O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, condenou nesta quinta-feira (28) Felipe Picciani, filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Seu patrimônio foi às nuvens. Passou a R$ 27 milhões em 2014, com um aumento de 900%. Ele só discordou de Cabral uma vez. Em 2014, o ex-governador apoiou Dilma e Picciani ficou com o tucano Aécio Neves. Esse fato, contudo, lhe rendeu louros com a ascensão de Michel Temer ao poder. Seu filho Leonardo, de 38 anos, foi nomeado ministro dos Esportes. Agora, Leonardo está sendo denunciado pelo marqueteiro Renato Pereira de ter pedido 4,5% da receita bruta de sua agência, a Prole, para fechar um contrato de publicidade no Ministério da Saúde, que em 2015 era da cota do PMDB do Rio. A denúncia de Pereira consta de sua delação premiada em análise no STF. tarde.
A atuação nefasta dos Picciani explica porque o Rio de Janeiro está falido. O funcionalismo não recebe salários em dia e a violência atinge níveis assustadores, mas a classe política ficou milionária às custas dessas mazelas. Em troca de propinas pagas por empresas do setor de transporte público, uma confraria de políticos do PMDB, com a participação do presidente da Alerj e de deputados estaduais, além, logicamente, do ex-governador Cabral, assaltou os cofres públicos da cidade. Esse grupo embolsou quase R$ 260 milhões em propinas. Além dos R$ 58,4 milhões roubados por Jorge Picciani, o deputado Paulo Melo recebeu R$ 54,3 milhões, enquanto que o deputado Edson Albertassi, líder do PMDB na Alerj, foi agraciado com R$ 60 mil de “mesada” para beneficiar as empresas ligadas à Federação das Empresas de Transporte Rodoviário do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor).
“A quadrilha dos políticos cariocas não tem um chefe mor, mas um comando horizontal da grande confraria do crime organizado no Rio de Janeiro”, disse Jairo Souza da Silva, superintendente da Polícia Federal no Rio. “Essa organização foi mantida por membros do Executivo, do Legislativo e empresários, principalmente da construção civil e Fetranspor. O Rio vem sendo saqueado por esse grupo por mais de uma década, resultando na falência moral e financeira do Rio. Essa confraria deve responder por todos os danos já causados ao Rio e à sua população”, disse o comandante da PF-RJ, ao anunciar detalhes da Operação Cadeia Velha. O nome da operação veio do fato de que o prédio da Assembléia foi uma cadeia pública nos tempos do Império.
Segundo a PF, os parlamentares recebiam “mesadas” da Fetranspor, principalmente, para conceder benefícios fiscais excessivos às empresas do setor e também aprovar medidas na Alerj que favorecessem os interesses empresariais. Com as benesses fiscais dadas aos empresários, o Estado do Rio perdeu R$ 138 bilhões em impostos.