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Rio retoma aplicação da primeira dose contra covid-19


A cidade do Rio de Janeiro irá retomar na quarta-feira (28) a vacinação contra a covid-19, conforme anunciou na tarde de hoje (26), pelo Twitter, o prefeito Eduardo Paes. A expectativa da prefeitura é que todos os cariocas acima de 18 anos sejam vacinados nas próximas três semanas. A aplicação da primeira dose da vacina está suspensa desde sexta-feira (23), por falta de estoques do imunizante.

“Na quarta retomamos a vacinação e vamos manter as idades previstas para essa semana. Se não houver mais falhas na entrega, nas próximas três semanas teremos todos – TODOS – os cariocas acima de 18 anos devidamente imunizados com a primeira dose! Bora distribuir acelerado!”, diz Paes. A expectativa era que a vacinação fosse retomada nesta quinta (29), mas o prefeito anunciou que isso será possível já na quarta-feira.

Segundo calendário publicado na rede social, na quarta serão imunizados, pela manhã mulheres e, à tarde, homens, de 34 anos. Na quinta (29), mulheres de 33 anos e, à tarde, repescagem para aqueles com 34 anos ou mais. Na sexta (30), homens com 33 anos e à tarde, repescagem para aqueles com 33 anos ou mais. No sábado (31), a imunização segue para aqueles com 33 anos ou mais.

A retomada do calendário de vacinação será possível porque o Ministério da Saúde comprometeu-se a enviar novos lotes de vacina a partir desta segunda-feira. Também pelo Twitter, a pasta informou que enviará 10,2 milhões de doses do imunizante para todos os estados e para o Distrito Federal.

Paes ressalta ainda que apesar da suspensão da primeira dose, a segunda dose foi aplicada hoje e será efetuada também normalmente amanhã (27) no Rio.

Revisão de benefícios do INSS começa em agosto


Cerca de 170 mil segurados da Previdência Social que recebem benefícios por incapacidade temporária – o antigo auxílio-doença – devem ficar atentos para agendar nova perícia médica. Os prazos para fazer o agendamento começam a expirar em agosto. Quem não tomar a providência corre o risco de ter o pagamento suspenso.

Desde 30 de junho, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começou a enviar cartas para segurados que não realizam perícia médica há mais de seis meses. Quem recebe a convocação tem 30 dias, a contar da data de recebimento notificada pelos Correios, para agendar o procedimento.

O INSS poderá também convocar as revisões utilizando a rede bancária, considerando o órgão pagador do benefício, quando esse tipo de notificação for disponível. Estão previstas ainda as convocações por meio eletrônico ou edital em Diário Oficial.

A revisão em benefícios por incapacidade temporária segue até dezembro, quando todas as convocações já devem ter sido expedidas. As revisões serão realizadas por peritos médicos federais em horários extraordinários.

Segundo o INSS, das 724 agências da Previdência que possuem serviço de perícia médica 619 estão funcionando e 2.549 peritos médicos estão com as agendas abertas para atendimento. O tempo médio entre o agendamento e a realização da perícia médica está em 39 dias.

Revisão administrativa

Em outra frente, o INSS leva adiante também as revisões administrativas de benefícios, que são feitas com regularidade. Na atual etapa, a previsão é que 1,7 milhão de segurados recebam a convocação para regularizar alguma pendência de documentação identificada pelo INSS.

Desde setembro do ano passado, foram enviadas 732.586 cartas para revisão administrativa de benefícios com pendências documentais identificadas pelo INSS.

Quem recebe o aviso de revisão administrativa tem o prazo de 60 dias para regularizar a documentação solicitada e manter o pagamento regular do benefício. O INSS incentiva que o envio de documentos seja realizado por meio do Meu INSS (site ou aplicativo), no campo Atualização de Dados de Benefício.

É possível fazer a regularização também presencialmente. Para isso, o segurado deve ligar para o telefone 135 e escolher a opção Entrega de Documentos por Convocação e agendar atendimento na agência do INSS mais próxima de sua residência.

O INSS alerta que, em qualquer caso, as convocações são feitas somente pelos Correios, motivo pelo qual o segurado deve sempre manter seu endereço atualizado junto à Previdência Social.

Bolsonaro veta projeto que obriga cobertura de tratamento de câncer

O presidente Jair Bolsonaro vetou o projeto de lei que torna obrigatória a cobertura pelos planos privados de saúde de tratamentos domiciliares de uso oral contra o câncer, inclusive de medicamentos para o controle de efeitos adversos relacionados ao tratamento.

O texto, aprovado pelo legislativo, trata dos antineoplásicos, medicamentos utilizados para destruir neoplasmas (massa anormal de tecido) ou células malignas, como câncer. Esses remédios são usados para evitar ou inibir o crescimento e a disseminação de tumores.

De acordo com a Subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, após manifestações técnicas do ministérios competentes, o projeto foi vetado por razões jurídicas.

“Embora a boa intenção do legislador, a medida, ao incorporar esses novos medicamentos de forma automática, sem a devida avaliação técnica da Agência Nacional de Saúde para a incorporação de medicamentos e procedimentos ao rol de procedimentos e eventos em saúde, contrariaria o interesse público por deixar de levar em conta aspectos como a previsibilidade, transparência e segurança jurídica aos atores do mercado e toda a sociedade civil”, justifica o órgão.

Além disso, o órgão justificou que o alto custo dos antineoplásicos orais e a imprevisibilidade de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) poderia comprometer a sustentabilidade dos planos privados.

“O qual teria como consequência o inevitável repasse desses custos adicionais aos consumidores, de modo a encarecer, ainda mais, os planos de saúde, além de trazer riscos à manutenção da cobertura privada aos atuais beneficiários, particularmente os mais pobres”, completou a subchefia.

Prefeitura do Rio cria comitê de enfrentamento à violência política contra a mulher

A prefeitura do Rio lançou hoje (24) o Comitê Marielle Franco de Proteção e Enfrentamento à Violência Política Contra as Mulheres. O projeto conta com a participação de 13 instituições, entre elas a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, casa que Marielle integrava como parlamentar quando foi assassinada em 14 de março de 2018. A finalidade do comitê é combater o racismo e conscientizar a população sobre o papel transformador das mulheres negras na sociedade.

De acordo com a secretária especial de Políticas e Promoção da Mulher, Joyce Trindade, a criação do comitê quer provocar mudanças para o futuro e fazer da cidade uma referência na igualdade de gênero.

“A participação dos corpos e mentes das mulheres cariocas na construção das políticas públicas da cidade ainda é muito baixa, e reivindicar esses espaços de decisão, dando visibilidade às informações da violência que vitimam essas mulheres é o nosso objetivo, para fazer da cidade do Rio de Janeiro uma referência na igualdade de gênero e liderança feminina em todos os espaços”, explicou.

A vereadora Monica Benício (Psol), companheira de Marielle Franco na época em que ela foi assassinada, disse que a criação do comitê é carregada de simbolismo e resistência.

“Precisamos garantir que esse comitê e a Secretaria Especial da Mulher possam funcionar de forma íntegra e, para isso, precisamos de financiamento. É muito importante que as mulheres sigam na luta conquistando, resistindo e lutando, por Marielle e pelos direitos de todas nós”, avaliou.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara do Rio, Teresa Bergher (Cidadania), disse que as mulheres representam 54% da população da capital fluminense – 46% delas são negras.

“Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a representação feminina está em torno de 20% dos vereadores. É muito pouco, mas estamos avançando. A mulher tem que ter muito mais espaço e a Câmara Municipal precisa apoiar iniciativas femininas, como a criação deste comitê. Marielle Franco representou muito bem tanto a defesa das mulheres como a dos direitos humanos, dedicando sua curta vida às causas que têm que ser defendidas por toda a sociedade”, afirmou.

O evento ocorreu no Palácio da Cidade, sede da prefeitura do Rio, e faz parte da agenda Mês das Pretas, em comemoração ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado amanhã (25).

Fonte Agencia Brasil

Justiça determina a liberação da Cidade do Samba

A Justiça decidiu desinterditar a Cidade do Samba, na Gamboa, na zona portuária do Rio, onde são confeccionados os carros alegóricos e fantasias das escolas da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

A Cidade do Samba estava interditada desde 11 de janeiro, a pedido do Ministério Público, para que as instalações fossem reestruturadas para reduzir os riscos de incêndio.

A decisão é de desinterditar o local é da presidente da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargadora Helda Lima Meireles, que acolheu requerimento da Liesa, que firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Corpo de Bombeiros e a Riotur.

“Considerando-se as razões lançadas pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, em especial a celebração de Termo de Ajustamento de Conduta entre o Corpo de Bombeiros e a Riotur, ainda que na esfera extrajudicial, sendo que aquele sequer figura como parte na ação civil pública originária. Defiro a desnecessidade de homologação judicial do TAC acima mencionado e os evidentes prejuízos suportados em razão da manutenção da interdição na Cidade do Samba”, decidiu a desembargadora.

STF mantém condenação de Wilson Witzel

O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou um novo recurso do ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), condenado por crime de responsabilidade no julgamento do impeachment, na gestão de contratos na área de saúde do estado.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, considerou que não existe violação às decisões do STF apontadas por Witzel, que alegava ter sido julgado por um tribunal de exceção.

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Segundo o ex-chefe do executivo fluminense, o Supremo “nunca apreciou a não recepção do artigo da Lei do Impeachment por incompatibilidade com o Inciso 37º do Artigo 5º da Constituição Federal, que veda a criação de tribunais de exceção”.

Na visão do ministro, em respeito ao processo legal e ao princípio do juízo natural, o STF já declarou expressamente a recepção da norma referente à formação do tribunal para o julgamento de governadores. Alexandre de Moraes ainda descartou qualquer violação aos princípios da impessoalidade ou imparcialidade.

“Não há, portanto, qualquer violação aos princípios da impessoalidade ou imparcialidade, mesmo porque, a participação de parlamentares é condição indissociável ao procedimento investigativo de crime de responsabilidade, diante de sua natureza política”, disse.

Com isso, o ex-governador fica inelegível por cinco anos e continua como réu em um processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ

Rio de Janeiro pretende vacinar adolescentes a partir de agosto

Adolescentes a partir dos 17 anos serão imunizados contra a covid-19 ainda em agosto no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 15, pelo prefeito, Eduardo Paes, e o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. Também está sendo estudado o reforço na vacinação para idosos, com uma terceira dose, a partir de outubro.

As informações foram divulgadas durante transmissão pela internet, quando foram anunciados os novos calendários de vacinação. Com a previsão de aumento da entrega de doses pelo Ministério da Saúde em agosto, segundo a prefeitura, o município vai avançar na vacinação e até o dia 18 daquele mês toda a população adulta terá recebido pelo menos a primeira dose.

A partir de segunda-feira, 19, serão vacinadas mulheres com 36 anos, com as idades diminuindo sucessivamente, até o dia 18 de agosto, quando estarão sendo vacinadas pessoas com 18 anos.

De acordo com nota divulgada pela prefeitura, os adolescentes de 17 a 12 anos começam a ser vacinados no dia 23 de agosto e vão até 10 de setembro, seguindo o mesmo escalonamento etário que vem sendo adotado nos calendários da cidade, dos mais velhos para os mais novos. Em novembro, a expectativa do município é que toda a população elegível para a vacinação tenha tomado também a segunda dose.

Dose de reforço

Com o avanço da vacinação, em outubro a prefeitura pretende possibilitar a oferta de dose de reforço para os mais idosos. Primeiro para aqueles de 80 anos ou mais. Em novembro para os que estão na faixa dos 70 anos e, em dezembro, para os de 60 para cima. Porém, segundo a assessoria da prefeitura, a possível aplicação da dose de reforço depende do que for recomendado pelos estudos científicos.

Estado do Rio de Janeiro registra sete casos da variante Delta de covid-19

O Estado do Rio de Janeiro registra sete casos da variante Delta de covid-19. A informação sobre a nova cepa do vírus – mais contagiosa que as anteriores – foi divulgada na noite desta sexta-feira (16) pela prefeitura. Os novos casos se somam a outros identificados anteriormente .

“A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro identificou mais quatro casos na cidade de síndrome gripal por covid-19 relacionado à variante Delta (B.1 617.2), após sequenciamento genômico. Além dos três casos divulgados anteriormente, foram notificados mais um homem de 25 anos, morador de Manguinhos, e outras três mulheres de 29, 65 e 47 anos, residentes de Campo Grande, Bangu e Santíssimo. Todos já estão curados”, informou a prefeitura.

Segundo a nota, os três casos anteriormente identificados são de homens de 27 e 30 anos, residentes dos bairros de Olaria e Paquetá, e uma mulher de 72 anos, de Campo Grande. Ao todo, 23 contactantes dos sete casos estão sendo monitorados pela Vigilância em Saúde da secretaria, que também segue fazendo o acompanhamento epidemiológico da pandemia na cidade e, em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o monitoramento da entrada de diferentes cepas.

A variante Delta preocupa as autoridades sanitárias porque é considerada muito mais transmissível que as anteriores. Além disso, o percentual de pessoas vacinadas com a segunda dose da vacina ainda é baixo no Brasil, sendo pouco superior a 15%. Nos países onde a variante Delta já chegou, como Estados Unidos e Inglaterra, ela se tornou predominante, fazendo disparar o número de novos casos.

Bolsonaro continua internado


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), após avaliações clínicas, laboratoriais e de imagem, permanecerá internado e receberá um tratamento clínico conservador, tendo sido afastada a necessidade de uma cirurgia neste primeiro momento, segundo informações do boletim médico divulgado pelo Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, em que ele está internado desde a noite desta quarta-feira (14).

“O Senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, foi transferido na noite desta quarta-feira para o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após passar por uma avaliação no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, e ser diagnosticado com um quadro de suboclusão intestinal. Após avaliações clínica, laboratoriais e de imagem realizadas, o Presidente permanecerá internado inicialmente em tratamento clínico conservador”, diz o texto divulgado pelo hospital.

O presidente enfrenta um quadro de obstrução intestinal e foi transferido de Brasília para São Paulo para a realização de exames e avaliação da necessidade de uma cirurgia de emergência, que foi descartada.

Bolsonaro chegou a São Paulo às 18h54 desta quarta-feira (14), num avião da Força Aérea Brasileira (FAB), no Aeroporto de Congonhas e foi de ambulância para o hospital .

Nºde mortos pela polícia no Brasil em 2020 bate recorde

O Brasil teve em 2020 o maior número de pessoas mortas pela polícia de toda a série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que coleta os dados desde 2013. É o que revela o 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (15).

Houve, no país, 6.416 mortos pelas polícias Civil e Militar, por agentes de folga ou em serviço. Um ligeiro aumento de 1% na comparação com 2019.

O dado é referente aos 26 estados e ao Distrito Federal. E, por isso, difere do divulgado pelo Monitor da Violência em abril, já que Goiás não informou os dados para aquele levantamento e agora aparece com a segunda maior taxa de letalidade do Brasil e com 10% de todas as mortes registradas .

Comparando com 2013, ano em que os números passaram a ser coletados, o crescimento nas mortes chega a 190%. De acordo com o Anuário, porém, é preciso levar em conta a melhoria da informação e da transparência a partir da cobrança da sociedade civil nestes anos todos. “Ainda assim, não deixa de chamar a atenção o crescimento das mortes por intervenções policiais em um ano marcado pela pandemia, pela reduzida circulação de pessoas, pela redução expressiva de todos os crimes contra o patrimônio e pela queda expressiva nas mortes por intervenções policiais no Rio de Janeiro”, afirmam os pesquisadores Samira Bueno, David Marques e Dennis Pacheco.

Como antecipado pelo Monitor da Violência, o Rio de Janeiro teve a maior queda no número absoluto de mortes: de 1.814 vítimas, em 2019, para 1.245, no ano passado. Uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender operações durante a pandemia da Covid-19 foi crucial para isso. Os dados mostram que a queda no registro de vítimas coincide exatamente com a decisão do STF, no dia 5 de junho.

Já o Amapá teve a maior taxa de letalidade policial: 13 mortos a cada 100 mil.

“As mortes decorrentes de intervenção policial registradas ocorreram, majoritariamente, em serviço e com participação de policiais militares. Estes foram os autores de 76% das mortes”, afirma o Anuário.

“Se é fato que a essência do mandato policial reside na possibilidade de uso da força, inclusive a letal quando necessário, isto não deve ser visto como um cheque em branco ou de total discricionariedade aos agentes policiais. Neste sentido, assim como não é correto afirmar que toda ação policial que resultou em morte é ilegal ou ilegítima, tampouco é prudente afirmar que todas as ações foram legais sem que tenham sido devidamente apuradas”, dizem os pesquisadores do Fórum.

Como alguns pesquisadores avaliam a proporção de mortes por policiais sobre o total de homicídios para verificar se há um indicativo de uso desproporcional da força, três estados chamam a atenção: Amapá, Goiás e Rio de Janeiro. Nos três, o percentual de óbitos pela polícia é maior que 25% em relação ao total de mortes violentas, enquanto que, na média do país, esse percentual fica em 12,8%. Estudos sugerem que essa porcentagem não passe de 10%.
Concentração de mortes

De acordo com o Anuário, 50 cidades concentram mais da metade (55%) de todas as mortes cometidas por policiais no ano de 2020.

Elas estão distribuídas em 16 unidades da federação (AC, AL, AM, AP, BA, CE, GO, MA, MT, PA, PI, PR, RJ, RN, SE e SP), incluindo suas 16 capitais. O estado do Rio de Janeiro se destaca com 15 municípios na lista. São Paulo e Bahia possuem 7 municípios cada um. O Pará tem 5 municípios na relação.

“Tomado em conjunto, este grupo de 50 municípios possui uma taxa de mortes decorrentes de intervenção policial de 5,9 a cada 100 mil habitantes, praticamente o dobro da taxa nacional”, afirma o Anuário.
Perfil das vítimas

A maioria das vítimas da letalidade policial é formada por homens, padrão que se repete historicamente. “Chama a atenção, contudo, que o percentual de mulheres entre as vítimas dobrou, saltando de 0,8% (2019) para 1,6% (2020).”

Além disso, 78,9% das vítimas são negras, percentual semelhante ao de outros anos. “A estabilidade da desigualdade racial inerente à letalidade policial ao longo das últimas décadas retrata de modo bastante expressivo o déficit de direitos fundamentais a que está sujeita a população negra no país”, diz o Anuário.

“Essa concentração de vítimas negras é em muito superior à composição racial da população brasileira, o que demonstra uma sobrerrepresentação de negros entre as vítimas da letalidade policial. Enquanto quase 79% das vítimas de MDIP são negras, a os negros correspondem a 56,3% do total da população brasileira. Desigualdades semelhantes são verificadas nas mortes violentas intencionais em geral e no perfil da população prisional do país. Somados estes indicadores, fica evidente que a segurança pública é um dos campos fundamentais de atuação – social e estatal – para que sejam corrigidas as desigualdades raciais que mais vulnerabilizam os negros no Brasil.”

Com relação à idade, 76% das vítimas têm entre 0 e 29 anos, com maior prevalência entre os jovens de 18 a 24 anos (44,5%). “O acesso a direitos civis, os mais fundamentais, é tão regulado por marcadores sociais da diferença (raça, classe, gênero, sexualidade, idade, deficiência), que tais representações sociais legitimam mortes, majoritariamente de jovens negros e pobres como se não houvesse direito a não discriminação, à vida e à integridade física no país. Existe reconhecimento formal dos direitos civis, políticos e sociais destes grupos na letra da lei, mas o abismo entre a formalidade legal expressa no papel e a efetivação real de tais direitos permanece imenso”, pontuam os pesquisadores no Anuário.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“É possível construir estratégias de controle da atuação policial que permitam o enfrentamento de abusos e arbitrariedades ao mesmo tempo em que contribuam com a melhoria dos indicadores de violência focalizando tais concentrações.”
Perfil das polícias

Neste ano, o Anuário fez um mapeamento das polícias no Brasil. E aplicou um questionário aos policiais, perguntando, por exemplo, sobre a opinião acerca da posse e do porte de armas (10% são a favor da liberação ampla, 16% defendem a proibição total e 74% pregam o uso civil, mas com diferentes níveis de restrição).

Mais de 80% relataram ter colegas de trabalho, familiares ou amigos mortos pela Covid e 42,5% afirmaram ter “muito medo” de pegar a doença. Outros 42,5% disseram ter um pouco de medo. Mais de 70% disseram não ter recebido treinamento para lidar com o novo coronavírus. E a ampla maioria afirmou ter intenção de se vacinar.

O Brasil tem hoje mais de 406 mil PMs, 55 mil bombeiros e 93 mil policiais civis. São ainda 12 mil peritos técnicos e 96 mil policiais penais.

De acordo com os dados, para cada sargento, posto que tem função de supervisão e fiscalização, existem 2,3 cabos e soldados, postos operacionais, no Brasil. Em Tocantins, Acre, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Amazonas, porém, existem mais sargentos do que soldados e cabos; ou seja, mais chefes do que chefiados. Em vários outros estados, essa proporção é de 1. “Embora não exista um parâmetro definido nacionalmente para as carreiras policiais, parece óbvio que, no serviço público ou privado, não faz sentido você ter, por exemplo, um gerente para cada vendedor. Mas a ausência de planos de carreira dentro das instituições policiais e a falta de incentivos para a carreira de praças acabou implicando em soluções de curto prazo que acabam por gerar distorções, como progressão automática por tempo de serviço. Compromete-se o planejamento e a estimação de quantitativos para novos concursos e as polícias ficam engessadas por uma estrutura das Forças Armadas. Mesmo que essas polícias sejam militares, não faz sentido no dia a dia do ser e fazer polícia. É preciso rever as estruturas e, mais, se pensar que planos de carreiras não são sinônimo de postos e patentes”, afirma o Anuário.
Monitor da Violência

Sem contar com os dados de Goiás, que representam 10% do total de mortes no ano passado, o Monitor da Violência divulgou em abril que houve uma ligeira queda nas mortes pela polícia, considerando os outros 25 estados e o DF.

Com a divulgação agora, os números do estado do Centro-Oeste fizeram o índice nacional subir e ainda bater um recorde. Alguns estados também retificaram o dado passado ao Monitor da Violência, informando números maiores.

Goiás não passou os dados para o balanço do Monitor da Violência pela 4ª vez consecutiva, apesar da informação ser considerada pública.

A sonegação sistemática dos dados fez, inclusive, o Ministério Público instaurar um inquérito civil público para investigar o motivo.

Para Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum, causa estranheza o fato de Goiás continuar a ser o único estado a não informar os dados ao Monitor da Violência e divulgar apenas agora, ao Anuário, os indicadores. “O crescimento da letalidade policial no estado preocupa. E, associado à falta de transparência por parte do governo nas divulgações de dados, torna a necessidade de uma prestação de contas ainda mais urgente.”