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Conjunto de Prédios do Minha Casa, Minha Vida em Niterói apresentam problemas

Depois da demolição de dois prédios do Programa Minha Casa, Minha Vida, em Niterói, no   Rio de Janeiro, por causa de problemas estruturais na edificação, foi identificada no mesmo local, onde está sendo construído o Conjunto Habitacional Zilda Arns, outra unidade com falhas na estrutura devido à erosão do solo.

O conjunto de imóveis estão sendo construídos para receber vítimas da chuva de 2010, em Niterói, como as que moravam no Morro do Bumba.Em abril de 2010, a chuva forte que atingiu a região metropolitana do Rio causou o deslizamento de parte do morro causando a morte de 50 pessoas e deixando centenas de famílias desabrigadas. Enquanto o impasse não é resolvido, famílias que perderam as casas continuam morando em abrigos ou com a ajuda do aluguel social. Eles temem o risco de se mudar para o conjunto. “A verdade é que as pessoas já saíram de uma tragédia, perderam os seus familiares, perdeu o único bem que tinha. Quer dizer, para vir para um outro tipo de problema que possa vir trazer uma tragédia? O questionamento que nós fazemos é o seguinte: de quem será a responsabilidade se vier acontecer um outro fato deste? Da Chuva? Não pode”, questionou o presidente da Associação das Vítimas no Bumba, Francisco Carlos Ferreira de Souza.

De acordo com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), o problema causou danos à fundação e rachaduras nas paredes. De acordo com o engenheiro de grandes  estruturas e conselheiro do Crea-RJ, Antonio Eulalio, a erosão do terreno é proveniente das águas de um rio que nasce em uma montanha atrás dos edifícios. “A estrutura de alvenaria utilizada não é convencional, rígida, então o suporte do terreno não comporta deformações acentuadas. Aconselhei que os prédios sejam monitorados e estudados para que seja possível reforçar, mudar a fundação”, disse.

As obras de construção das unidades habitacionais estão suspensas até a divulgação de um relatório da Caixa Econômica Federal. Segundo o engenheiro, os prédios foram nivelados em cima de um aterro seco. Com as fortes chuvas que atingiram o estado em meados do mês de março, a situação foi agravada. “O programa não fez estudos preliminares para medir a capacidade de carga e vazão da bacia d´água para desviar o curso do rio”, explicou.

De acordo com Antonio Eulalio, “as rachaduras estão evoluindo paulatinamente, e a tendência é que vão se deformando ao longo do tempo. É preciso uma avaliação para que esses moradores não sejam surpreendidos até mesmo com as rupturas da estrutura. As casas são populares, mas é preciso ter qualidade”, alertou.

Segundo a Caixa Econômica Federal, somente serviços externos aos blocos estão liberados para garantir a drenagem do solo. As obras estão suspensas até que saia o resultado de um estudo sobre as condições do terreno e dos edifícios.

A Caixa informou, por meio de sua assessoria, que o laudo técnico elaborado por engenheiros da instituição, da seguradora do empreendimento e da Construtora Imperial Serviços, foi concluído e deverá ser publicado ainda este mês. O documento deverá estabelecer um novo prazo para a entrega da obra, orçada em R$ 22 milhões e prevista para junho deste ano.