte: ali onde ocorreu o crime é o Morro do Azul. Há, sim, tráfico de drogas naquele local. Se ventilou logo que a ocorrência chegou que poderia haver envolvimento do tráfico (nas mortes), mas ainda não é possível cravar isso. A casa fica numa localidade que normalmente é trânsito de traficantes – explicou Giniton.

O delegado ainda descartou que a possibilidade de as mortes estarem ligadas ao fato de Marilene ser mãe de um policial militar:

– A Marilene é mãe de um polciial militar, sim, mas ele não reside ali há muito tempo. É muito remoto pensar que esse parentesco tenha motivado esse crime. Tudo leva a crer que foi um crime passional, por causa da carga de violência e do modus operandi. A cena nos diz que a carga emotiva presente na cena do crime nos leva a considerar, sim, o crime passional como uma hipótese.

Mulher foi a primeira a morrer

A DHBF já sabe que Marilene foi a primeira a morrer.

– Ela vai abrir a porta, tenta fechar, mas a pessoa avança e a matou a pauladas. O segundo a morrer foi o outro adulto (Fernando José Martins, de 36 anos, irmão do PM). Ele foi morto com uma faca, levada pelo assassino. Chegou a lutar com o assassino, mas foram muitos golpes. Os próximos a morrer, infelizmente, foram as crianças. Elas foram estranguladas com um barbante – relatou Giniton.

Logo após as mortes, o suspeito fugiu. Quanto ao sobrevivente, o delegado acredita que a presença dele nao tenha sido notada pelo assassino:

– O depoimento dele é muito importante porque pode ter percebido alguma coisa que possa nos auxiliar a desvendar o que aconteceu.

Segundo o policial, vizinhos das vítimas serão ouvidos para que a polícia possa esclarecer como era o dia a dia da família morta.