Arquivo da tag: Veja senadores que votaram em comissão no Senado que respondem na Lava Jato

Veja senadores que votaram em comissão no Senado que respondem na Lava Jato

19167557

Dentre os vinte senadores que votaram nesta sexta-feira (6) na comissão especial de impeachment no Senado, quatro são alvos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Desses, dois votaram contra a admissibilidade do processo de impedimento de Dilma Rousseff – são eles Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lindbergh Farias (PT-RJ). Os outros dois – Fernando Bezerra (PSB-PE) e Gladson de Lima Cameli (PP-AC) estão no grupo dos 15 que votaram favoravelmente à continuidade do processo de impeachment, aprovado nesta manhã.

Todos os quatro senadores, além da Lava-Jato, respondem a outros questionamentos judiciais. Entre os dados considerados, levantados em plataforma da ONG Transparência Brasil, estão desde processos, até pendências eleitorais e em tribunais de contas.

Na Justiça

Segundo levantamento do Portal EBC, metade do total de parlamentares que votaram na comissão do Senado possuem pendências judiciais. O campeão em ações é o senador Dário Elias Berger (PMDB-SC), que responde a um total de 27 questionamentos judiciais. Ele votou favoravelmente ao prosseguimento do processo de impeachment.

Em segundo lugar aparece, novamente, Lindbergh Farias, com 16 registros. Zezé Perrella (PTB-MG), Simone Nassar (PMDB- MS), Vanessa Grazziotin e Wellington Fagundes (PR-MT) também possuem algum tipo de registro no currículo judicial.

Dos que respodem a processos, um total de oito votaram favoravelmente ao relatório de Anastasia. Dos cinco que votaram contrariamente ao afastamento da presidenta, apenas dois não responde a qualquer processo. Trata-se de José Pimentel (PT-CE) e de Telmário Mota (PDT-RR).

Confira os questionamentos relacionados a cada deputado:

Wellington Fagundes (PR-MT)

Responde, no STF, a inquérito de 1992, referente à apuração sobre peculato.

Vanessa Grazziotin (PCdoB – AM)

Responde a inquérito no por compra de votos, movido pelo Ministério Público Eleitoral. No TJ-AM é alvo em ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual por violação aos princípios administrativos.

Zezé Perrella (PTB- MG)

No TRF-1, no DF, foi condenado em ação de improbidade administrativa à suspensão dos direitos políticos por três anos e a pagamento de multa por ocupação ilegal de apartamentos funcionais, de propriedade da Câmara dos Deputados, na época em que era deputado federal. O senador recorreu da decisão na mesma instância, mas a decisão foi mantida. O parlamentar recorre em segunda instância.

Já no TRE-MG, teve reprovada a prestação de contas referente às eleições de 2006. O parlamentar recorreu mas a decisão foi mantida. Ainda no estado mineiro, é alvo de ação de improbidade administrativa por dano ao erário movida pelo Ministério Público Estadual. Além de Zezé Perrella, são investigados seu filho, o deputado estadual de Minas Gustavo Perrella (SDD); seu irmão, Geraldo de Oliveira Costa; e seu sobrinho, André Almeida Costa; bem como Baldonedo Arthur Napoleão e Antônio Lima Bandeira, ambos ex-diretores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Segundo o MP, a empresa Limeira Participações Ltda, pertencente ao senador, teria fechado contratos, convênios e termos de parceria sem licitação com a Epamig. A Justiça de Minas Gerais determinou o bloqueio de bens e a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.

Simone Nassar Tebet (PMDB-MS)

É alvo de inquérito no STF por crime de responsabilidade. De acordo com a denúncia, “a ex-prefeita de Três Lagoas teria fraudado o caráter competitivo de licitações e desviado recursos públicos em favor de empresa fraudulentamente contratada”.

No TRF-3, no Mato Grosso do Sul, é ré em ação civil de improbidade administrativa com dano ao erário, ajuizada pelo Ministério Público Federal, referente a contratos de repasse entre o Ministério do Turismo e o Município de Três Lagoas. Já no TJ-MS, responde em ação civil de improbidade administrativa com dano ao erário, ajuizada pelo Ministério Público Estadual. A Justiça determinou a indisponibilidade de bens da senadora e dos demais requeridos. No mesmo tribunal, é alvo de ação civil pública com dano ao erário movida pelo Ministério Público Estadual.

Cássio Cunha Lima (PSDB- PB)

No STF, é alvo de inquérito que investiga crimes contra a ordem tributária e formação de quadrilha. O processo corre sob segredo de Justiça.  No TRE-PB teve o mandato de governador cassado em ação de investigação judicial por abusos de poder econômico e político, captação ilícita de sufrágio e conduta vedada a agente público. Foi também condenado a pagamento de multa. Recorreu, mas decisão foi mantida.

Ainda no TRE-PB foi condenado ao pagamento de multa em ação de investigação judicial por abuso de poder político e econômico, bem como conduta vedada a agente público. Declarou-se também sua inelegibilidade por um período de três anos, a contar da eleição de 2006. O parlamentar recorreu da decisão, mas ela foi mantida. Também foi condenado a pagamento de multa em ação de investigação judicial por abuso de poder político e conduta vedada a agente público e teve rejeitada prestação de contas referente às eleições de 2006.

No TRF-5, na Paraíba, foi condenado em primeira instância a ressarcir R$ 634 ao erário público referente a rendimentos em aplicações financeiras não repassadas à União. O parlamentar recorre. No TJ-PB é  alvo de ação civil de improbidade administrativa por irregularidades e ilegalidades durante a execução do Programa Gol de Placas. A ação, inicialmente movida pelo estado da Paraíba, foi anulada sem resolução de mérito após a desistência do autor. Na TJ-PB , o Ministério Público conseguiu reverter a decisão e o Tribunal determinou o prosseguimento da ação em primeira instância.

Dário Elias Berger (PMDB – SC)

De acordo com o banco de dados do Portal Excelências, o senador foi condenado e multado cinco vezes por supostas irregularidades enquanto era prefeito da cidade de São José (SC), o que incluiu denúncias de danos aos cofres do município em obras da cidade e por não ter construído um posto de saúde que já tinha recursos definidos.

O senador também aparece como réu no STF por denúncias que incluiriam fraude em licitações para a construção de trechos da Avenida Beira-Mar, também em São José, ao “dispensar indevidamente processos licitatórios e fracionar a obra em parcelas de modo inviável técnica e economicamente, o que beneficiou empresas de pequeno e médio porte e causou um prejuízo de aproximadamente R$ 330 mil ao erário”.  Ainda no Supremo, responde por três inquéritos que apuram supostos crimes relacionados a licitações e por outros danos ao erário.

No Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o senador é réu também por improbidade administrativas em outros 17 ações civis públicas.

Gleisi Helena Hoffmann (PT-PR)

A senadora é alvo da Operação Lava Jato da Policia Federal. A PF indiciou a senadora e o marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, pelo crime corrupção passiva, sob a acusação de receber R$ 1 milhão para sua campanha em 2010.  De acordo com depoimento de delatores, o valor é oriundo de desvios de contratos da Petrobras. Gleisi negou que tenha recebido o valor. Janot pediu a anulação do inndiciamento e o caso está com o ministro Teori Zavascki.

Gleisi Hoffmann também foi condenada a pagar R$ 5 mil por ter utilizado espaço público para gravar propaganda eleitoral. A senadora recorreu contra decisão e caso foi para o TSE.

Gladson de Lima Cameli (PP-AC)

Além de réu da Operação Lava Jato, o senador também teve processo de investigação por dirigir embriagado. Após um acordo, Cameli realiza pagamento de prestação pecuniária a entidade assistencial pelo prazo de dois anos, conforme proposta do Ministério Público Federal (MPF).

Fernando Bezerra de Souza Coelho (PSB- PE)

O parlamentar é alvo de seis investigações no STF, o que inclui denúncia da Operação Lava Jato. Além disso, responde por supostas irregularidades em relação a danos ao erário público durante a gestão dele como prefeito de Petrolina (PE). Consta também inquérito, que tramita em segredo de justiça, que investiga peculato, crimes de formação de quadrilha e moeda falsa. Outra investigação ocorre no âmbito do Ministério Público em Pernambuco sobre uma denúncia de que teria adquirido um mesmo imóvel em duplicidade.

Lindbergh Farias (PT-RJ)

No STF, o senador é alvo de seis investigações, o que inclui denúncia em virtude da Operação Lava Jato e também por supostas irregularidades contra o erário público durante o período em que foi prefeito de Nova Iguaçu (RJ). No Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, é réu em 10 investigações motivadas por ações civis públicas relacionadas ao período de prefeitura. Ele foi denunciado por improbidades administrativas relacionadas a motivos como irregularidade em licitações e promoção pessoal.

( EBC)

Confira abaixo, quantidade de processos a que responde cada deputado e como votou:

1
Senador Partido Estado Voto
Processos judiciais
Responde na Lava Jato
2
Aloysio Nunes Ferreira Filho PSDB São Paulo Sim 0 Não
3
Ana Amélia de Lemos PP Rio Grande do Sul Sim 0 Não
4
Antonio Augusto Junho Anastasia
PSDB Minas Gerais Sim 0 Não
5
Cássio Rodrigues da Cunha Lima PSDB Paraíba Sim 5 Não
6
Dário Elias Berger PMDB Santa Catarina Sim 27 Não
7
Fernando Bezerra de Souza Coelho
PSB Pernambuco Sim 5 Sim
8
Gladson de Lima Cameli PP Acre Sim 2 Sim
9
Gleisi Helena Hoffmann PT Paraná Não 2 Sim
10
Hélio José PMDB Distrito Federal Sim 0 Não
11
Jose Antonio Medeiros PSD Mato Grosso Sim 0 Não
12
José Barroso Pimentel PT Ceará Não 0 Não
13
José Perrella de Oliveira Costa “Zezé”
PTB Minas Gerais Sim 3 Não
14
Lindbergh Farias Filho PT Rio de Janeiro Não 16 Sim
15
Romario de Souza Faria PSB Rio de Janeiro Sim 0 Não
16
Ronaldo Caiado DEM Goiás Sim 0 Não
17
Simone Nassar Tebet PMDB
Mato Grosso do Sul
Sim 4 Não
18
Telmário Mota de Oliveira PDT Roraima Não 0 Não
19
Vanessa Grazziotin PC do B Amazonas Não 2 Não
20
Waldemir Moka Miranda de Britto PMDB
Mato Grosso do Sul
Sim 0 Não
21
Wellington Antonio Fagundes PR Mato Grosso Sim 1 Não