
O secretário de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, André Corrêa, determinou hoje (23) a aplicação da “maior multa possível” à embarcação Baru Mucura, de apoio às plataformas de petróleo, por crime ambiental. O valor da multa será definido posteriormente.
O anúncio foi feito agora à noite pela secretaria, em resposta à denúncia do “sempre vigilante” biólogo Mário Moscatelli. André Corrêa acionou a procuradoria da secretaria para que sejam tomadas as providências cabíveis com o objetivo de responsabilizar a empresa proprietária da embarcação. O Serviço de Operações de Emergência (Sopea) do Instituto Estadual de Ambiente (Inea) vai apurar o caso.
O Baru Mucura foi construído com financiamento do Fundo de Marinha Mercante (FMM) e entregue em janeiro passado, no Rio de Janeiro. Ele serve de apoio às plataformas de petróleo. É a segunda embarcação de uma série de 12 do tipo UT-4000 (para transporte de tripulação, equipamentos e itens de consumo) que comporão a frota da Baru Offshore Navegação, subsidiária brasileira do grupo colombiano Intertug S.A. As unidades serão afretadas por oito anos, pela Petrobras, para atender a plataformas nas bacias de Campos e Santos.
Mário Moscatelli disse que ao sobrevoar hoje cedo a Baía de Guanabara, presenciou quando o responsável pela embarcação despejou água com óleo no mar. “Infelizmente, ou a gente acaba com este tipo de comportamento irresponsável de profissionais que atuam na Baía de Guanabara, ou é melhor aterrar a baía. São embarcações brasileiras emporcalhando uma baía que já é uma verdadeira latrina”, manifestou o biólogo, em entrevista . Para ele, o vazamento mostra o grau de irresponsabilidade desses profissionais. “É um crime que se comete na Baía de Guanabara”, sentenciou.
Moscatelli defendeu que as empresas e funcionários que praticam esse tipo de crime ambiental sejam punidos, “até para inibir outras companhias de fazerem a mesma coisa, porque hoje sai barato degradar a Baía de Guanabara. Se as pessoas não têm consciência, elas vão precisar ter, à base da força. Isso cabe ao Poder Público, à Secretaria do Ambiente”.
O momento do lançamento da água com óleo na Baía de Guanabara foi documentado com fotos que Mário Moscatelli enviou ao secretário do Ambiente, André Corrêa. Segundo o biólogo, isso reforça a necessidade de um monitoramento permanente da Baía de Guanabara. “Não é possível que em pleno século 21 a gente continue tratando a Baía de Guanabara desse jeito”.
O diretor-geral da Baru Offshore Navegação, Josuan Moraes, disse que não há nenhuma evidência de que a embarcação teve vazamento. “O que houve foi que a baía, com a chuvarada de ontem (22), amanheceu imunda, tanto de resíduos sólidos como líquidos. Meu pessoal está à bordo, está verificando. Não houve vazamento nenhum. A gente não transporta óleo, não houve nenhum manuseio de óleo para que a gente pudesse estar derramando óleo”, assegurou.
Moares salientou que a embarcação acaba de ser entregue à empresa. “Ela é novinha, é inspecionada. Não tem razão nenhuma disso acontecer”. Lembrou que há centenas de embarcações na Baía de Guanabara e que as manchas de óleo se movem no mar. O diretor-geral da companhia acentuou que Mário Moscatelli pode ter fotografado exatamente um desses momentos de movimentação de mancha de óleo. “Mas é impossível que tenha sido dela (Baru Mucura). Não existe evidência nenhuma”, insistiu.
(Agência Brasil)
Publicado em 23 de março de 2015 às 23:14