Arquivo da tag: Neurocirurgião que faltou ao plantão na noite de Natal alega que não compareceu ao trabalho porque havia pedido demissão

Neurocirurgião que faltou ao plantão na noite de Natal alega que não compareceu ao trabalho porque havia pedido demissão

A defesa do neurocirurgião que faltou ao plantão e deixou de atender a uma menina baleada na cabeça na noite de Natal ,alega que o profissional não compareceu ao trabalho porque havia pedido demissão no dia do plantão.

 

A  falta de médicos para atender a população durante os feriados prolongados de Natal e Ano Novo  foi  noticiada.

 

Hospitais podem ficar sem médicos no fim do ano

Publicado:

A falta de médicos para atender a população durante os feriados prolongados de Natal e Ano Novo já é uma ameça nas unidades de saúde do município. O alerta é do Sindicato dos Médicos do Rio (SinMed) e do vereador Paulo Pinheiro, vice-presidente da Comissão de Saúde na Câmara. Segundo eles, por causa do fim dos contratos e dos convênios da Fiotec — fundação ligada à Fiocruz — muitos médicos já estão deixando seus postos de trabalho antes das festividades. A previsão é que os contratos com o município sejam finalizados ainda este mês.

De acordo com levantamento do Tribunal de Contas, a pedido de Pinheiro, apenas nas quatro principais emergências da cidade são 333 médicos contratados pela fundação. Nos hospitais Miguel Couto e Salgado Filho, os médicos contratados pela Fiotec na emergência representam 36% do total, em cada uma delas. No Lourenço Jorge, o percentual é de 75% e Souza Aguiar de 20%.

Já prevendo problemas com médicos nas delegacias nos plantões de fim de ano ( registros de casos de agressão ou omissão de socorro), o SinMed reivindica uma audiência com a chefe de Polícia Civil, delegada Marta Rocha, para pedir que as delegacias sejam avisadas sobre possíveis problemas no atendimento à população.

— Essa situação não é de responsabilidade dos médicos, mas sim do poder público que estava ciente do problema e não tomou providências — afirma o presidente do SinMed, Jorge Darze.

Segundo ele, a falta de médicos é preocupante no município, principalmente, no fim de ano. Darze diz que os hospitais Souza Aguiar, Miguel Couto e Lourenço Jorge são referência para os locais onde vão ocorrer eventos na cidade:

— A prefeitura precisa contratar profissionais com urgência. Caso contrário, será muito grave a situação.

Ainda segundo Darze, a Fiotec atua hoje como terceirizadora da mão de obra na saúde municipal. Com isso, a entidade estaria descumprido seu próprio estatuto ao se desviar da sua principal finalidade, que é realizar pesquisas:

— A Fiotec estava desempenhando o papel barriga de aluguel. O trabalho dos médicos contratados foi para assistência e não como pesquisa. Hoje, a Fiotec tem médicos contratados que recebem salários maiores do que os pagos aos médicos servidores estatutários.

Para Paulo Pinheiro, o convênio feito entre a prefeitura e a Fiotec foi uma maneira de bular a lei. De acordo com ele, a Fiotec não tem autorização para contratar funcionários para Secretaria municipal de Saúde.

— Há médicos e enfermeiros, contratados pela Fiotec, fazendo plantão nas emergências, de 20h as 8h. Se realmente existissem pesquisas, elas deveriam ocorrer durante o dia e não de madrugada — observa o vereador, lembrando que o clima entre os médicos que terão os contratados suspensos é de apreensão.

Fiotec diz que convênio está em fase de conclusão

Por meio de nota, a Fiotec informou que, com relação à desmobilização de médicos contratados para a área de saúde, o projeto de pesquisa estabelecido por convênio com a Secretaria municipal de Saúde está em fase de conclusão: “Os profissionais alocados ao referido projeto serão desmobilizados até o final do mês em curso, conforme cronograma recebido da referida secretaria”. Já a Secretaria de Saúde e Defesa Civil disse que segue rigorosamente o cronograma previsto para conclusão do convênio com a Fiocruz, de dois anos de duração e término em dezembro de 2012. Ainda segundo a secretaria, durante a vigência do contrato, a Fiotec realizou estudos de novos modelos para a gestão de unidades de emergência.

Um dos resultados desses estudos teria sido a abertura das coordenações de emergências regionais em funcionamento em Santa Cruz, Leblon, Barra da Tijuca, Centro e, futuramente, Ilha do Governador. A secretaria afirma que “Os profissionais ligados ao projeto executam as funções para as quais foram contratados”.

Questionadas sobre os valores do convênio e a quantidade de médicos que terão os contratos extintos, a Fiotec e a Secretaria de Saúde não fizeram comentários. A prefeitura não informou como fará para suprir a falta de profissionais que deixarão as unidades de saúde no fim do ano e em janeiro. O secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, garantiu, porém, que “os mecanismos de manutenção dos profissionais estão assegurados para a tranquilidade de médicos e população, já que foi feito planejamento para isso”.

De acordo com inspeção do Tribunal de Contas, há em curso dois convênios entre a Fiotec e a Secretaria municipal de Saúde. Um deles é de R$ 188 milhões, com duração de 24 meses (iniciado em maio de 2011) e com data prevista de término para maio de 2013. O outro convênio, no valor de R$ 65 milhões, vencerá em 31 de janeiro de 2013.

— Se esses médicos estavam fazendo pesquisas, na verdade, eles vão fazer falta no atendimento à população. A situação dos técnicos de enfermagem, laboratórios e raio X é a mesma. Todos deverão assinar os avisos prévios até o dia 28. — diz Pinheiro.

Para o vereador, a carência de médicos será resolvida apenas com a realização de concursos públicos, a elevação dos salários e a criação de um plano de cargos e salários.

Fonte o Globo