CNBB reconheceu ter apoiado a DITADURA

Em nota divulgada ontem (1º), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), instituição vinculada à Igreja Católica, lembrou o posicionamento inicial de “combate ao comunismo” no golpe de 1964 e reconheceu ter apoiado os militares enquanto esses assumiam o país.

“Se é verdade que, no início, setores da Igreja apoiaram as movimentações que resultaram na chamada ‘revolução’, com vistas a combater o comunismo, também é verdade que a Igreja não se omitiu diante da repressão”. A CNBB reiterou ainda que defende a democracia e ressalta que a Igreja reviu sua posição após constatar como o Estado atuava, de forma repressiva e violenta.

O golpe de 1964, que instituiu a ditadura no Brasil, teve apoio de vários setores da sociedade. Nesse contexto, a Igreja Católica se posicionou a favor do golpe, em um país constituído por mais de 75% de analfabetos e mais de 95% de católicos. “Recontar os tempos do regime de exceção faz sentido enquanto nos leva a perceber o erro histórico do golpe, a admitir que nem tudo foi devidamente reparado e a alertar as gerações pós-ditadura para que se mantenham atuantes na defesa do Estado Democrático de Direito”, disse a CNBB.

A entidade também lembrou – e exaltou – o trabalho da Comissão da Verdade, que vem abrindo os arquivos da ditadura, encontrando depoimentos e provas da violência que acontecia nos porões do Estado. “Ajuda-nos a pagar essa dívida histórica com as vítimas do regime a Comissão da Verdade, que tem por objetivo trazer à luz, sem revanchismo nem vingança, o que insiste em ficar escondido nos porões da ditadura”.

A NOTA NA INTEGRA

DECLARAÇÃO
POR TEMPOS NOVOS, COM LIBERDADE E DEMOCRACIA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB faz memória, neste 1º de abril, com todo o Brasil, dos 50 anos do golpe civil-militar de 1964, que levou o país a viver um dos períodos mais sombrios de sua história. Recontar os tempos do regime de exceção faz sentido enquanto nos leva a perceber o erro histórico do golpe, a admitir que nem tudo foi devidamente reparado e a alertar as gerações pós-ditadura para que se mantenham atuantes na defesa do Estado Democrático de Direito.

Se é verdade que, no início, setores da Igreja apoiaram as movimentações que resultaram na chamada “revolução” com vistas a combater o comunismo, também é verdade que a Igreja não se omitiu diante da repressão tão logo constatou que os métodos usados pelos novos detentores do poder não respeitavam a dignidade da pessoa humana e seus direitos.

Estabeleceu-se uma espiral da violência com a prática da tortura, o cerceamento da liberdade de expressão, a censura à imprensa, a cassação de políticos; instalaram-se o medo e o terror. Em nome do progresso, que não se realizou, povos foram expulsos de suas terras e outros até dizimados. Ate hoje há mortos que não foram sepultados por seus familiares.

Ainda paira muita sombra a encobrir a verdade sobre os 21 anos que fizeram do Brasil o país da dor e da lágrima. Ajuda-nos a pagar essa dívida histórica com as vítimas do regime a Comissão da Verdade que tem por objetivo trazer à luz, sem revanchismo nem vingança o que insiste em ficar escondido nos porões da ditadura.

Graças a muitos que acreditaram e lutaram pela redemocratização do país, alguns com o sacrifício da própria vida, hoje vivemos tempos novos. Respiramos os ares da liberdade e da democracia. Porém, é necessário superar a injustiça, a desigualdade social, a violência, a corrupção, o descrédito com a política, o desrespeito aos direitos humanos, a tortura… A democracia exige participação constante de todos.

Fiel à sua missão evangelizadora, a CNBB reafirma seu compromisso com a defesa de uma democracia participativa e com justiça social para todos. Conclama a sociedade brasileira a ser protagonista de uma nova história, livre do medo e forte na esperança.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira de nossa Pátria, nos projeta com seu manto, ilumine nossas mentes e corações a fim de que trilhemos somente os caminhos da paz, da justiça e do amor.
Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

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