
O governo calcula que as pedaladas fiscais, no final deste ano, ficará em R$ 57,013 bilhões, incluindo encargos da dívida, segundo documento enviado à CMO (Comissão Mista de Orçamento) nesta quarta-feira (4).
R$ 22,438 bilhões são referentes aos pagamentos em atraso ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e outros R$ 20,737 bilhões ao FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Também existem R$ 1,509 bilhão à Caixa e R$ 12,329 bilhões ao Banco do Brasil.
Com isso, se o governo for obrigado a pagar esses passivos à vista, o setor público consolidado poderá amargar déficit primário de R$ 117 bilhões neste ano. O pior número que havia surgido era de rombo de R$ 115 bilhões, num cenário que também considera a não obtenção de receitas com leilão de hidrelétricas.
O TCU (Tribunal de Contas da União) ainda não decidiu se o pagamento das pedaladas deverá ser de uma só vez ou poderá ser parcelado.
Sem contar os encargos da dívida, as pedaladas fiscais — pagamentos que o governo deveria ter feito a bancos públicos por conta de programas sociais e subsídios — somarão R$ 51,488 bilhões no final deste ano, segundo cálculos do governo enviados à comissão.
O governo tenta aprovar no Congresso nova mudança na meta fiscal deste ano, que era de superávit primário equivalente a 0,15% do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de todas as riquezas do País) no setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais).
Agora, prevê déficit de cerca de R$ 50 bilhões, sem incluir o pagamento das pedaladas e eventual frustração de receitas com o leilão de hidrelétricas marcado para o fim de novembro e que pode levantar cerca de R$ 11 bilhões.
Este será o segundo ano consecutivo que o Brasil registrará déficit primário, após o saldo negativo de R$ 32,5 bilhões em 2014, o primeiro em mais de dez anos.
Em julho, o governo já havia proposto substancial redução da meta de superávit primário em 2015 para R$ 8,7 bilhões, ou 0,15% do PIB, sobre 1,1% do PIB.
A nova alteração veio na esteira de recorrentes frustrações com a arrecadação, impactada pela recessão econômica. O ajuste também está sendo dificultado pela crise política, que vem deixando em segundo plano a votação de medidas fiscais propostas pelo governo para dar fôlego às receitas, como a volta da CPMF.