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PMs são presos por posse de drogas e arma de uso restrito

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Uma operação da Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ) flagrou armas irregulares, munições e drogas em uma base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Caju, na região portuária da cidade. A ação foi realizada na quarta-feira (11), mas as informações só foram divulgadas hoje (12) pela PM.

Segundo a nota da PM, foram presos o comandante da UPP, major Alexandre Frugoni, por porte de arma ilegal de uso restrito, e três soldados, por posse de drogas. A nota acrescenta que foram apreendidas mais de 1.500 munições de diversos calibres, pistolas, drogas e granadas e que esse material foi encontrado com a ajuda de cães farejadores.Também foram vistoriados outros endereços, incluindo a residência do major.

Participaram ainda da investigação equipes da Coordenadoria de Inteligência e do Ministério Público Militar. Todos os militares presos foram levados para a unidade prisional da PM, em Niterói.

Em um vídeo obtido pelos investigadores, é possível ver PMs e traficantes trocando tiros na Coroa, na manhã de 14 de maio. Durante o confronto, um dos criminosos é baleado e cai, morto. Três policiais se aproximam e um deles recolhe o fuzil usado pelo traficante. A arma, contudo, nunca foi apresentada na delegacia, como seria de praxe.

Na ocasião, a UPP Coroa era comandada pelo major Frugoni, o mesmo que foi preso pela Corregedoria na quarta-feira. E as imagens daquela ação de maio deram origem à investigação. Alguns dos policiais que aparecem no vídeo acompanharam o oficial quando de sua transferência para a UPP Caju.

No gabinete usado por Frugoni no Caju, os agentes da Corregedoria apreenderam uma pistola com a numeração raspada, além de carregadores e 1.100 munições para fuzil. Em outro local da base da UPP, cães farejadores encontraram grande quantidade de drogas.

Na manhã desta quinta-feira (12), a também major PM Paula Andreza Frugoni, mulher do oficial, prestou depoimento na 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Ela, que trabalha no Departamento de Finanças da corporação, é suspeita de tentar esconder parte do material que estava na casa de seu marido.

Um dos policiais da Corregedoria falou sobre a apreensão feita. “Não era pouca coisa não, era carga grande. Muitas granadas de efeito moral, coisas que não pertenciam ao material bélico, guardadas em armários, em mochilas de policiais”.

Os quatro policiais presos na operação estão detidos na Unidade Prisional, em Niterói.’

Na operação, foram encontrados no armário do major na UPP uma pistola Glock com a numeração raspada (o que é ilegal), quatro carregadores, nove carregadores de fuzil, bombas de gás, 261 munições de pistola calibre 40, 56 de 9mm e 1110 munições de fuzil.

No armário de um outro policial, não identificado, havia 97 munições de fuzil, 158 pinos de cocaína, 20 tabletes de maconha e uma pistola calibre 380, também com a numeração raspada. No telhado do alojamento da UPP, cães farejaram 67 pinos de cocaína e 11 tabletes de maconha que estavam escondidos.O material está sendo periciado pelo Centro de Criminalística da PM.

As equipes da Corregedoria, da Coordenadoria de Inteligência (CI) e do Ministério Público Militar cumpriram 23 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Militar, inclusive nas residências de suspeitos.

O comandante Frugoni vai responder por porte de arma ilegal de uso restrito e os três praças, por posse de drogas e favorecimento. Todos foram conduzidos para a unidade prisional da Polícia Militar, em Niterói.

A UPP do Caju foi inaugurada em 2013 e tem efetivo de cerca de 350 policiais. Sua área abrange doze favelas comunidades da zona portuária do Rio, onde vivem 16 mil pessoas.