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Delegado preso após atirar em fiel de igreja em Copacabana ganha liberdade provisória

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Será solto nesta quinta-feira (09) o delegado Henrique Pessoa, da 79ª DP (Jurujuba), preso após atirar em um homem durante confusão na saída de uma audiência de conciliação no 5º Juizado Especial Cível, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo o Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, tanto a autoridade policial e a promotora de justiça do plantão noturno não pediram a conversão do flagrante em prisão preventiva. Henrique estava detido na 13ª DP (Ipanema) depois de ter sido medicado no hospital Copa D’or.

“Agora estamos mais aliviados. Ele será solto agora de manhã. A Justiça concedeu o pedido de liberdade provisória” , afirmou Luciana Pessoa, advogada e filha de Henrique.

Ainda segundo Luciana, a família estuda uma forma de reforçar sua segurança, além de não descartar a possibilidade de se mudar do Rio de Janeiro. A advogada contou que o delegado é vítima de perseguição do grupo de religiosos liderado pelo pastor Tupirani Hora, da Igreja Geração Jesus Cristo, desde 2009. Na ocasião, Tupirani foi preso por suspeita de intolerância religiosa.

“Eles sabem nosso endereço. Estamos pensando na nossa integridade fisica em primeiro lugar. Eu mesma já sofri com a ameaça deles. Tive que deletar meu Facebook por causa das ofensas” declarou.

Em um vídeo publicado em fevereiro deste ano, o pastor acusa Henrique Pessoa de receber dinheiro de contraventores do jogo do bicho. Nas imagens, o religioso diz que a quantia seria utilizada para custear os estudos de Luciana.

“Isso que aconteceu era uma tragédia anunciada”, afirmou Luciana.

No fim da tarde desta quarta-feira (03), uma audiência entre o delegado e um fiel da Igreja Geração Jesus Cristo acabou em confusão no V Juizado Especial Cível. Ao fim da sessão, que tentava conciliação em um processo de danos morais, movido pelo delegado Henrique Pessoa contra o religioso, um grupo de cerca de 20 fiéis cercou o policial. No tumulto, Pessoa atirou e um fiel foi baleado. O delegado também foi ferido com pontapés e atingido na cabeça.

Segundo a delegada titular da 12ª DP (Copacabana), Izabela Silva Rodrigues Santoni, imagens de câmeras de segurança mostram o delegado atirando em direção à vítima — ao contrário do que alega a advogada do acusado, de que ele teria disparado em legítima defesa. Segundo a assessoria de imprensa do TJ, um PM teria tentado intervir na discussão entre o delegado e o grupo de fiéis. Pessoa teria então agachado e feito o disparo por baixo do braço do militar. Henrique Pessoa foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio.

O delegado da Polícia Civil é responsável por acompanhar casos de intolerância religiosa. Ele acusa os fiéis de promoverem uma campanha difamatória contra ele nas redes sociais. Em 2012, o pastor Tupirani da Hora Lores e o fiel Afonso Henrique Alves Lobato foram condenados pela 20ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro por difundir na internet ideias de discriminação religiosa.