
Os Médicos do estado do Rio de Janeiro farão uma assembleia hoje (10) para decidir sobre a suspensão do atendimento a pacientes de planos de saúde.Os Médicos dos estados do Acre,da Bahia,do Maranhão,de Mato Grosso do Sul,de Minas Gerais,do Pará,do Piauí, do Rio Grande do Norte,de São Paulo e de Sergipe já suspenderam a partir de hoje (10) o atendimento a pacientes de planos de saúde. A paralisação, em alguns casos, pode durar até 15 dias.
Esta é a quarta suspensão anunciada pela categoria em dois anos. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), durante o período, não serão realizadas consultas e cirurgias eletivas. Segundo o conselho, os pacientes foram informados previamente sobre a paralisação e terão que remarcar o atendimento. Serviços de urgência e emergência não serão afetados pelo movimento.
O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso, afirma que a saúde suplementar brasileira vive hoje um momento de falta de credibilidade. Cita recente pesquisa Datafolha/APM, em que 15% dos entrevistados (1,5 milhão de pessoas) afirmam ter recorrido ao Sistema Único de Saúde (SUS) em média 2,6 vezes e 9% (950 mil usuários) ao atendimento particular em média duas vezes, nos últimos 24 meses. “Há grande insatisfação de pacientes usuários do sistema, assim como de médicos prestadores dos serviços, conforme revelam inúmeras pesquisas de opinião e as reclamações de usuários nos órgãos de defesa do consumidor. Não é possível manter qualidade nos serviços com o atual aviltamento dos honorários médicos pagos”.
Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), apresenta dados de balanço das queixas recebidas nos 15 primeiros dias de funcionamento do SOS Pacientes Planos de Saúde APM/PROTESTE (0800-200-4200), para reforçar a tese do atual desequilíbrio do setor. “Recebemos mais de 420 queixas relativas principalmente à demora no atendimento e negativas dos planos, confirmando o cenário apresentado na Pesquisa APM/Datafolha com os usuários”.
“O movimento médico brasileiro tem buscado incessantemente o diálogo com as empresas da área de saúde suplementar, mas os avanços ainda são insatisfatórios. O que está em jogo é o exercício profissional de 170 mil médicos e a assistência a quase 48 milhões de pacientes”, completa Aloísio Tibiriça, 2º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) e coordenador da Comissão Nacional de Saúde Suplementar (COMSU).
Reivindicações –Além de reajuste nos honorários, os médicos pedem o fim da interferência antiética das operadoras na relação médico-paciente. Também reivindicam a inserção, nos contratos, de índices e periodicidade de reajustes – por meio da negociação coletiva pelas entidades médicas – e a fixação de outros critérios de contratualização.
De acordo com as lideranças do movimento, os pacientes não serão prejudicados com a mobilização dos médicos. As consultas serão remarcadas posteriormente e não haverá paralisação nos atendimentos de casos de emergência.
“As reivindicações da categoria são essenciais. Entendemos que, sem uma pressão mais efetiva sobre os planos de saúde, eles dificilmente sentarão para negociar. Desta forma, uma mobilização por mais dias demonstra que, daqui para frente, os médicos tomarão medidas cada vez mais duras para uma melhor relação com o paciente”, avalia Geraldo Ferreira, presidente da Federação Nacional dos Médicos (FENAM).
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que, entre 2003 e 2011, a receita das operadoras cresceu 192%, enquanto o valor médio pago por consulta aumentou 65%. Cálculos da própria categoria, entretanto, indicam que houve reajuste de 50%.
|
Calendário de paralisações
|
|
Estado
|
Planos
|
Período de suspensão do atendimento
|
| Acre |
Todas as operadoras |
10 a 17 de outubro
|
| Alagoas |
Não haverá suspensão de atendimento |
—
|
| Amapá |
Não haverá suspensão de atendimento |
—
|
| Amazonas |
Todas as operadoras |
15 de outubro
|
| Bahia |
Hapvida, Amil/Medial, SulAmérica, Cassi, Petrobrás, Geap, e Golden Cross |
10 a 19 de outubro
|
| Ceará |
Todas as operadoras |
18 de outubro
|
| Distrito Federal |
Não haverá suspensão de atendimento |
—
|
| Espírito Santo |
Assembleia prevista para 15/10 |
|
| Goiás |
Amil, Cassi, Capesesp, Fassincra, Geap, Imas e Promed |
17 a 19 de outubro
|
| Maranhão |
Unimed, Unihosp, Hapvida, Conmed, Saúde Bradesco, Multiclinica e Geap |
10 a 24 de outubro
|
| Mato Grosso |
Grupo Unidas |
11 de outubro
|
| Mato Grosso do Sul |
Todas as operadoras |
10 a 17 de outubro
|
| Minas Gerais |
Todas as operadoras |
10 a 18 de outubro
|
| Pará |
Todas as operadoras (apenas pediatras) |
10 a 25 de outubro
|
| Paraíba |
Assembleia prevista para 10/10 |
|
| Paraná |
Não haverá suspensão de atendimento |
—
|
| Pernambuco |
Saúde Bradesco, SulAmérica, Itaú Unibanco, Allianz, AGF, AIG e Hapvida |
16 a 19 de outubro
|
| Piauí |
Todas as operadoras |
10 a 14 de outubro
|
| Rio de Janeiro |
Assembleia prevista para 10/10 |
|
| Rio Grande do Norte |
Todas as operadoras |
10 de outubro
|
| Rio Grande do Sul |
Cabergs, Saúde Caixa, Geap, Centro Clínico Gaúcho, DoctorClin e SulAmérica |
15 a 17 de outubro
|
| Rondônia |
Todas as operadoras |
15 a 17 de outubro
|
| Roraima |
Não haverá suspensão de atendimento |
—
|
| Santa Catarina |
Agemed, planos de saúde regionais e todos os planos do grupo Unidas |
15 a 19 de outubro
|
| São Paulo |
Golden Cross, Green Line, Intermédica, Itálica, Metrópole, Prevent Sênior, Santa Amália, São Cristóvão, Seisa, Tempo Assist (Gama Saúde e Unibanco), Trasmontano e Universal |
10 a 18 de outubro
|
| Sergipe |
Plamed, Hapvida, Geap e seguradoras de saúde |
10 a 25 de outubro
|
| Tocantins |
Fassinca, CapSaúde, Assefaz, Conab, Cassi, Caixa, Correios, Geap, Amil e Bradesco Saúde |
15 a 25 de outubro
|
Leia a carta do protesto

Fonte Agência Brasil ,Conselho Federal de Medicina