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Justiça ouve réus sobre acidente do voo 3054 da TAM que matou 199

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A Justiça Federal de São Paulo ouviu na tarde desta sexta-feira (14) os três réus que respondem ao processo do acidente do voo 3054 da TAM ocorrido em julho de 2007 no aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da capital paulista. Ao todo, 199 pessoas morreram no acidente. Os réus Alberto Farjemen, vice-presidente da TAM na época do acidente, Marco Aurélio Castro, diretor de segurança de voo da empresa e a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Cicil (ANAC), Denise Abreu, foram interrogados por cerca de quatro horas e responderam perguntas do juiz, procurador, defesa e assistente da acusação.  Esse foi o primeiro interrogatório dos réus mais de 6 anos após o acidente. Eles respondem pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo de forma culposa, quando não há intenção de matar. O julgamento teve início em agosto de 2013. Para o procurador Rodrigo de Grandis, os interrogatórios dos réus confirmaram as provas apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF). “Houve culpa por parte dos acusados e a pista não poderia ter sido liberada”, disse.De acordo com o procurador, a Justiça determinou um prazo de 45 dias para que o MPF e a assistência da acusação entregue seus memoriais, como são denominadas as peças escritas. Em seguida, as defesas dos réus terão o mesmo prazo para realizar o mesmo procedimento. “Em 90 dias o processo vai para o juiz para a prolação da sentença”, afirmou.

No entanto, o juiz terá um prazo para avaliar todo o material e a previsão é que a sentença só seja proferida após o meio do ano. “Tendo em vista a complexidade do processo, o número de volumes, a expectativa é que a sentença seja decretada até agosto”, disse o advogado Ronaldo Margazão, assistente de acusação.

Os réus deixaram o fórum e não falaram com a imprensa. O defensor Antonio Mariz de Oliveira, advogado de Castro e do Farjemen, disse que os seus clientes defenderam durante interrogatório que o manete posicionado de forma incorreta contribuiu para o acidente.

“Ambos disseram isso com base nos relatórios, da análise da caixa preta, houve amparo técnico”, justificou. Os réus também disseram que um responsável da Infraero e da torre de comando do aeroporto também deveriam ter sido indiciados.

Tanto o procurador Rodrigo de  Grandis quanto os familiares das vítimas ficaram inconformados com o interrogatório de Denise Abreu, que negou seus depoimentos anteriores. O advogado da acusada não quis se manifestar.

O professor Dario Scott, de 50 anos, presidente da Afavitam (Associação dos familiares vítimas da TAM), disse acreditar que o júri seja uma forma de aumentar a responsabilidade pelos responsáveis pelo transporte aéreo no país. “A minha expectativa, enquanto pai de uma das vítimas e presidente dessa associação, é que os réus respondam com uma pena máxima”, desabafou.