
A Polícia Federal prendeu o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral , na manhã desta quinta (17), na casa dele no Leblon, Zona Sul do Rio .
Além do Sérgio Cabral , outros mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, sob a acusação de cobrança de propina em contratos com o poder público.
A ação é realizada por um núcleo da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro . Ao todo, a polícia visa cumprir 38 mandados de busca e apreensão, oito de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 14 conduções coercitivas, dentre eles, um contra a ex-primeira-dama do Estado, Adriana Anselmo.
Cabral e os outros acusados são suspeitos de receber propina em troca da concessão de obras públicas como a reforma do Maracanã e a construção do Arco Metropolitano.
A ação surgiu a partir da delação homologada de executivos da Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia. Só a Carioca Engenharia comprovou o pagamento de mais de R$ 176 milhões em propina para o grupo.
Além do ex-governador Sérgio Cabral, a polícia também busca cumprir mandados de prisão preventiva contra o ex-secretário de governo de Sérgio Cabral , Wilson Carlos, e do ex-secretário de obras,
Hudson Braga.
A operação foi batizada de “Calicute”, região da Índia onde o descobridor do Brasil, Pedro Álvarez Cabral, teve uma de suas maiores tormentas
No início desse ano, dois ex-executivos da Andrade Gutierrez afirmaram, em delação premiada a procuradores da Lava Jato, que Sérgio Cabral cobrou propina da empreiteira Andrade Gutierrez em obras do Maracanã para a Copa do Mundo.
De acordo com os ex-executivos da Andrade Gutierrez Rogério Nora de Sá e Clóvis Peixoto Primo, Cabral cobrou pagamento de 5% do valor total do contrato para permitir que a construtora se associasse à Odebrecht e à Delta, no consórcio que disputaria a reforma do Maracanã, em 2009.
A Delta pertencia a Fernando Cavendish, amigo de Cabral que foi preso em julho deste ano ao desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim. Cavendish também foi preso após o juiz Marcelo Bretas aceitar uma denúncia contra 22 suspeitos de participar de um esquema que desviou R$ 370 milhões dos cofres públicos.