
Segundo a Subsecretaria de Comunicação do Estado do Rio de Janeiro, o secretário de Educação, Wilson Risolia, fechou na última terça-feira (25/09), em Pequim, acordo com a prefeitura para a instalação de uma escola bilíngue Português/Mandarim no Rio de Janeiro e outra na capital chinesa. Segundo a vice-diretora geral da Comissão Municipal de Educação de Pequim, Zheng E, intercâmbios e canais de comunicação para troca de informações e parcerias são muito bem vistas na China.
– Temos objetivos em comum e queremos uma escola que ensine o idioma e a cultura chineses no estado do Rio de Janeiro. Vamos, agora, estabelecer os detalhes da parceria – disse Zheng E.
Risolia destacou que Brasil e China têm similaridades e que são protagonistas mundiais atualmente, com força no mercado internacional. – Nossos alunos merecem uma oportunidade dessas – afirmou o secretário.
A comitiva da Secretaria de Esducação visitou a Experimental High School Attached to Beijing Normal University. A escola tem 95 anos, três mil alunos, 300 docentes, e é um dos seis colégios vinculados diretamente ao Ministério da Educação. Todos os professores são formados pela Universidade de Pequim e os estudantes passam por um processo seletivo para estudar na unidade. Nesse colégio, estudou a filha de Mao Tsé-Tung.
– Nossos alunos têm visão internacional. Eles querem fazer intercâmbios com os EUA e a Europa. Em Pequim, somos a elite das elites – disse o diretor geral da escola, Cai Xiaodong.
Ainda na terça-feira, Risolia e os docentes fluminenses reuniram-se com a direção do Instituto Confúcio/Hanban, uma entidade sem fins lucrativos que divulga o idioma e a cultura chineses.
– Nosso instituto treina professores locais no Mandarim, incentiva intercâmbios e fornece materiais de ensino – afirmou o vice-diretor da entidade, Fan Ding.
– Além do acordo com a prefeitura de Pequim, vamos avançar nas negociações com o Instituto Confúcio/Hanban – disse Risolia.
A missão da Secretaria de Educação reuniu-se, ainda, na Embaixada Brasileira em Pequim, com o ministro conselheiro Claudio Garon.
Informações sobre o sistema educacional na China:
– O salário de um professor na China está em torno de US$ 200 por mês. Os docentes recebem bônus anuais e prêmios e, se não atingirem as metas, não recebem;
– Cada professor recebe o equivalente a R$ 320 por ano para treinamento;
– O Conselho Municipal de Educação dá treinamento para os professores, que servem como avaliação, e relatórios e teses para avaliações;
– A China tem 260 milhões de estudantes no Ensino Básico;
– São 14,4 milhões de professores;
– 660 mil cidadãos estudam nas 144 Escolas Normais, com a intenção de se tornarem docentes;
– A cada cinco anos o professor é obrigado a fazer um curso de 360h;
– Nas Zonas Rurais, os salários são diferenciados, para mais. Esses docentes recebem bônus por atuarem nessas áreas;
– Alunos do Ensino Médio recebem orientação vocacional e passam por avaliação psicológica;
– Os professores são avaliados também pela formação moral dos alunos;
– Para dar notas aos alunos, além dos exames anuais, o comportamento dos estudantes também é avaliado, assim como a pontualidade e as lições de casa;
– Os docentes não são funcionários públicos, nem os das escolas públicas;
– Há um rodízio de docentes entre as escolas e regiões do país, na tentativa de melhorar a Educação. Os melhores professores vão para as escolas com pior desempenho, e recebem mais por isso;
– Os docentes iniciam as atividades nos colégios às 7h30 e só saem após as 18h;
– A média é de 45 alunos por sala de aula, podendo chegar a 60 e 70 nas escolas das Zonas Rurais;
– O Governo só financia o estudo do aluno se ele permanecer todo o Ensino Básico na província onde nasceu. Se optar por fazer o Ensino Médio em outra localidade, a família tem que pagar por tal transferência e vaga no colégio;
– No Ensino Fundamental, os estudantes têm como disciplina apenas Chinês, Matemática e, a partir de 2010, iniciou-se o Inglês;
– Na Experimental High School Attached to Beijing Normal University, não há funcionários para limpeza da unidade, são os alunos que se revezam para esse serviço;
– Também na Experimental High School Attached to Beijing Normal University, 50% das vagas são para moradores do bairro onde o colégio se localiza, escolhidos por processo seletivo; e os 50% restantes das vagas são reservadas para filhos de ministros do Governo chinês.