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MC Tikão vai depor por apologia ao tráfico

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A Polícia Civil vai intimar Fabiano Baptista Ramos, o MC Tikão, para depor sobre o vídeo em que ele aparece no Baile da Gaiola, na Penha, cantando uma música em homenagem à facção Comando Vermelho (CV). O funkeiro é candidato a deputado federal pelo partido Solidariedade e já foi preso por envolvimento com o tráfico na Rocinha.

A intimação ocorrerá por parte do delegado Rodrigo Freitas, titular da 22ª DP (Penha), que investiga o Baile da Gaiola por associação ao tráfico, em um inquérito que já possui cinco volumes. De acordo com investigação da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), Tikão teria levado o traficante Rogério Avelino, o Rogério 157, na carona de sua moto, dando fuga ao criminoso do cerco das Forças de Segurança na Rocinha, em setembro de 2017. Consultado, o titular da especializada, Felipe Curi, reconheceu Tikão na gravação.

Nas imagens, que teriam sido feitas na manhã do dia 18 de agosto, Tikão canta um trecho da música ‘Faixa de Gaza’, considerado um hino da quadrilha atuante nos Complexos da Penha e Alemão: “Liberdade para toda a facção. Por isso eu vou mandar assim: Comando Vermelho até o fim”.

O vídeo mostra ainda a multidão na frente do palco cantando com o funkeiro. Pelo menos quatro homens armados aparecem, dois segurando fuzis e dois com pistolas. Outro homem no palco, que a polícia acredita ser MC Frank, irmão de Tikão, gesticula insinuando que está empunhando armas.

No dia 18 de agosto, Tikão chegou a gravar um videoclipe no Baile da Gaiola, ao lado de outros funkeiros e fez a divulgação nas redes sociais. Nas duas gravações, ele aparece com os mesmos acessórios: cinto da Gucci, relógio e anel dourados, camisa preta e um escapulário. Um dia após o clipe, o Exército fez operação nos complexos da Penha e Alemão. A ação foi motivada por informações de inteligência, entre elas, a de que chefes do tráfico do Comando Vermelho se reuniriam no baile para tomada de decisões.

Na ocasião, os militares balearam dois homens, apontados como chefes do tráfico: Eber Cândido, o Ebinho do Jacarezinho e Antônio Bruno, de 32 anos, o Costelão, chefe na Praça Seca, que morreu. Um terceiro chefe do tráfico, Charles Jackson Batista, o Charlinho do Lixão, de Duque de Caxias, teria sido baleado, mas conseguiu fugir.

Realizado na Rua Aimoré, um dos acessos do Complexo da Penha, o Baile da Gaiola surgiu há 18 meses, de acordo com um morador da comunidade que foi intimado a depor. “No início era só música no Bar da Gaiola. Depois, reunimos 49 barraqueiros e resolvemos fazer o baile”, afirmou à polícia. A testemunha afirma que a festa começa no sábado à noite e termina por volta de meio-dia de domingo. O baile, que não tem autorização para ocorrer, chega a reunir 30 mil pessoas.

O DJ Rennan da Penha, principal atração do baile, já depôs. Ele nega participação do tráfico no evento. Redes sociais do baile que fazem postagens de apoio a traficantes estão sendo investigadas.

Em nota, a defesa de MC Tikão informou, na manhã deste domingo, que ele foi contratado para fazer o show na Penha e não percebeu a presença de indivíduos ostentando armas de fogo. Confira a nota na íntegra:

A defesa esclarece que Fabiano foi contratado para fazer um show na Penha, qual seja, “baile da gaiola”. No mesmo evento ocorreu a gravação de seu novo clipe que já está sendo veiculado em suas redes sociais. No que condiz ao vídeo que está sendo divulgado, MC Tikão declara que no referido evento, realizado para milhares de pessoas, não percebeu a presença de indivíduos que estariam ostentando armas de fogo, que não conhece os mesmos, que não tem e nunca teve nenhuma relação com quaisquer facções criminosas, que não tem o apoio das mesmas em sua candidatura, e que neste, ou em qualquer outro show, cantou apenas trecho de uma musica, que não fez e não faz apologia, que atendeu e sempre atende a pedidos do público fazendo menção a diversas pessoas.

Por fim, MC Tikão informa que está à disposição das autoridades policiais para contribuir e prestar qualquer esclarecimento.