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Olimpíada Rio 2016 custou R$ 40 bilhões

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O prefeito Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse hoje (4) que não houve gastos excessivos ou desperdício de investimentos públicos na Olimpíada Rio 2016. Os Jogos custaram cerca de R$ 40 bilhões, incluindo a organização e obras de mobilidade urbana, como a linha que leva o metrô à Barra, onde fica o Parque Olímpico, e faixas exclusivas para ônibus.

“Não fomos perdulários, não se construíram castelos chamados de estádios, temos estruturas bonitas, mas, acima de tudo super simples”, afirmou o prefeito,na abertura da Casa Brasil, no Rio, espaço que reunirá atrações culturais e oportunidades de negócios. “Essas olimpíadas foram um exemplo do que devem ser o jogos daqui para frente”, disse o prefeito.

A um dia da abertura dos jogos, no Estádio Maracanã, com transmissão para 5 bilhões de espectadores no mundo, Paes acredita que o brasileiro, apesar do delicado momento político e da crise financeira, deve sentir orgulho.

“O Brasil passa por um momento de crise política, crise econômica, obstáculos vão sendo superados, mas acho que nós, brasileiros, cariocas ou não, temos de ter orgulho porque, mesmo com essa crise, com toda dificuldade que enfrentamos, o país se apresenta ao mundo”, disse.

Eduardo Paes tem sido um defensor do modelo de parceria entre poder público e iniciativa privada adotada no Rio. Em troca de concessões para administração de arenas ou cessão de terrenos, a prefeitura avaliou que mais de 50% dos recursos dos jogos foram privados. No entanto, as parcerias vistas pelo prefeito como forma de desonerar os investimentos do Estado, sofreram críticas de organizações da sociedade, por terem cedido patrimônio público a baixo custo.

No evento, Paes disse que as obras previstas foram entregues no prazo, incluindo as de legado e que custaram cerca de R$ 20 bilhões somente em mobilidade – ainda que a prefeitura precise de recursos para pagar a conta. O Rio solicitou um empréstimo de R$ 800 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para concluir as intervenções associadas aos jogos, após o Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliar o limite de contratação.

O novo financiamento ajudará a prefeitura a custear obras como o BRT Transbrasil (vias rápidas de ônibus), o VLT do Rio (uma metrô sob trilhos), a duplicação do Elevado do Joá e melhorias no entorno do Parque Olímpico e do Engenhão, entre outros projetos.

No evento, Paes aproveitou para agradecer outro aporte de recursos do governo interino, por meio de estatais, ao Comitê Rio 2016, que passa por dificuldades, às vésperas da Olimpíada e Paralímpiada. Ele também destacou a “ajuda rápida, ágil e nada trivial” de R$ 3 bilhões para a segurança no estado do Rio de Janeiro, que estava com dificuldade de pagar até os policiais.

Além de enfrentar críticas por causa das parcerias público-privadas, a prefeitura é apontada como responsável pela remoção de 4,1 mil famílias de seus domicílios, por causa das intervenções urbanas feitas no período entre a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016, segundo organizações sociais.

Movimentos no Rio lançam campanha contra violações de direitos em megaeventos

23/07/2016

Movimentos sociais e organizações de direitos humanos se mobilizaram para denunciar o que chamam de “jogos da exclusão”, em referência às violações de direitos humanos praticadas no Rio de Janeiro desde 2007, em nome dos megaeventos esportivos que a cidade recebeu ao longo de quase uma década. Esta semana foi lançado o Mapa da Exclusão, que mostra onde ocorreram problemas como remoções, violações ao trabalho, impactos ambientais, militarização de comunidades e homicídios decorrentes de ação policial, além dos locais onde houve intervenções urbanas e construção de equipamentos esportivos.

Integrante da Jornada de Lutas contra os Jogos da Exclusão, Mario Campagnani explica que o mapa é colaborativo e reúne dados de diferentes fontes, como o Instituto de Segurança Pública (ISP), a Justiça Global e o Comitê Popular da Copa e da Olimpíada. Segundo ele, a ideia do mapa é mostrar o efeito negativo que os megaeventos causaram à cidade.

“Quando você coloca esse resultado no mapa, fica bem claro como essa olimpíada é realmente os jogos da exclusão. Você percebe como afeta uma série de moradores das áreas mais valorizadas da cidade, ou em valorização, que são expulsos de suas casas. Você percebe como existe uma grande militarização das áreas pobres, que trata essa população negra e favelada como inimiga, é uma política que você ocupa esses territórios não pensando no benefício dos moradores desses locais, você ocupa na verdade pensando no controle urbano dessa população”, destacou Campagnani.

Letalidade

Ele lembra que a letalidade da polícia também é alta na cidade. “A polícia carioca é uma das que mais matam e mais morrem no mundo”, disse. De acordo com os dados do ISP, de janeiro a maio deste ano, foram 322 homicídios decorrentes de intervenção policial no estado. O número de policiais mortos no mesmo período chega a 12. Segundo dados do instituto, na comparação de maio deste ano com maio de 2015, houve um aumento de 135% das mortes cometidas por policiais militares na cidade do Rio.

“Isso não aconteceu só agora, aconteceu na Copa do Mundo, aconteceu na Copa das Confederações. Historicamente, antes desses megaevento, o estado mata muita gente nas favelas. A gente pode lembrar que antes dos Jogos Panamericanos de 2007 houve a chacina do Alemão”, acrescentou Campagnani.

Ele explica que o Mapa da Jornada de Lutas contra os Jogos da Exclusão também será distribuído nas ruas e nos eventos que a campanha está organizando, como manifestações, atos, debates, oficinas, rodas de conversa e intervenções artísticas, entre os dias 1º e 5 de agosto. “Vamos ter pessoas do Brasil inteiro para debater os efeitos [dos jogos] e falar sobre o direito à cidade. A gente está disputando o nosso território, é um debate político sobre os rumos da nossa cidade.”

Abertura da Olimpíada

No dia da abertura da Olimpíada, 5 de agosto, segundo Campagnani, a concentração será na Praça Saens Peña, que fica a menos de dois quilômetros do Maracanã, palco do evento oficial. “Nosso objetivo é caminhar, a gente tem uma construção política de anos de manifestações na Praça Saens Peña, desde a época que nós manifestávamos contra a privatização do Maracanã.”

A prefeitura foi procurada para comentar o legado social dos Jogos Olímpicos, mas informou que isso é responsabilidade da Empresa Olímpica Municipal (EOM), que não retornou o caontato da Agência Brasil até a publicação da reportagem.

 

Prefeitura do Rio poderá contratar R$ 800 milhões do BNDES para obras olímpicas

28/07/2016

A prefeitura do Rio de Janeiro poderá pegar R$ 800 milhões emprestados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para concluir obras de infraestrutura associadas à realização dos Jogos Olímpicos. O limite para a contratação de financiamentos pelo município foi ampliado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

De acordo com o Ministério da Fazenda, Henrique Meirelles, o novo financiamento ajudará a prefeitura a custear obras como o BRT Transbrasil, o VLT do Rio, a duplicação do Elevado do Joá, a ligação Transolímpica – Transbrasil e a fazer melhorias no entorno do Parque Olímpico e do Engenhão, entre outros projetos.

Segundo a prefeitura carioca, todas as obras estão praticamente concluídas, mas a administração municipal até agora bancou os aumentos de custo decorrentes de ampliação no escopo e no alongamento dos prazos de execução. Agora, a prefeitura usará a linha de crédito do BNDES para refinanciar esses gastos adicionais.

O novo financiamento não terá garantia da União. Ou seja, caso a prefeitura do Rio não consiga pagar o banco, o governo federal não arcará com o prejuízo. Com a ampliação do limite de crédito, o valor emprestado pelos bancos públicos para obras relacionadas aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio saltará para R$ 5,4 bilhões. Segundo a Fazenda, o limite anterior, de R$ 4,6 bilhões, havia sido utilizado.