Em postagem realizada na manhã desta sexta-feira (9), o padre Fábio de Melo avisou que deixará de usar o Twitter. “Meus queridos, vou ficando por aqui. Tenho uma saúde emocional a ser cuidada. Sei o quanto já provei a solidão provocada pela depressão, pelo pânico. Tomar remédios só faz sentido quando evitamos os gatilhos dos desconfortos. Este lugar deixou de ser saudável pra mim. Obrigado!”, diz ele no texto.
A decisão vem um dia depois de Melo criticar a liberação de Alexandre Nardoni, 41, da prisão por conta do benefício da saída temporária do Dia dos Pais. Condenado pela morte da filha, em 2008, o preso deixou a penitenciária 2 de Tremembé (147 km de SP) na manhã desta quinta (8).
Em diversas postagens que fez para avisar sua saída da rede social, o padre explica que, desde que expressou sua indignação com a saída de Nardoni, passou a ser “acusado de justiceiro, desonesto, desinformado, canalha e outros nomes impublicáveis”. “Só reitero: já atuei na pastoral carcerária. Sei sobre a necessidade da ressocialização dos presos.”
Melo também afirma que nunca teve dificuldade para lidar com as diferenças mas que “a dialética, um dos movimentos que nos permitem acesso à verdade, vem sendo gradativamente substituída por acusações e julgamentos”.
Os seguidores lamentaram a decisão. “Faça o melhor para sua saúde. É fundamental que nos afastemos do que suga”, diz um deles. Outros ainda ressaltaram não concordar com a atitude do padre.
Nunca seremos suficientemente bons nem maus para os que nos imaginam.
Agradeço muito o carinho que sempre recebi aqui. Eu me divertia muito com vocês. Obrigado pelos amigos que fiz. Rezem por mim. 
Eu apenas salientei sobre a justiça não ser capaz de preservar, para os que sofrem suas perdas, o simbolismo das datas, libertando os responsáveis pelas mortes de seus entes queridos. Só isso.
Desde ontem, quando expressei minha indignação sobre a “saidinha”, estou sendo acusado de justiceiro, desonesto, desinformado, canalha e outros nomes impublicáveis. Só reitero. Já atuei na pastoral carcerária. Sei sobre a necessidade da ressocialização dos presos.
SÍNDROME DO PÂNICO
O Twitter sempre foi um lugar de encontro. A Àgora dos nossos tempos. O ponto de reunião improváveis. Falei e fiquei amigo de quem não passaria na porta da minha igreja. Foi bom.
Nunca tive dificuldade com as diferenças. Aliás, o meu ministério sempre foi exercido entre elas. Mas a dialética, um dos movimentos que nos permitem o acesso à verdade, vem gradativamente sendo substituída por acusações e julgamentos.
Meus queridos, vou ficando por aqui. Tenho uma saúde emocional a ser cuidada. Sei o quanto já provei a solidão provocada pela depressão, pelo pânico. Tomar remédios só faz sentido quando evitamos os gatilhos dos desconfortos. Este lugar deixou de ser saudável pra mim. Obrigado!
Amar é desproteger-se para proteger alguém.
Não entendo de leis, mas a “saidinha” deveria ser permitida somente no dia de finados. Para que visitassem os túmulos dos que eles mataram.
Padre Fábio de Melo costuma alertar seus fãs e falar sempre que pode sobre os perigos da depressão e doenças psicológicas. Ele já relatou, em diversas ocasiões, ter enfrentado síndrome do pânico e outros transtornos decorrentes da doença.
“Às vezes eu me pegava me escondendo debaixo da cama tamanho era o pavor que eu sentia”, disse o religioso a Poliana Abritta, apresentadora do “Fantástico”, da Globo, em 2017. Na ocasião, relatou que chegou até a pensar em deixar o sacerdócio.