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Presos PMs envolvidos na morte de turista na Rocinha

A Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ) informou, em nota sobre a morte da turista espanhola Maria Esperanza Ruiz Jimenez, de 67 anos, na Favela da Rocinha, que a corregedoria da corporação determinou a prisão em flagrante dos dois policiais diretamente envolvidos no fato – um oficial (tenente) e um soldado. Os dois policiais foram encaminhados para Unidade Prisional da PM, em Niterói, região metropolitana do Rio.

“Após análise do fato, caberá ao Ministério Público Militar do Estado Rio de Janeiro decidir os rumos da investigação”, diz a nota divulgada pela PM.

A nota diz, ainda, que a Polícia Militar, assim como das demais forças de segurança do país, segue os procedimentos estabelecidos no Manual de Abordagem. O manual diz que, em casos como o que ocorreu nesta segunda-feira, os policiais não devem fazer disparos e sim perseguir o veículo que não obedeceu à ordem de parar e bloquear sua passagem assim que for possível. A razão pela qual esse procedimento não foi cumprido é também objeto da investigação em curso.

Os dois  militares  foram  ouvidos na 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar da PM, e, em seguida, encaminhados para a Divisão de Homicídios onde foram ouvidos pelo delegado Fábio Cardoso, encarregado do inquérito.

Maria Esperanza Jimenez Ruiz, de 67 anos, estava de férias no Rio junto com o irmão e a cunhada.ela era natural de Puerto de Santa María, Cádiz, na Andaluzia, no sul do país.

Maria Esperanza estava em um Fiat Freemont com um guia italiano, o irmão José Luiz Jiménez e a cunhada Rosa Margarita Martínez, quando foi atingida por um tiro.Segundo a Polícia Militar, o carro onde o grupo estava teria furado um bloqueio na localidade conhecida como Largo do Boiadeiro, por isso os policiais teriam atirado.

 O principal jornal da Espanha destacou que há um mês a favela da Rocinha é cenário de um conflito armado entre traficantes e policiais. E que o consulado espanhol no Rio já advertia os turistas sobre o recrudescimento da violência nas favelas da cidade. O “El País” lembra ainda que, antes de iniciar a guerra do tráfico na Rocinha , era comum que agências de turismo organizassem passeios na favela. O que, afirma o jornal, tornou-se um plano de alto risco desde 17 de setembro, quando os tiroteios se intensificaram na favela.

Ela chegou a ser socorrida e levada para o Hospital Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O tenente da Polícia Militar que atirou e matou  Maria Esperanza Jimenez Ruiz, disse que não tinha intenção de acertar o tiro no carro onde a mulher estava. Em depoimento à Corregedoria da corporação, o militar disse que mirou o chão. O tiro, no entanto, acertou o vidro traseiro do veículo e atingiu o pescoço da vítima, que estava sentada no banco de trás. O policial também disse que atirou para o alto primeiro, para que o carro parasse.

O agente, cuja identidade é mantida em sigilo, disse que os policiais que estavam na operação atiraram três vezes com fuzis. Além dele, um soldado também teria disparado para o alto.

O motorista do carro, Carlos Zanineta (foto), e a cunhada da vítima negaram ter visto blitz da polícia no local. As testemunhas relatam que o carro foi atingido quando saía da favela. O condutor do veículo contou ter passado pelos polícias quando subia o morro, sozinho.

De acordo com noticias divulgadas , o tenente não é lotado na UPP Rocinha. Ele integra o efetivo enviado à comunidade após a invasão de traficantes na favela.