Educação

Globo é indicada ao Emmy Internacional por reportagem sobre funcionários fantasmas na Alerj

Há oito meses, o RJ2 denunciou a existências de vários funcionários “fantasmas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Depois da série de reportagens, indicada ao Emmy, pouca coisa mudou – apesar de haver duas investigações sobre o caso: uma da própria assembleia e outra do Ministério Público estadual.

Continua a viver em Orlando, na Flórida, nos Estados Unidos, Marli Regina de Souza Costa. Ela é servidora efetiva da Alerj e continua com o mesmo emprego. A mulher, embora empregada na Casa, mora a sete mil quilômetros da assembleia.

Ela e outros funcionários, como exibido pelo RJ2 no ano passado, fazem parte do grupo de funcionários da Alerj com altos salários que não aparecem ou vão muito pouco à Casa legislativa.

Na época, Marli Regina de Souza Costa estava lotada no gabinete do deputado Thiago Pampolha, (PDT). Mas por lá, ninguém nem sabia quem ela era. Depois da reportagem, a Alerj abriu um procedimento administrativo pra investigar a servidora e o salário dela foi bloqueado.

Recentemente, outro deputado solicitou que Marli fosse transferida para o gabinete dele. Foi Marcos Abrahão (Avante) que assumiu o mandato no fim de maio. Antes, ele estava afastado porque é investigado por corrupção.

O deputado foi um dos presos na Operação Furna da Onça, em novembro de 2018, suspeito de receber propinas em troca de votar a favor do governo Sérgio Cabral na Alerj. Ele chegou a tomar posse do cargo na cadeia.

Mesmo a distância, Marli Regina de Souza mudou de gabinete. Com isso, ela pôde voltar a receber o salário de R$ 23 mil líquidos, todo mês.

Conforme apurado pela TV Globo, Marli faz parte de uma família tradicional da política do Rio. Ela é casada com o ex-deputado José Nader Júnior. O pai dele também foi deputado e presidente da Alerj, entre 1991 e 1995. Na Assembleia do RJ, não há ponto eletrônico.

Além disso, a ficha de ponto de cada funcionário é assinada pelo deputado responsável pelo gabinete. E Marli não foi a única denunciada em dezembro.

Luiz Fernando Nader, da família Nader, se aposentou e manteve o salário que tinha. Fernando Cozzolino não sofreu nenhuma sanção e continua como servidor, trabalhando em um departamento e recebendo R$ 21,5 mil líquidos por mês.

O Ministério Público do Rio segue investigando as irregularidades.