
As manifestações de parentes de policiais militares em frente aos batalhões da corporação continuaram neste domingo (12). Pela manhã, familiares montaram uma tenda na entrada do Batalhão de Choque localizado no Estácio, centro do Rio, impedindo a entrada e saída dos PMs. Iniciada na sexta-feira, a mobilização é pelo pagamento do 13º salário, do Regime Adicional de Serviço (RAS) Olímpico e das metas atrasadas.
A filha de um policial do Choque que participa do ato, mas não quis se identificar, disse que a mobilização vai continuar e que, desde a sexta-feira, ninguém sai do batalhão com farda, portanto, sem uniforme para trabalhar. Além disso, os parentes hoje estão impedindo também a entrada no local. Muitos policiais vestido com roupas civis passaram a manhã em frente ao batalhão.
“Não comparecer ao serviço é crime militar, então os policiais que estão na porta deveriam dar voz de prisão para os manifestantes e entrar. Mas como são todos parentes, ninguém fez isso ainda e acho que ninguém vai fazer”, disse a filha.
Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar, “o Choque está operando normalmente, apesar da manifestação na porta”. A PM informa que grupos de familiares de policiais se concentraram na frente de 27 unidades, mas que há bloqueios apenas em quatro batalhões: 3ºBPM (Méier), 6º BPM (Tijuca), 20ºBPM (Mesquita) e 40ºBPM (Campo Grande). Mas, segundo a nota, mesmo com o impedimento de entrada e saída de viaturas, o policiamento está sendo feito normalmente nessas localidades.
“Não existe paralisação da Polícia Militar e sim uma mobilização de familiares, iniciada pelas redes sociais. A corporação está atenta às manifestações e conscientizando a tropa da importância da presença policial nas ruas. O patrulhamento está sendo realizado normalmente, bem como as trocas de turnos. As rendições, quando necessárias, são realizadas no lado externo e locais que apresentaram maiores problemas estão com apoio de outras unidades”, informa a nota.
Pelo twitter, a PM reitera que o trabalho está normal, com informações como “Policiais Militares do #BPRV realizam operação nas rodovias estaduais, em #BomJardim, para garantir a segurança da população” e “Domingo de sol é dia de praia. E nós estamos lá pra garantir isso. #OperacaoPraia”, acompanhadas de fotos de viaturas e atividades policiais.
Uma reunião entre as esposas de policiais e o comando da corporação, realizada ontem (11), terminou sem acordo.
11/02/2017
Terminou sem acordo reunião entre o comando da Polícia Militar do Rio e mulheres de policiais, na tarde de hoje (11), no quartel-general da corporação. O encontro contou com a participação do Ministério Público (MP) e reuniu cerca de 40 pessoas, incluindo esposas de policiais que bloqueiam, desde ontem (10) a porta de diversos batalhões no estado, impedindo a saída de viaturas e de efetivo para a rua.
Na saída da reunião, que durou cerca de três horas, algumas mulheres falaram com a imprensa sobre o que foi tratado e disseram que não houve acordo sobre elas deixarem os batalhões. “Não houve negociação. Eles não podem resolver os nossos problemas. Precisamos de medidas urgentes, de uma pauta que funcione para os nossos policiais, porque eles estão sofrendo todos os dias. O nosso movimento não vai parar”, disse Cristiane, esposa de um policial. Ela não forneceu o sobrenome.
Outra participante da reunião disse que as demandas não são apenas de salário, mas também de condições de trabalho. “Dinheiro não é tudo. Precisa de condições de trabalho nas ruas. Um armamento que tenha uma manutenção decente, porque todos os dias morrem policiais porque não têm um fuzil que funciona, as viaturas não são blindadas. A escala de trabalho é surreal. Enquanto isso não acontecer, o movimento não vai parar. Vamos continuar nas portas dos batalhões”, disse Veronica Nunes.
Ela denunciou que está havendo represálias contra os policiais, pois estão sendo anotadas as placas dos carros que as esposas utilizam e alguns militares estariam, inclusive, sendo presos. “Têm maridos que estão sendo presos e punidos, porque a gente está indo de carro para os batalhões, os coronéis estão anotando as placas e vendo quem são os donos”, disse Veronica.
Por meio de nota, a corporação informou que o comandante da PM, coronel Wolney Dias, se apresentou como o interlocutor formal com o governo do estado e comprometeu-se a estudar a viabilidade das reivindicações que competem à Polícia Militar, tais como escalas, melhores condições de trabalho e atendimento médico. Segundo o comunicado, ficou acertado que será agendada uma nova reunião, desta vez, com a presença de um representante do governo fluminense.
(Fonte Agência Brasil)