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Preso no Rio chefe de milícia e traficante de drogas

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Agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, em uma ação conjunta com uma equipe da 24ª Delegacia da Polícia Civil do Rio de Janeiro, prenderam hoje (20), um dos chefes da milícia que atua na região da Praça Seca, em Jacarepaguá. Hélio Albino Filho, o Lica, era ligado a Sérgio Luiz da Silva Júnior, o “Da Russa”, morto ontem (19), no Complexo do Lins, em operação do Comando Conjunto das Forças Armadas, que atua na intervenção federal na segurança do Rio.

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Lica, que tinha mandado de prisão expedido pela Justiça, foi preso na comunidade Camarista Méier, que faz parte do Complexo do Lins. Ele é suspeito de ter se aliado a uma facção criminosa para que traficantes de drogas pudessem agir na comunidade conhecida como Bateau Mouche, na Praça Seca, onde, desde a última sexta-feira (18) ocorre uma grande operação das forças de segurança.

Segundo a PF, Lica está diretamente envolvido nos constantes confrontos que vinham ocorrendo na região. Ele foi também autuado em flagrante pelo crime de uso de documento falso e porte de arma de uso restrito. Na operação de hoje, foram apreendidas duas pistolas, uma de calibre .40 e outra, de calibre 45, esta com kit rajada, que dá tiros em série, semelhantes aos de uma metralhadora. Também foram apreendidos R$ 23.900 em dinheiro, um carro e munição.

As ações que resultaram na prisão de Lica fazem parte da Operação União Rio tiveram apoio da Polícia Rodoviária Federal, por meio da troca de informações de inteligência com as forças de segurança do Estado.

De acordo com a Polícia Civil, a prisão de Lica, somada à morte do traficante Da Russa, representa um grande prejuízo para a facção criminosa Comando Vermelho, que controla o tráfico de drogas na Praça Seca.

(Fonte Agência Brasil)

O criminoso foi preso em 27 de junho de 2012 e, quase quatro meses depois, em 13 de outubro, ele voltou às ruas, beneficiado por uma decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nascido no morro da Chacrinha, filho de um pedreiro e uma dona de casa, Lica foi citado no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em 2008. Na ocasião, aparecia como número 2 da milícia da Praça Seca. O chefe do grupo, de acordo com a comissão e com policiais, era o vereador Luiz André Ferreira da Silva, o Deco.

Lica tinha, de acordo com os policiais, a missão de percorrer a comunidade e fazer a cobrança das taxas de segurança e serviços como rede ilegal de internet, a gatonet, de moradores e comerciantes. Investigado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e pela 28ª DP (Campinho), foi preso em 27 de junho de 2012. Dois dias depois entrou na penitenciária Alfredo Trajan.

Em 2 de julho daquele ano, o então miliciano trocava de unidade e dava entrada na penitenciária Lemos de Brito. O juiz Marco José Mattos Couto, da 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá do Tribunal de Justiça do Rio, escreveu que Lica “coordena as atividades desempenhadas pelos presidentes de associações de moradores, matadores, agentes de campo, seguranças e olheiros do grupo, dando-lhes ordens e supervisionando suas atividades, além de atuar diretamente com outros co-denunciados e demais integrantes não identificados da quadrilha em diversos homicídios qualificados que ocorrem na região”.

O perfil violento não foi levado em conta pelo ministro Marco Aurélio. Numa decisão monocrática, em outubro de 2012, ele atendeu pedido dos advogados de Deco e concedeu habeas corpus ao vereador. O ministro do STF estendeu a outros quatro suspeitos o benefício. Entre eles, Lica, quatro meses depois de ser preso.