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Justiça prorroga prazo para Samarco a Vale e BHP depositarem R$ 1,2 bilhão

983805-barragem002A Justiça Federal prorrogou novamente o prazo para que a mineradora Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton depositem R$ 1,2 bilhão. O valor deveria ter sido transferido até o dia 10 de janeiro, mas um dia antes de esgotar o prazo, as empresas solicitaram adiamento. Conforme decisão do juíz Mário de Paula Franco, publicada hoje (13), a nova data limite é 19 de janeiro.

O valor de R$ 1,2 bilhão deve se somar a R$ 800 mil já depositados pelas empresas. O montante de R$ 2 bilhões objetiva garantir futuras ações de recuperação e reparação dos danos socioambientais decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro de 2015, no município de Mariana (MG).

Em sua decisão, o juíz Mário de Paula Franco registrou que deferiu o pedido das mineradoras após tomar ciência de que elas e o Ministério Público Federal (MPF) estão em “tratativas com vistas à celebração de uma composição abrangente, com a informação de que as negociações evoluíram de forma substancial”. O magistrado também enalteceu “a atitude positiva das partes e instituições envolvidas” na busca de solução para a maior tragédia ambiental do país “através de um meio consensual”.

No mês passado, a juíza Rosilene Maria Ferreira havia adiado o prazo estipulado para o depósito e concedeu mais 30 dias para as empresas. Segundo a Samarco, a intimação da Justiça foi entregue no dia 12 de dezembro e, sendo assim, o depósito deveria ser efetuado até o dia 10 de janeiro. Na ocasião, ela fixou uma multa diária pelo descumprimento do prazo, no valor de R$ 1,5 milhão, até que a transferência dos valores fosse comprovada.

A barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco, se rompeu no dia 5 de novembro de 2015. Na tragédia ambiental, considerada a maior do país, foram liberados mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O vazamento provocou devastação de vegetação nativa, poluição da Bacia do Rio Doce e destruição dos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu, entre outras comunidades. No episódio, 19 pessoas morreram.

Acordo

08_-_bento_rodrigues_foi_devastado_pela_lama_de_rejeitosA determinação do depósito de R$ 2 bilhões atendeu a uma ação civil pública movida logo após a tragédia pelos governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo e por órgãos ambientais. O processo teria sido encerrado caso fosse homologado o acordo fechado entre as partes, estimando em aproximadamente R$ 20 bilhões o valor dos prejuízos causados pelo rompimento da barragem.

A homologação chegou a ocorrer em maio de 2016, mas foi suspensa após contestação do MPF. A validade do acordo será avaliada novamente pela Justiça Federal. Paralelamente, tramita uma ação do MPF que estima em R$ 155 bilhões os prejuízos.

Sem homologação judicial do acordo, segue normalmente o trâmite da ação civil pública movida pelos governos federal, de Minas e do Espírito Santo e pelos órgãos ambientais. Além do depósito de R$ 2 bilhões, outras medidas urgentes foram solicitadas e atendidas pela Justiça, por meio de decisões liminares como a suspensão de licenças, contratação de estudos pelas empresas e obrigatoriedade da Samarco conter os rejeitos que ainda vazavam das estruturas remanescentes ao rompimento da barragem.

Justiça prorroga prazo para Samarco, Vale e BHP depositarem R$ 1,2 bilhão

12/12/2016

1052674-edit_03317As empresas Samarco, BHP Billiton e Vale conseguiram obter da Justiça Federal a prorrogação por 30 dias do prazo determinado para o depósito de R$ 1,2 bilhão. Este valor deve se somar a R$ 800 mil já depositados pelas empresas. O montante total de R$ 2 bilhões tem como objetivo garantir futuras ações de recuperação e reparação dos danos socioambientais decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, que ocorreu em 5 de novembro de 2015 em Mariana (MG).

Em decisão proferida no dia 4 de novembro, a juíza Rosilene Maria Ferreira já havia concedido 30 dias para realização do depósito. Na última quarta-feira (7), a magistrada aceitou prorrogar o prazo, que é calculado a partir da data de intimação. A Samarco informou que foi notificada pela Justiça hoje (12) e, sendo assim, o depósito deverá ser efetuado até o dia 10 de janeiro. Caso a determinação não seja cumprida, haverá multa diária de R$ 1,5 milhão até que a transferência dos valores seja comprovada.

A barragem de Fundão pertencia à Samarco que, por sua vez, tem como acionistas as mineradoras Vale e BHP Billiton. Na tragédia ambiental, considerada a maior do país, foram liberados mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O vazamento provocou devastação de vegetação nativa, poluição da Bacia do Rio Doce e destruição dos distritos de Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira, além de outras comunidades. No episódio, 19 pessoas morreram.

A determinação do depósito de R$ 2 bilhões atendeu a uma ação civil pública movida logo após a tragédia pelos governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo e por diversos órgãos ambientais. Esse processo teria sido encerrado caso fosse homologado o acordo fechado entre as partes em que se estimava em aproximadamente R$ 20 bilhões o valor dos prejuízos causados pelos rompimento da barragem.

A homologação chegou a ocorrer em maio desse ano, mas foi posteriormente suspensa após contestação do Ministério Público Federal (MPF). A validade do acordo ainda será avaliada novamente pela Justiça Federal. Paralelamente, tramita uma ação do MPF que estima em R$ 155 bilhões os prejuízos.

Sem homologação judicial do acordo, segue normalmente o trâmite da ação civil pública movida pelos governos federal, de Minas e do Espírito Santo e pelos órgãos ambientais. Além do depósito de R$ 2 bilhões, outras medidas urgentes foram solicitadas como a suspensão de licenças, a contratação de estudos e a contenção dos rejeitos que ainda vazavam das estruturas remanescentes após o rompimento da barragem. A Justiça Federal deferiu parcialmente alguns dos pedidos liminares.

Na decisão do dia 4 de novembro do mês passado, a juíza Rosilene Maria Ferreira apontou quais decisões ainda não foram cumpridas. Além da complementação de R$ 1,2 bilhão para se chegar ao depósito de R$ 2 bilhões determinado pela Justiça Federal, as empresas ainda precisam cumprir outras duas ordens. Foi dado um prazo de 90 dias para que seja comprovado o estancamento definitivo do vazamento dos rejeitos. As mineradoras também terão seis meses para apresentar uma plano de ação e um estudo sobre a viabilidade da retirada da lama depositada nas margens do Rio Doce.

Acordo entre Samarco e governos para reparação de danos ainda aguarda Justiça

04/11/2016

Mesmo sem homologação judicial, a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billiton, o governo federal e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo estão cumprindo o acordo celebrado para reparação dos danos causados pela tragédia de Mariana (MG). Neste sábado (5), o rompimento da barragem de Fundão completa um ano. O episódio destruiu comunidades, devastou vegetação nativa e levou poluição à bacia do Rio Doce, além de ter provocado 19 mortes.

O acordo, celebrado em março, previa que a Samarco investisse cerca de R$20 bilhões ao longo de 15 anos. Ele chegou a ser homologado em maio, no entanto, após contestação do Ministério Público Federal (MPF), a homologação foi suspensa em agosto. A validade do acordo ainda será avaliada novamente pela Justiça Federal. Paralelamente, tramita uma ação do MPF que estima em R$155 bilhões os prejuízos.

Conforme os termos do acordo, a Samarco deveria criar uma fundação privada responsável por gerir 39 projetos. Também seria criado o Comitê Interfederativo, composto por representantes do Poder Público, que teria a função de fiscalizar os trabalhos. As duas estruturas estão funcionando. A mineradora criou a Fundação Renova.

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que compõe Comitê Interfederativo, o acordo está sendo aplicado. “As partes estão cumprindo o que foi negociado independente da homologação judicial. Tem uma estrutura governamental envolvida. O Comitê Interfederativo possui 10 câmaras temáticas”, disse a presidente do Ibama, Suely Araújo. Ela acrescenta que já foram aprovadas 28 deliberações do órgão colegiado, orientando a Samarco e a Fundação Renova sobre como devem proceder para reparar os danos.

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) também integra o Comitê Interfederativo. “Os governos assumiram que não dá para esperar o trâmite de uma ação judicial que vai levar anos para termos uma efetiva reparação do dano. O acordo, portanto, tem o objetvo de iniciarmos a recuperação desde já. Estamos respondendo uma demanda que veio da sociedade”, diz o secretário-adjunto, Germano Luiz Gomes Vieira.

Os órgãos também mantêm sua atuação paralela aos trabalhos do Comitê. Em outubro, a Samarco foi condenada a pagar R$112 milhões conforme o auto de infração da Semad, que penaliza a mineradora pelo rompimento. A decisão se deu em última instância e não cabe mais recurso.

Ações

Segundo o Ibama, a recuperação ambiental da área atingida é um processo de longo prazo: são 40 mil hectares. A Câmara de Restauração Florestal do comitê acompanha os trabalhos. Na área de Bento Rodrigues foi feita uma revegetação inicial de 800 hectares com gramíneas e leguminosas para combater a erosão.

Já a Câmara de Segurança Hídrica e Qualidade da Água definiu 39 municípios que receberão ainda este ano os primeiros R$50 milhões de um total de R$500 milhões que a Samarco destinará à obras de saneamento. Futuramente, outras cidades também serão beneficiadas. Essa não é uma medida de reparação de danos e sim de compensação, que também está previsa no acordo.

Governador Valadares (MG) é exceção. De acordo com o comitê, ali se trata de uma medida de reparação, pois o sistema de abastecimento da cidade capta água diretamente do Rio Doce. Com a turbidez gerada pela lama, o sistema de tratamento é mais complexo. “A população tem dificuldade de aceitar essa água. Mas com investimentos, a situação foi contornada. A água distribuída na cidade está dentro dos padrões de potabilidade”, diz Suely Araújo.

Se por um lado a água tratada é confiável, por outro é preciso tomar cuidado com a água no rio. Segundo o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), o limite máximo de alumínio dissolvido é de 0,1 mg/l. Em Governador Valadares, o índice está em 0,132 mg/l. O órgão diz que, apesar de estar acima do limite, a oscilação está dentro da variação histórica e é considerada previsível.

“Na passagem da lama, o rio é revirado e faz ressurgir metais que estavam depositados no fundo. Esse fenômeno ainda é instável e influenciado por qualquer nova movimentação no Rio Doce: chuvas, obras nas margens, lançamento de afluentes”, diz Regina Pimenta, analista ambiental do Igam. Ela pede que as pessoas tenham prudência e não recomenda beber água e nadar no rio.

MPF cobra R$ 155 bi para reparar danos do rompimento da barragem da Samarco

03/05/2016

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou na tarde de hoje (3) o teor de uma ação civil pública para reparação total dos danos sociais, ambientais e econômicos causados pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco. A tragédia, que ocorreu no dia 5 novembro de 2015, em Mariana (MG), deixou 19 mortos, causou destruição da vegetação nativa e poluiu a bacia do Rio Doce. Os procuradores estimam em R$ 155 bilhões o valor dos prejuízos.

A ação impetrada na Justiça Federal tem 359 páginas e inclui mais de 200 pedidos. Os procuradores voltaram a se colocar contra a homologação judicial do acordo entre as mineradoras, o governo federal e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Segundo eles, as medidas são insuficientes. O acordo prevê o aporte de aproximadamente R$ 20 bilhões ao longo de 20 anos, um valor bem inferior aos R$ 155 bilhões pedidos na ação.

Segundo o procurador José Adércio Sampaio, para o cálculo dessas cifras foi escolhido um caso emblemático que pudesse servir de comparação. A opção se deu pela explosão da plataforma Deepwater Horizon, da empresa petrolífera British Petroleum, em 2010, no Golfo do México. No episódio, 11 pessoas morreram e cerca de 4,9 milhões de barris de óleo vazaram para o mar. “Com base em estudos preliminares, concluímos que os impactos humanos, econômicos e socioambientais da tragédia de Mariana são, no mínimo, equivalentes àqueles verificados no Golfo do México”, disse Sampaio. No ano passado, a British Petroleum, em laudo divulgado em seu site, reconheceu os danos no valor de US$ 43,8 bilhões que, convertidos em reais, daria os R$155 bilhões.

Os promotores reiteram se tratar de um valor estimado, que deverá ser melhor definido a partir de diagnóstico realizado por técnicos independentes. “Os estudos ainda não retratam na plenitude a extensão do dano. Precisaremos de diagnósticos de pelo menos dois anos hidrológicos para ter convicção acerca dos prejuízos. Por isso, a ação aponta uma estimativa. Mas se os danos são equiparáveis à tragédia do Golfo do México, não me parece crível que o meio ambiente em outro país seja mais valioso que o nosso”, acrescentou Sampaio. Os técnicos também seriam os responsáveis por propor um cronograma de ações de reparação, recuperação e indenização socioambientais.

Os custos do prejuízo seriam arcados pela Samarco e por suas acionistas Vale e BHP Billinton, sem distinção. “A responsabilidade é das três. A Vale, inclusive, depositava rejeitos na barragem, iniciativa que segundo os órgãos de fiscalização não era informada corretamente”, contou o procurador Jorge Munhós. Segundo a ação, as mineradoras depositariam os recursos em um fundo privado e não participariam da sua gestão. É pedido também um aporte inicial e imediato de R$ 7,7 bilhões para medidas as serem tomadas nos próximos 12 meses.

O Poder Público também é apontado como responsável solidário pelos danos e poderia ser acionado para arcar financeiramente com os prejuízos. O governo federal, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, e seus órgãos de fiscalização, aparecem na peça como réus. “É uma garantia para os atingidos de que efetivamente haverá a reparação. Um evento dessa magnitude evidencia que houve falha na fiscalização, na concessão das licenças ambientais e na vistoria das barragens”, aponta Munhós.

Medidas socioambientais

Além dos R$ 155 bilhões, a ação pede o pagamento de dano moral coletivo em quantia equivalente a 10% do valor da causa, pelos prejuízos causados à sociedade brasileira e à imagem do país perante o mundo. Outros 10% são solicitados como indenização pelo período que a população ficará impossibilitada de usufruir do meio ambiente, seja para pesca, para lazer ou para atividades econômicas como pecuária e agricultura.

Outras medidas socioambientais previstas são a recuperação de toda a mata ciliar da bacia do Rio Doce e de, no mínimo, 10 mil nascentes, além da estruturação do saneamento básico dos municípios afetados. Mesmo as cidades que não tinham nenhuma estrutura de saneamento antes da tragédia seriam beneficiadas. “Quando falamos de direito ambiental, nem tudo o que é danificado pode ser recomposto, e o que não pode ser reparado pode ser compensado de outras formas”, explica o procurador Eduardo Henrique Aguiar.

Também são requerida iniciativas voltadas para uma mineração mais sustentável. “O Brasil já detém técnicas de reaproveitamento dos rejeitos. Em vez de serem depositados em barragens, eles podem ser transformados em insumos da construção civil, como tijolos e argamassas, sendo assim reinseridos em outra cadeia produtiva. A legislação brasileira prevê essa medida, e já obriga, por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos”, segundo Aguiar. A ação pede ainda a construção de um memorial no distrito de Bento Rodrigues, onde ocorreu a tragédia, para que o episódio não seja esquecido.

O MPF também pede a suspensão da distribuição de lucros e dividendos da Samarco, Vale e BHP e da concessão de benefícios do Poder Público. “A legislação ambiental brasileira é categórica. Não pode haver nenhum benefício do Poder Público a empresas poluidoras. Isso vale para incentivos fiscais, abatimentos de juros, entre outros”, explica Aguiar.

Tramitação

Quando o governo federal e os governos de Minas Gerais do Espírito Santo assinaram o acordo de R$ 20 bilhões com a Samarco, a Vale e a BHP, os envolvidos na negociação destacaram que o maior benefício era poder dar início imediatamente aos trabalhos de recuperação ambiental. Segundo eles, se não houvesse conciliação, uma ação judicial poderia levar anos para ser julgada.

Os procuradores reconhecem que a tramitação da ação civil pública poderá ser lenta, mas defendem o caminho escolhido. “Esta ação é uma carta de garantia. Pode demorar cinco ou dez anos para transitar em julgado. A seguir o rito, pode levar até 15 anos. Mas é uma garantia para os atingidos de que o dano não deixará de ser integralmente reparado”, destaca Sampaio.

Segundo ele, não havia outro caminho, uma vez que as medidas negociadas entre os governos e as mineradoras se mostraram insuficientes. Sampaio aponta que o principal problema do acordo é que ele se apresenta como garantia máxima, quando deveria ser uma garantia mínima. “Ele se propõe a esgotar todas as demandas vinculadas com a questão ambiental, e nem sabemos ainda a extensão do dano”, critica. Outra divergência é sobre a forma de gestão dos recursos a serem empregados. Segundo o acordo, especialistas indicados pelas mineradoras integrariam uma fundação voltada para administrar os valores. Sampaio não concorda com essa influência direta das empresas.

Apesar do longo tempo previsto para tramitação da ação, há medidas que poderão ter início de imediato. Isso porque os procuradores incluíram no texto diversos pedidos de liminares. Eles solicitam, por exemplo, que seja dado prazo de 30 dias para as mineradoras conterem os vazamentos de rejeitos que seguem ocorrendo para a bacia do Rio Doce. Proibição de pesca, indenizações aos pescadores e às comunidades indígenas, fornecimento de água potável, início da recuperação das matas ciliares e nascentes também são objetos de pedidos de liminares.

Responsabilidades criminais

A investigação criminal é tema de outra frente e, segundo o MPF, também está em fase avançada. Segundo o procurador Eduardo de Olivera, já é possível fazer uma reconstrução histórica dos fatos. “Uma tragédia como essa nunca ocorre exatamente no dia em que ela acontece. É fruto de uma cadeia de eventos”, disse. Estão sendo investigados os crimes de homicídio, falsidade ideológica, poluição e inundação.

Procurada para comentar a ação impetrada pelo MPF, a Samarco informou que ainda não foi notificada. Até o fechamento da matéria, a Vale não havia dado retorno.

(Fonte Agência Brasil)

CPI do BNDES aprova convocação do amigo de Lula sobre empréstimo de R$ 1,2 bilhão

bumlai

Depois de uma longa controvérsia entre o governo e oposição, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES aprovou nesta quinta-feira (12) a convocação do pecuarista José Carlos Bumlai, suposto amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bumlai foi citado por delatores da Operação Lava Jato como tendo intermediado reuniões de Lula com empresários.

A convocação foi proposta por cinco parlamentares e defendida na reunião pelo deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA). No seu requerimento de convocação, Jordy citou notícia veiculada pela imprensa sobre um empréstimo supostamente irregular feito pelo BNDES a Bumlai para a construção da Usina São Fernando, no Mato Grosso do Sul. Essa usina estaria próxima da falência. A dívida de Bumlai com os bancos seria de R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 300 milhões seriam do BNDES e R$ 81 milhões do Banco do Brasil.

O PT tentou esvaziar a reunião para evitar a convocação, mas não conseguiu. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) argumentou que a CPI já havia solicitado documentos sobre os empréstimos e que seria melhor analisá-los antes de convocar Bumlai. O deputado Arnaldo Jordy discordou: “Uma coisa não contradita a outra. O fato de não termos analisado suficientemente a documentação não implica a impossibilidade de ele vir para esclarecer”, argumentou.

Além de Jordy, os deputados que pediram a convocação de Bumlai foram: Augusto Coutinho (SD-PE), João Gualberto (PSDB-BA), Miguel Haddad (PSDB-SP) e Sergio Vidigal (PDT-ES).

A CPI do BNDES também aprovou a convocação do ex-diretor da Petrobras Pedro Barusco e de diretores da Usiminas. Além disso, foram aprovados pedidos de cópias de contratos do BNDES com diversas empresas.

Durante os dois governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai  entrava sem bater no gabinete presidencial. Mesmo longe dos holofotes, o empresário e pecuarista gozava de um prestígio incomum até para alguns ministros da época.

Bumlai chegou a ser barrado no gabinete presidencial. Imediatamente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ordenou que fosse fixado na recepção um cartaz com a foto do amigo o aviso curto e grosso: “O sr. José Carlos Bumlai deverá ter prioridade de atendimento”. Oito anos depois de uma estreita relação com o ex-presidente, o nome de Bumlai entrava no olho do furacão das investigações da Operação Lava-Jato.

Em delação premiada, o lobista Fernando Baiano relatou um pedido de Bumlai para quitar o apartamento de uma nora do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Baiano teria relatado ainda a participação do pecuarista em negócios do Grupo Schahin com a Petrobras. Antes dele, outros dois réus já haviam citado Bumlai: o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o lobista Julio Camargo. Tanto Bumlai quanto o filho do ex-presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, negam. Ontem, Lulinha pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso à íntegra da delação.

A ligação entre Lula e Bumlai começou em 2002, quando o então candidato Lula enfrentava resistência de setores econômicos, entre eles o agropecuário. Para ajudar a reverter a rejeição, o governador do Mato Grosso do Sul e candidato à reeleição, Zeca do PT, fez questão de que Lula conhecesse Bumlai – “um dos maiores pecuaristas do Brasil” – como definiu. A empatia entre o candidato e o fazendeiro foi imediata.

Ainda naquela eleição, Lula passaria quatro dias na fazenda do empresário, nos arredores de Campo Grande, gravando programas eleitorais. Enquanto estiveram juntos, Lula e Bumlai estreitaram os laços entre churrascos e pescarias. Em 2009, a uma revista ligada ao agronegócio, o empresário disse que o encontro “foi um marco histórico”.

Aos 71 anos, Bumlai, que nasceu em Corumbá (MS), é considerado um dos mais bem-sucedidos empresários do setor pecuarista. Engenheiro civil de formação, atuou na área por 30 anos, e trabalhou no mercado de construção pesada. Foi diretor e conselheiro da Constran – a empresa pertence hoje a Ricardo Pessoa, coordenador do cartel das empreiteiras da Petrobras.

Assim que foi eleito, Lula trouxe Bumlai para mais perto. Em 2003, o ex-presidente o nomeou para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, grupo criado para aconselhá-lo. Bumlai permanece no grupo até hoje, agora, assessorando a presidente Dilma Rousseff. O acesso livre, formalizado após o episódio de 2008, também se estendia a compromissos no exterior. Bumlai era visto com frequência nas comitivas presidenciais a países africanos. Naquele ano, os dois foram juntos a Gana defender investimentos no país. Bumlai representa a Constran.

As investigações da Lava-Jato mostram que a proximidade entre os dois preocupava empresários. Em troca de e-mails anexados às investigações, Marcelo Odebrecht orienta Alexandrino Alencar, ex-diretor da Odebrecht solto nesta sexta-feira depois de quatro meses de prisão, a “não deixar o pecuarista solto” ao lado de Lula em viagem a Guiné.

Paralelamente ao convívio próximo ao ex-presidente Lula, Bumlai diversificou os investimentos. Em sociedade com o Grupo Bertin, de quem foi acionista antes da venda para a JBS, o empresário investiu em etanol. Comprou a Usina São Fernando, em Dourados, com recursos do BNDES. A operação foi aprovada em dezembro de 2008 durante a crise de crédito global, quando os bancos privados se recolheram e pararam de emprestar. Em 2013, a São Fernando acumulava uma dívida de R$ 1,2 bilhão. Desses, R$ 540 milhões eram devidas ao BNDES e ao Banco do Brasil.

Bumlai também investiu diretamente em negócios com a Petrobras. Ele foi sócio da Immbrax, fornecedora da Petrobras e de empreiteiras flagradas no esquema de corrupção. Entre 2010 e 2011, a Immbrax faturou R$ 2,5 milhões em vendas à estatal, por meio de contratos firmados com dispensa de licitação ou na modalidade de convite.

O pecuarista foi citado pela primeira vez na Lava-Jato por Costa. Ao admitir ter recebido propina para “não atrapalhar” a compra de Pasadena, o delator relatou a ligação dele com Baiano. Os investigadores, agora, querem saber sobre a participação do empresário na intermediação de propina com o grupo Schahin para a compra de sondas. Em troca, os investigadores suspeitam que ele teria uma dívida “perdoada” junto ao banco pertencente ao grupo.

O inquérito corre em sigilo em Curitiba. Durante as negociações para um acordo de delação, o ex-diretor Nestor Cerveró teria confirmado informalmente a história. Agora, os investigadores querem saber se o livre acesso ao gabinete do ex-presidente Lula se estendeu a outros setores da administração pública

(Câmara)

 

Auditoria do CGU em pagamento de servidores federais gera economia de R$ 1,2 bilhão

A Controladoria-Geral da União (CGU) conseguiu gerar uma economia de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos com a suspensão ou correção de pagamentos indevidos feitos pela União. Uma auditoria na folha de pagamentos de servidores civis ativos da União, aposentados e beneficiários de pensão verificou a existência de mais de 330 mil inconsistências, entre os anos de 2010 e 2014.

A despesa com pagamento de pessoal é o segundo maior gasto do governo federal, atrás da Previdência Social, e corresponde a cerca de R$ 129 bilhões anuais.

Foram auditados 259 órgãos que constam no Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape), responsável pelo lançamento no sistema, e no Ministério do Planejamento, responsável pela manutenção dos dados. Do total, 243 órgãos apresentaram inconsistências.

Segundo a CGU, 102 órgãos apresentaram justificativas e correções para todas as pendências, 129 ainda estão com 5% ou menos de inconsistências pendentes de manifestação e 12 órgãos têm mais de 5% de irregularidades sem atendimento. “O Instituto Nacional do Seguro Social foi o destaque positivo, com mais de 8 mil providências adotadas e R$ 16 milhões de devoluções ao Erário”, informou a CGU.

No Relatório de Avaliação por Área de Gestão nº2, o órgão recomenda a necessidade de ações de controle contínuas para acompanhamento das inconsistências com pagamento de servidores. “Algumas providências de regularização e aprimoramento dos mecanismos de controle já foram adotadas ou estão em curso, como a aplicação de rotinas de inteligência, criação de novo sistema de gestão de pessoas mais seguro, cruzamentos com outras bases de dados, assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica com a Receita Federal, criação do Módulo Afastamento do Siape, entre outros.”

O secretário nacional de Controle Interno, Francisco Bessa, explica que o conjunto de inconsistências encontrado resulta da aplicação do que é chamado pela CGU de trilhas de auditoria, que são hipóteses testadas nas folhas de pagamento em relação a uma rubrica de pagamento que em tese não deveria ser paga. Como exemplo, ele cita uma servidora solteira, com cargo público permanente, que também recebe a pensão deixada pelo pai. “O pagamento dessa pensão não seria mais devido, então quando rodamos essa trilha de auditoria, temos como resultado esse caso”, explicou.

Bessa conta que para realizar esse trabalho, foram rodadas nos sistemas 72 trilhas diferentes, ou seja, 72 hipóteses diferentes de pagamentos potencialmente indevidos.

O secretário explicou ainda que parte do que foi indevidamente pago chegou a ser devolvido (R$ 32 milhões), mas como boa parte dos casos os servidores receberam de boa fé, não se tratou de fraude, o entendimento da legislação é de que eles não são passíveis de tomada de conta. “Por isso a conta que fizemos foi a da economia da data de identificação da inconsistência até a cessão do pagamento”.

A natureza preventiva e continuada desse trabalho é destacada por Bessa. Segundo ele, o objetivo é a prevenção. “Não é um trabalho que pretendia identificar fraudes, mas fazer correções. E continuamos aplicando as trilhas, hoje de forma mais eficaz, em um sistema em tempo real, acessado diretamente pela unidade pagadora para promover a correção ou justificar à controladoria o motivo do pagamento”.

 

 

 

(Fonte Agência Brasil)

Entradas de dólares no Brasil superaram saídas em US$ 1,2 bilhão

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As entradas de dólares no país superaram as saídas em US$ 1,215 bilhão, neste mês, até o dia 22, de acordo com dados do Banco Central (BC), divulgados às quartas-feiras.

No período, somente o segmento financeiro (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos) registrou saldo positivo (US$ 2,242 bilhões). O fluxo comercial (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações) ficou negativo em US$ 1,027 bilhão.

De janeiro a 22 de agosto, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 3,570 bilhões. O saldo do fluxo financeiro ficou positivo em US$ 90 milhões e o comercial, em US$ 3,480 bilhões.

 

(Agência Brasil)

Contrato para construção do Veículo Leve sobre Trilhos é firmado e terá investimento de R$ 1,2 bilhão

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Segundo a Subsecretaria de Comunicação Social do Estado do Rio, o contrato para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no Rio de Janeiro foi assinado na última sexta-feira (14/06). O projeto conta com investimentos de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 500 milhões do Governo Federal através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade. As obras devem ser iniciadas no segundo semestre deste ano. Participaram da solenidade a presidenta da República, Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral, o vice-governador e coordenador de Infraestrutura, Luiz Fernando Pezão, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

– O desafio do PAC era voltar a investir nos lugares mais pobres. Fico entusiasmada de estar aqui aprovando o sistema do VLT. Ele ressuscita o Centro para a população da cidade. E ele precisa integrar todos os modais de transportes, que trazem as pessoas para desfrutar deste Centro – afirmou a presidenta Dilma Rousseff.

Durante o evento, que aconteceu no Porto Maravilha, o governador destacou o investimento que está sendo realizado pelos governos federal e estadual na capital.

– O Porto Maravilha é uma recuperação da memória. É a memória com a modernidade. É tudo que nós sempre sonhamos. O Governo do Estado do Rio e o Governo Federal vão continuar investindo. O estado cresce com a capital como o destaque – disse Cabral. 

O projeto da Prefeitura será executado através de  parceria público-privada (PPP) e o Consórcio VLT Carioca, vencedor da licitação, fará as obras de implantação, compra dos trens e sistemas, operação e manutenção por 25 anos. O sistema vai ligar a Região Portuária ao centro financeiro da cidade e ao Aeroporto Santos Dumont.

– Na área de mobilidade urbana, temos hoje R$ 60 bilhões disponíveis para todo o país através do PAC da Mobilidade. Estamos firmando hoje, aqui no Rio de Janeiro, a primeira parceria público-privada de mobilidade urbana do país – ressaltou o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro.

O VLT do Rio contará com seis linhas e 42 estações em 28 quilômetros de vias. Com todas as linhas em operação, a capacidade do VLT chegará a 285 mil passageiros por dia. Cada carro transportará 415 passageiros e os intervalos de circulação poderão variar entre 3 e 15 minutos de acordo com a linha e horário.

A construção será dividida em duas etapas. A primeira inclui a implantação do trecho Vila de Mídia – Santo Cristo – Praça Mauá – Cinelândia. De acordo com o planejamento, ele estará pronto no segundo semestre de 2015. Na segunda etapa estão os trechos Central – Barcas; Santo Cristo – América – Central – Candelária; América – Vila de Mídia; e Barcas – Santos Dumont, com previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2016.

– As obras na Zona Portuária são uma marca do Rio, que reencontra a sua história. Com os investimentos em BRTs (Bus Rapid Transit), metrôs e trens, vamos passar a atender mais de 60% das pessoas em transportes de alta capacidade – disse Eduardo Paes.