Noticias

Estaleiro pagou propina à Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso

296315

O estaleiro Keppel Fels, um dos maiores fornecedores da Petrobras, pagou propina de US$ 300 mil  entre os anos de 2001 e 2002, últimos anos da gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para a estatal brasileira, como forma de garantir os contratos de construção na plataforma P-48, que opera na Bacia de Campos. O custo da construção à época foi de US$ 800 milhões. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos cuida do caso. O documento da empresa com sede em Singapura aponta que os valores foram pagos a agentes do governo e não especifica cargos e nomes. Após o final do segundo mandato de FHC, o esquema de pagamento de propina teria sido ampliado. Sob a gestão petista, já em 2003, o valor da propina chegou a US$ 13,3 milhões de dólares – 44 milhões de reais –, valor equivalente a 1% do custo da plataforma P-53, que chegou a US$ 1,3 bilhão. 

No âmbito das investigações da Lava-Jato, a Keppel Fels havia negado pagamento de propinas a agentes brasileiros. Em 2015, chegou a romper o contrato com seu agente Zwi Skornicki, da Eagle Brasil, intermediador das operações que está em prisão domiciliar. Skornicki admitiu ter recebido US$ 40 milhões em propinas, repassadas a agentes do PT por meio de contas internacionais. Quando o processo foi aberto pela justiça norte-americana, a empresa de engenharia naval, que tem contratos com outras empresas de petróleo, iniciou um processo de colaboração com informações estratégicas sobre propina. A Keppel Fels atua no país desde meados da década de 1980, e construiu seu estaleiro em Angra dos Reis/RJ no ano 2000 após expandir seu fornecimento para a Petrobras na construção e reparo de plataformas de petróleo.