
Há cerca de duas semanas,o que parecia ser uma brincadeira de mau gosto tornou-se parte de um quebra-cabeça macabro que tem mobilizado a Polícia Civil paulistana.um tipo de ocorrência incomum passou a aparecer com estranha frequência em São Paulo: crânios, supostamente humanos, vem sendo localizados em diferentes pontos da cidade.
De acordo com o delegado Paul Henry Verduraz, titular do 34º Distrito Policial (Vila Sônia), um dos responsáveis pelas investigações, trata-se de um único caso. os casos apresentam “coincidências” e poderiam estar relacionados.
Apesar de ainda aguardar o resultado dos exames periciais, o delegado disse que , analisando todos os casos, encontrou essas coincidências. Todos [crânios] têm o mesmo aspecto, um aspecto que realmente foi subtraído de um túmulo, um aspecto de antigo. Contêm terra, material decomposto humano. Não recebemos o laudo ainda, mas notamos isso“Não é coisa recente. Têm traços de terra e provavelmente foram retirados de cemitérios”, afirmou.
Segundo o delegado, as caveiras são encontradas embrulhadas em papéis vermelhos e foram colocados próximos a consulados (Rússia, República Tcheca e África do Sul) e em frente a igrejas mórmons .Os delegados, porém, não forneceram outros detalhes da investigação, nem quiseram dar informações sobre quais seriam os possíveis cultos envolvido nas ações
Gravações de câmeras de segurança obtidas pela polícia mostram uma mulher aparentando ter entre 30 e 40 anos, sempre trajando saia até a canela, depositando alguns dos crânios encontrados.
“Parece um trabalho espiritual. A nossa investigação já está adiantada e as formas que foram deixados os crânios e os locais, próximos a sedes de consulados de outros países e a igrejas indicam que pode se tratar de um trabalho para dar poder a alguém (que teria encomendado a feitiçaria)”, afirma.
‘Bruxaria’ europeia
O professor aposentado da USP Reginaldo Prandi, especializado em sociologia da religião, disse acreditar que o “trabalho” – que dispensou velas, alimentos, animais mortos e outros elementos típicos de cultos de origem africanas – possa ter ligação com bruxaria de origem europeia.
“No Brasil, as religiões afrodescendentes jamais fariam algo relacionado a consulados”, comentou.
De acordo com o professor, não é comum o uso de restos mortais humanos nas religiões afro-brasileiras.