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PF prende 24 pessoas da quadrilha comandada por Fernandinho Beira-Mar

A Polícia Federal (PF) prendeu 24 pessoas na Operação Epístolas, deflagrada hoje (24) para combater uma quadrilha supostamente liderada de dentro da prisão por Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Ao todo, a operação tinha 35 mandados de prisão a cumprir, sendo 22 preventivos e 13 temporários, além de 27 conduções coercitivas (quando a pessoa é levada para prestar depoimento). A maior parte dos presos (14) foi detida no estado do Rio de Janeiro. Os 85 mandados de busca e apreensão resultaram na apreensão de R$ 100 mil reais em espécie, cestas básicas e cigarros que eram vendidos pela quadrilha.

No total, 10 parentes tiveram a prisão pedida. Alessandra da Costa, irmã e advogada do traficante e apontada como sua conselheira, foi presa onde mora, em um condomínio de luxo no bairro Vinte e Cinco de Agosto, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Contra ela havia um mandado de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Os cinco filhos de Beira-Mar presos são: Taiuã Vinícius da Costa, Thuany Moraes da Costa, Luan Medeiros da Costa, Felipe Alexandre da Costa e Marcelo da Costa.

Cinco filhos, uma irmã, a ex-mulher, a ex-sogra e os sobrinhos do traficante , tiveram mandados de prisão preventiva.

A mulher do traficante, Jacqueline Alcântara de Moraes, já estava presa no Mato Grosso do Sul e vai ser levada para Porto Velho ainda nesta quarta.

Felipe da Costa Lira, braço direito de Beira Mar, foi detido no Ceará, segundo a PF. Até a última atualização da reportagem, não havia um balanço oficial do número de presos.

De acordo com o delegado Leonardo Marino, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes de Rondônia, onde o traficante está preso, a irmã de Beira-Mar, Alessandra Costa, era o seu braço direito no esquema. Também advogada do irmão, ela era responsável por levar seus recados a outros integrantes da organização criminosa. Alessandra foi presa em um condomínio  de luxo, em Duque de Caxias, na Baixada  Fluminense. Outros dois advogados dele também foram detidos.

A investigação chegou à conclusão de que Beira-Mar dominava não só o tráfico de entorpecentes, mas também exercia poder em atividades de 13 comunidades de Duque de Caxias, como o fornecimento de gás, água, cigarro, serviço de mototáxi e caça-níquel.
“A operação demonstra que, mesmo recluso, Beira-Mar ainda detém o controle de atividades na comunidade de Duque de Caxias. Também descobrimos que ele tinha dinheiro ocultado em imóveis e empresas”, afirmou o delegado. “Suas atividades chegavam a um lucro líquido de R$ 1 milhão por mês. Chegamos a um patrimônio de R$ 30 milhões ligados a ele, que serão objetos de sequestro.”

O delegado também informou que Beira-Mar será transferido da Penitenciária de Porto Velho, de onde comandava o esquema por meio de bilhetes codificados. Os recados eram passados para celas de outros presos e enviados para suas mulheres nas visitas íntimas.

Beira-Mar era ouvido, por volta das 11h, pela Polícia Federal dentro do presídio em Rondônia. À tarde, ele fo levado para Brasília, onde ficará na sede da PF até ser definida a transferência para outro presídio federal, ainda não definida. Os presos na operação também prestam depoimento.

Após um ano e meio de investigações, a PF descobriu que Beira-Mar, preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, diversificou os negócios: os lucros agora vão além do tráfico de drogas. O criminoso controla máquinas de caça-níquel, venda de botijões de gás, cesta básica, mototáxi, venda de cigarros e até o abastecimento de água.

Desde 2006, Fernandinho Beira-Mar está preso em uma penitenciária federal. Em 2007, a Polícia Federal investigou o criminoso e descobriu que, apesar da vigilância, ele manteve o controle do fornecimento de drogas – maconha e cocaína – para favelas do Rio. A investigação da PF, na ocasião, levou 19 pessoas à prisão.

Em condenações, o traficante acumula penas que somam quase 320 anos de prisão em crimes como tráfico de drogas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e homicídios.

Em 2015, o criminoso foi condenado a 120 anos de prisão apontado como responsável liderar uma guerra de facções, em 2002, dentro do presídio de segurança máxima Bangu 1, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, quando quatro rivais foram assassinados. Beira-Mar tem 15 condenações.A PF também realiza outras medidas cautelares, como o bloqueio do dinheiro depositado em 51 contas bancárias e a suspensão de atividades comerciais de nove empresas ligadas ao traficante.

A Policia Federal explicou que o termo “epístola”, que dá nome à operação, é utilizado para denominar textos escritos de maneira coloquial em forma de carta, com objetivo, ou não, de serem enviados ou obter respostas dos destinatários.

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