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Mulheres marcham em Salvador contra machismo e violência

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Para denunciar a violência, o machismo e diferenças salariais entre gêneros, centenas de mulheres fizeram hoje (8) uma passeata pelas ruas do Centro de Salvador. A concentração ocorreu na Praça da Piedade, de onde elas saíram pintadas, segurando faixas, cartazes e microfones, que lhes davam voz contra a cultura do estupro, o racismo, a homofobia e, sobretudo, a violência física e psícológica contra as mulheres.

A passeata foi convocada nas redes sociais. De acordo com a Polícia Militar, que acompanhou o percurso, cerca de mil mulheres participaram do movimento. Quase cem entidades representativas, entre coletivos, escolas e instituições fizeram parte do ato.

“Hoje não é dia de comemorar, é dia de muita luta, de ir para rua reivindicar os nossos direitos. O nosso compromisso em construir o feminismo vem disso, de entender que a mobilização do nosso país depende de uma mobilização massiva das mulheres trabalhadoras para que façamos as mudanças necessárias”, destaca a estudante Maria Uzeda, representante do Levante Popular da Juventude.

Representando as mulheres negras, a funcionária pública Suely Santos participou do ato vestindo a camisa da Rede Mulheres Negras da Bahia. Ela explica que, ainda que as mulheres tenham bandeiras em comum, cada grupo tem demandas diferentes que fazem parte de uma interseccionalidade. As negras, por exemplo, “estão muitos passos atrás” das mulheres não-negras, em termos de reconhecimento e valorização.

“Se tratarmos da relação de trabalho, percebemos que a grande referência de trabalho da mulher negra é o trabalho doméstico, [a mulher negra] ainda é uma categoria que precisa de reparação, que precisa de direitos reconhecidos. São questões fundamentais que mexem com estética, com o empoderamento e com a apropriação cultural”, comentou a militante.

Outro tema levantado durante a manifestação foi a importância da denúncia contra os diversos tipos de violência e o fim desse ciclo. A cabeleireira Rosimerie Lopes veio da cidade de Feira de Santana – cerca de 100 quilômetros de Salvador – para participar da manifestação. Antes de sair às ruas, ela contou às presentes que começou na luta contra a violência há cerca de quatro anos, quando deu fim a um relacionamento abusivo de 16 anos, no qual o marido a ofendia, xingava e violentava psicologicamente. Ela ainda conta que o próprio filho notou que a mãe estava desenvolvendo depressão por conta das ofensas e brigas. Só assim, procurou ajuda e passou a frequentar a casa de apoio à mulher, na cidade dela.

“Eu estava destruindo a vida dos meus filhos e a minha também. Comecei a me interessar e conheci a história de Maria da Penha e soube meus direitos. Eu só sabia cantar quando era xingada, para que meus filhos não escutassem, era muito doloroso. Eu procuro que as mulheres se conheçam porque quero que elas se perguntem se é justo com elas aquilo que elas estão passando, porque eu fiz isso”, disse.

A manifestação seguiu pela Avenida Sete de Setembro, onde as mulheres realizaram intervenções artísticas de cunho político e feminista. A questão política foi lembrada na maior parte dos cartazes e faixas, sobretudo críticas ao governo federal e à reforma da Previdência. Todas as mulheres seguiram para a região do comércio, na Cidade Baixa, onde um minitrio aguardava a chegada delas, em frente ao edifício da Previdência Social. Músicas e apresentações cênicas também fizeram parte do ato do Dia Internacional da Mulher.

 

(Fonte Agência Brasil)