Casal é preso por desviar dinheiro de campanha de filho doente


Um casal foi preso em Joinville, Santa Catarina, na quarta-feira, 22, após ser condenado por gastar parte dos R$ 3 milhões arrecadados em uma campanha para o tratamento médico de um filho, portador de atrofia muscular espinhal (AME), para comprar carro de luxo, joias e uma viagem a Fernando de Noronha.
Renato e Aline Openkoski, um casal de Joinville (SC), foram presos nesta semana após arrecadarem mais de R$ 3 milhões em uma campanha para tratar a doença do filho em 2017.

A dupla foi condenada em 2022 por estelionato e apropriação de bens, tendo utilizado parte do dinheiro arrecadado para fins pessoais, incluindo viagens e compras de itens como celulares e um carro.

Segundo informações, teve acesso à apelação criminal apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que detalha os gastos indevidos do casal entre março e dezembro de 2017.

Durante esse período, os valores arrecadados para ajudar o filho Jonatas foram utilizados para comprar diversos itens, incluindo aparelhos eletrônicos e peças automotivas.
Em março, por exemplo, Renato e Aline gastaram R$ 4.396,00 em dois celulares Motorola Moto Z e R$ 1.066,00 em peças automotivas.

Ao longo dos meses, os gastos pessoais continuaram a se acumular, com compras cada vez mais variadas e inusitadas.

Entre os itens adquiridos estavam uma carabina de pressão Hatsan, uma luneta, uma capa de tecido para luneta, um faqueiro, mensalidades de academia para o casal e outros parentes, roupas, sapatos, um skate, despesas em restaurantes e casas noturnas, produtos da Herbalife, uma mesa, um aparelho de som JBL e um fone de ouvido.

Entre os itens de maior valor, destacam-se um carro KIA Sportage avaliado em R$ 140 mil e uma viagem a Fernando de Noronha que custou R$ 7.883,12. Além disso, o casal comprou um iPhone por R$ 3.612,02 e um par de alianças no valor de R$ 3.581,50.

Essas compras, realizadas com o dinheiro destinado ao tratamento do filho, foram fundamentais para a condenação do casal.

Aline  e Renato , então com 18 anos, moravam em Joinville e já tinham um filho de dois anos quando Jonatas Henrique Openkoski nasceu, em 21 de junho de 2016. Aos seis meses o bebê foi diagnosticado com síndrome de Werdnig Hoffmamm, doença neuromuscular mais conhecida como atrofia muscular espinhal – no caso dele, de tipo 1, uma das mais severas.

Para o tratamento, era preciso tomar um remédio chamado Spinraza, lançado em 2016 pelo laboratório norte-americano Biogen e cuja dose custa hoje cerca de R$ 360 mil. No início do tratamento, o paciente recebe três doses, com intervalos de 14 dias entre elas, e uma quarta dose um mês depois. A partir daí precisa receber uma dose do medicamento a cada quatro meses.
Para conseguir dinheiro para o tratamento de Jonatas, os pais lançaram em 2017 a campanha “Ame Jonatas”, que mobilizou muita gente no Brasil inteiro e até no exterior. Ao todo, o casal arrecadou R$ 3,6 milhões, segundo estimam autoridades.

Meses após o início da campanha, o casal comprou um carro de luxo, por R$ 140 mil, o que chamou a atenção do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), que exigiu prestação de contas do valor arrecadado. Foi combinado que até o fim de outubro de 2017 o casal apresentaria essas contas, o que não foi feito. No Réveillon seguinte, o casal viajou para Fernando de Noronha.

Em 16 de janeiro de 2018, a pedido do MP-SC, a Justiça bloqueou os valores arrecadados com a campanha e a documentação do carro. Na época, a família negou estar usando o dinheiro indevidamente e alegou ter ganho a viagem feita no Réveillon.
Em março de 2018, por ordem judicial, foram apreendidos o carro de luxo, alianças que teriam custado R$ 7 mil e outros bens de luxo supostamente adquiridos com o dinheiro da campanha.
Em 15 de outubro, o MP-SC denunciou o casal à Justiça por estelionato e apropriação de bens de pessoa com deficiência. Naquele momento o casal era acusado de usar para outros fins cerca de R$ 200 mil arrecadados para o tratamento do filho. Sete dias depois, a Justiça aceitou a denúncia.

Jonatas morreu em 24 de janeiro de 2022, aos cinco anos, após sofrer uma parada cardíaca. Em outubro daquele ano, o pai dele foi candidato a deputado estadual pelo PDT usando o nome “Renato Pai do Ame Jonatas”. Obteve 187 votos e não se elegeu.

Ainda em outubro de 2022, o casal foi condenado em primeira instância pelos dois crimes de que era acusado. Renato recebeu pena de 38 anos, 2 meses e 10 dias de prisão, além de multa. Aline foi condenada a 22 anos, 7 meses e 10 dias de prisão. O casal, que então morava em Balneário Camboriú, foi autorizado pela Justiça a recorrer em liberdade.

O prazo para recursos se extinguiu em 25 de março de 2024, quando foram expedidas as ordens de prisão de Renato e Aline. A Polícia Civil de Santa Catarina procurou o casal em Balneário Camboriú, não o encontrou e passou a considerá-lo foragido.
Na quarta-feira, o casal foi localizado e preso por policiais civis em uma casa no Morro do Meio, em Joinville.

 

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