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Preso Felipe Picciani envolvido no roubo de R$ 183 bilhões

Felipe Picciani, filho do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, embarcou em Uberlândia, com destino Aeroporto Santos Dumont (RJ), por volta das 14h desta terça-feira (14). Ele foi preso pela Polícia Federal na cidade do Triângulo Mineiro durante a Operação Cadeia Velha, um desdobramento da Lava Jato.

Ele subiu na aeronave acompanhado por funcionários da Infraero, policiais e advogado. Dois policiais federais seguem viagem junto ao preso, que não estava algemado. Picciani foi o primeiro a entrar na aeronave, em um voo comercial, antes dos demais passageiros. Agora, seguiu para a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

O mandado de prisão foi cumprido por volta das 6h, perto do aeroporto Tenente Coronel Aviador César Bombonato enquanto Felipe levava o pai para embarcar. Jorge Picciani, ao chegar no RJ, foi conduzido para depor.

A operação foi desencadeada no início da manhã no Rio de Janeiro e em Uberaba. Um dos alvos foi uma fazenda às margens da BR-050 em MG, onde fica a empresa Agrobilara, que pertence à família Picciani. A Agrobilara é uma das principais fornecedoras de genética de gado nelore do Brasil. Felipe estaria à frente dos negócios, que tem como sócios o pai, Jorge, e os irmãos Leonardo Picciani, ministro do Esporte, e Rafael Picciani, deputado estadual.

Durante a ação, Felipe Picciani foi encontrado em Uberlândia. A Agrobilara Comércio e Participações Ltda já foi citada em investigações da Lava Jato por supostas atividades ilícitas na delação premiada de Jonas Lopes, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Segundo a delação, a compra de gado foi usada para lavar dinheiro de propina.

O ex-presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, chegou na sede da PF às 9h30. Assim como Barata Filho, ele teve mandado de prisão preventiva – sem prazo definido – expedido pela Justiça na operção Cadeia Velha.

Barata Filho e Lélis Teixeira já tinham sido presos na operação Ponto Final, em julho. Porém, em agosto, foram liberados por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Trinal Federal. Eles tiveram a prisão revertida em recolhimento domiciliar noturno.

Dono de mais de 25 empresas de ônibus no Rio e filho de Jacob Barata, conhecido como “Rei do ônibus”, Barata Filho é suspeito de pagar propina para políticos em troca de decisões favoráveis a seus negócios, como aumento da tarifa de ônibus.

Lélis Teixeira é suspeito de ser o responsável por dar as ordens para o pagamento de propina na ausência de José Carlos Lavouras, que era o presidente do Conselho de Administração da Fetranspor e também foi preso na Ponto Final.

Veja abaixo os alvos da operação Cadeia Velha:

Mandados de prisão preventiva:

Andreia Cardoso do Nascimento
Carlos Cesar da Costa Pereira
Jacob Barata Filho
Jorge Luiz Ribeiro
José Carlos Reis Lavouras
Lélis Marcos Teixeira

Mandados de prisão temporária:

Ana Cláudia Jaccoub
Fábio Cardoso do Nascimento
Felipe Carneiro Monteiro Picciani
Márcia Rocha Schalcher de Almeida

Mandados de intimação/condução coercitiva:

Alice Brizolla Albertassi
Edson Albertassi
Jorge Sayed Picciani
Paulo Cesar Melo de Sá

Operação

A investigação da operação Cadeia Velha durou seis meses e teve quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático, acordos de leniência e de colaboração premiada, além de provas obtidas a partir das Operações Calicute, Eficiência, Descontrole, Quinto do Ouro e Ponto Final, que investiga desvios de verba no transporte público do estado com a atuação de políticos do estado.

Segundo o Ministério Público Federal, a investigação apura o uso da presidência e outros postos da Alerj para a prática de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O nome da ação é uma referência ao prédio histórico da Alerj.