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Michel Temer autoriza uso das Forças Armadas no Rio de Janeiro

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O presidente Michel Temer autorizou o uso das Forças Armadas no Rio de Janeiro para auxiliar o policiamento das ruas em meio à mobilização das mulheres de policiais militares, iniciada na última sexta-feira (10). O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, foi recebido hoje (13) por Temer, no Palácio do Planalto, para discutir o assunto.

No momento, o governo trabalha no planejamento da ação para decidir quantos militares serão enviados ao estado ou deslocados para essas atividades. Também estão sendo estudados os locais em que atuarão e a data de início das ações, prevista inicialmente para amanhã (14). A autorização é a mesma concedida na semana passada para uso das tropas no Espírito Santo, onde familiares de policiais impediam a saída de viaturas em forma de protesto.

Nesta manhã, no centro do Rio, manifestantes acampadas bloquearam a saída do prédio do Batalhão de Choque, onde funcionam unidades como o Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos

Manifestantes impedem saída de viaturas em cinco batalhões no Rio

Protestos de parentes de policiais militares impedem a saída de viaturas em cinco batalhões da região metropolitana do Rio de Janeiro, informou o relações públicas da Polícia Militar (PM), major Ivan Blaz. De acordo com o porta-voz, as manifestações já eram previstas, e a corporação tomou medidas para garantir o patrulhamento.

“Há um planejamento prévio que conseguiu colocar as viaturas nas ruas, de modo que hoje temos 95% do efetivo já pronto, atuando”, disse Blaz. Os comandantes dos batalhões estão encarregados de negociar. “São unidades importantes em que seus comandantes estão lidando diretamente com os manifestantes para poder chegar a um lugar comum”, acrescentou o porta-voz.

Segundo Blaz, os batalhões em que as manifestantes bloqueiam a saída são os da Tijuca, Jacarepaguá, Mesquita, Olaria e Choque.

Mulheres e mães de PMs se organizaram por redes sociais e chegaram ao Batalhão de Choque, às 4h. Com cartazes e garrafas de água mineral, elas permitem a entrada de viaturas, mas impedem a saída de policiais fardados.

Mulher de um policial militar, Ana* disse que a falta de pagamento de horas extras e décimo terceiro salário são as principais motivações da manifestação. “No Espírito Santo, eles estão reivindicando aumento. Nós não estamos pedindo nem isso. Estamos pedindo o pagamento do que nos devem, só isso”.

Outra manifestante que não quis se identificar contou que é mãe de um policial militar e criticou as condições de trabalho, que, segundo ela, se agravam sem os pagamentos devidos.

“Já tive que doar sofá para colocar no alojamento para ele ter onde sentar”, contou a manifestante. “Não assisto ao jornal, porque todas as vezes que se fala que mais um policial [morreu], abre-se um buraco aos meus pés.”

O porta-voz da PM reconheceu que a tropa da Polícia Militar está insatisfeita com a falta de pagamentos. “Sem dúvida nenhuma, isso causa muita insatisfação na tropa. Isso é compreensível”, disse Blaz.

Em frente ao 6° Batalhão de Polícia Militar, na Tijuca, manifestantes também impediam a entrada de policiais que voltavam de seu turno de trabalho. Populares que acompanhavam a manifestação hostilizaram jornalistas na porta do batalhão.

*Nome fictício a pedido da entrevistada

Protesto impede entrada e saída de policiais no Batalhão de Choque, no Rio

Manifestantes acampadas continuam a bloquear, na manhã de hoje (13), a entrada do Batalhão de Choque, no centro do Rio de Janeiro. Com uma farda manchada de vermelho e faixas pedindo melhores condições de trabalho para policiais militares, as mulheres estão impedindo a entrada e saída do prédio, onde funcionam unidades como o Choque e o Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos.

Do lado de fora, dezenas de policiais que começariam seus turnos na manhã de hoje aguardam na calçada.

As manifestantes cobram o pagamento de horas extras do segundo semestre de 2016, incluindo as dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O governo do estado também deve aos policiais o pagamento do décimo terceiro salário e de prêmios por cumprimento de metas.

“A gente só vai sair quando pagarem tudo que prometeram. A gente não quer nada absurdo, só o que eles estão devendo”, disse a mulher de policial militar que não quis se identificar. “Meu marido tem que pegar dinheiro comigo para ir trabalhar. O cartão de crédito dele eu já nem sei mais como está, virou uma bola de neve”.

Segundo a mulher, o protesto tem recebido apoio da população: todos os mantimentos consumidos no acampamento são doados.

Um policial que não quis se identificar disse que é casado com uma policial militar e que a família tem sofrido com o atraso dos dois pagamentos. “O que tem me sustentado é a minha esposa vendendo cosméticos. Eu nunca imaginei que fosse passar por isso tendo três filhos.”

Na porta do 6º Batalhão de Polícia Militar, na Tijuca, três mulheres controlam a entrada e saída de militares e viaturas. Sem se identificar, elas disseram que fizeram um acordo com o comandante do BPM para permitir que um efetivo mínimo policie as ruas da região.

“Para garantir a segurança da Tijuca e da Grande Tijuca, um efetivo mínimo de policiais está nas ruas, com policiais equipados”, informou uma das mulheres dos policiais. “Não vamos sair daqui enquanto as reivindicações não forem atendidas.”

As manifestantes, que dizem ter apoio da população, estão revistando os policiais e os carros que deixam o batalhão, para impedir que saiam com fardas e armas escondidas.

“Eles falam que a causa é justa e que o policial não pode ser tratado como é tratado”, relatou uma delas, que enumerou problemas como a falta de coletes à prova de bala. “O policial hoje não faz concurso pra ser PM, faz concurso para ser alvo de bandido.”

Por meio de nota, a Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que batalhões com deficiência no efetivo estão recebendo apoio de outras unidades.

“A Polícia Militar está utilizando de todos os meios disponíveis para colocar o policiamento nas ruas em locais onde há impasse com os manifestantes. Porém, reforçamos que estamos em diálogo constante com as lideranças a fim de conscientizar sobre a importância da saída do policiamento.”

(Fonte Agência Brasil)