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Brasileiros ‘dominam’ prostituição em Londres

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“Não é que os brasileiros só querem fazer programa. São os clientes que só querem os brasileiros. Se for de outro país, não dá certo”, simplifica Renato (nome fictício), catarinense de 25 anos que mora em Londres desde 2012. Sua profissão: garoto de programa em tempo integral.

Renato é um dos vários brasileiros que vêm para a Grã-Bretanha em busca de oportunidades de trabalho em várias áreas, inclusive na indústria do sexo.

Muitos encontram emprego em bares, hotéis e restaurantes, mas decidem complementar a renda fazendo programa. Outros nem tentam as vias formais de trabalho. Já chegam em Londres decididos a ganhar o sustento e fazer economias vendendo sexo.

“Muitos brasileiros chegam ao aeroporto e vêm direto aqui anunciar antes mesmo de achar um lugar para ficar”, diz à BBC Brasil Russell Reeks, editor da seção de classificados da revista masculina britânica QX.

Segundo ele, metade dos cerca de 70 anunciantes semanais são brasileiros. Homens, segundo Reeks, bonitos e atraentes, que investem na aparência e apostam na rentabilidade da indústria do sexo londrina.

“Apesar da recessão, Londres continua sendo um mercado lucrativo para os trabalhadores do sexo”, opina Reeks, acrescentando que um anúncio na revista (edições impressa e online) custa em média £40 por semana.

Aids

Não há estatísticas oficiais sobre o número de garotos de programa brasileiros na Inglaterra, mas um estudo recente, publicado em dezembro pela British HIV Association (BHIVA) afirma que 39% dos trabalhadores do sexo no país são sul-americanos. Deste total, 97% são brasileiros.

Ainda segundo a pesquisa, homens que trabalham na indústria do sexo têm três vezes mais chances de serem diagnosticados com o vírus HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST), como clamídia e gonorreia, do que outros homens.

O trabalho não traz dados sobre o índice de DST entre os brasileiros, mas um outro dado, divulgado em outubro do ano passado pela Health Protection Agency (HPA), aponta que, em Londres, entre 2007 e 2011, o maior número de contaminação pelo vírus HIV entre homens estrangeiros que fazem sexo com outros homens se deu entre brasileiros (7%).

Eles ficaram apenas atrás dos britânicos (44%). O levantamento não analisa o perfil dessas pessoas, mas o brasileiro José Resinente, coordenador do projeto Naz Vidas, supõe que eles façam parte da comunidade gay e trabalham como garotos de programa.

O Naz Vidas é uma ONG que oferece orientações sobre saúde sexual e planejamento familiar para a comunidade lusófona na Grã-Bretanha. Desde 2009, oferece testes de HIV e, segundo Resinente, até agora foram registrados cinco casos da doença entre brasileiros, todos heterossexuais.

O brasileiro está usando os dados da HPA como base para sua tese de doutorado, que defende que os casos de Aids entre brasileiros em Londres se concentra entre os gays e trabalhadores do sexo.

“Não identificamos garotos de programa com HIV na Naz porque eles não passam por aqui. Eles evitam contato com a comunidade brasileira por medo de serem identificados”, afirma Resinente.

Ele acrescenta que atende, em média, 12 brasileiros por semana em busca de check-ups de saúde sexual ou de tratamento para DST. Em sua avaliação, os trabalhadores do sexo estão mais expostos ao risco de HIV por vários fatores, entre os quais o uso de drogas.

“Quando estão sob o efeito de entorpecentes, é mais fácil esquecer de usar o preservativo e o risco de contaminação aumenta”, diz ele.