
Edward Snowden, ex-agente da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês), ironizou em sua conta no Twitter as conversas telefônicas entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, que foram liberadas nessa quarta, 16, pelo juiz federal Sergio Moro. “Três anos após as manchetes de escuta de @dilmabr, ela ainda está fazendo chamadas não criptografadas”, escreveu Snowden em sua conta. A mensagem já foi retuitada por mais de 1,1 mil internautas. Em setembro de 2013, o ex-agente da NSA vazou informações de que a presidente Dilma Rousseff e o que seriam seus principais assessores eram espionados pela agência norte-americana. A revelação causou um embaraço diplomático entre o Brasil e os EUA, além de ter sido condenada por Dilma em um duro discurso contra a espionagem na Organização das Nações Unidas. À época, Snowden elogiou a postura da presidente.
Uma reportagem publica no dia 3 de fevereiro de 2015 pelo jornal americano New York Times revelou que a presidente Dilma Rousseff ainda estava sendo monitorada pelo serviço de espionagem americano.
Segundo o jornal americano, a chanceler alemã Angela Merkel e outros líderes já teriam sido excluídos da lista de monitoramento. Mesmo assim, a presidente brasileira ainda continuaria sendo alvo da NSA (Agência Nacional de Segurança americana).
A revelação aconteceu quase 1 ano e meio depois de a presidente Dilma Rousseff ter cancelado uma viagem a Washington como retaliação à espionagem.
Em discurso nesta quinta feira 17 de março de 2016 Dilma repudiou as versões divulgadas das escutas telefônicas com conversas entre ela e Lula. “Estaremos avaliando as condições deste grampo que envolve a Presidência da República. Queremos saber quem autorizou e por que o autorizou, e por que foi divulgado porque não continha nada que possa levantar qualquer suspeita sobre seu caráter republicano. Investigações baseadas em grampos ilegais não favorecem a democracia. Quando isso acontece, fica nítida a tentativa de ultrapassar o limite do Estado Democrático de Direito, de cruzar a fronteira que é tão cara para nós que a construímos: a fronteira com o estado de exceção. Estamos diante de um fato grave: uma agressão não à minha pessoa, mas uma agressão à cidadania, à democracia e à nossa Constituição.”
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, divulgou ontem à tarde o teor desta e de outras conversas do ex-presidente, que teve suas ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal. Às 13h32, Dilma ligou para Lula a fim de avisá-lo de que um funcionário do Planalto estava levando até ele o documento com o termo de posse, para ser utilizado “em caso de necessidade”.
Segundo a Secom, a divulgação do telefonema foi feita “ilegalmente” por decisão da Justiça Federal do Paraná.
“Em que pese o teor absolutamente republicano do diálogo que tive com o ex-presidente Lula, ele foi publicizado com uma interpretação desvirtuada. Mudaram tempos de verbo, mudaram ‘a gente’ para ‘ele’, ocultaram que o que fomos buscar no aeroporto era a assinatura do presidente Lula, mas não tem a minha assinatura. Portanto, isto não é posse. A posse ocorreria aqui”, afirmou Dilma durante o discurso da cerimônia de posse de Lula.
Vazamentos
Dilma voltou a criticar o vazamento seletivo de informações. “Não há justiça quando delações são tornadas públicas de forma seletiva para execração de alguns investigados e quando depoimentos são transformados em fatos espetaculares. Não há justiça para os cidadãos quando as garantias constitucionais da própria Presidência da República são violadas. Se se fere prerrogativas da Presidência da República, o que farão com as prerrogativas dos cidadãos?”, questionou.
Oposição
A presidenta também criticou a oposição, que, segundo ela, desde a eleição em 2014, tenta paralisar o governo. “[A oposição] tenta me impedir de governar ou me tirar o mandato de forma golpista”. “Nós temos de superar os ódios e a atuação daqueles que não estão do lado da verdade e não terão força política para provocar o caos e a convulsão social. A gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo e não vai colocar o nosso povo de joelhos”.
Publicado em 18 de março de 2016 às 1:59