
As sessões extraordinárias que ocorrem nesta segunda-feira (21) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) foram marcadas por invasões ao plenário e pancadaria. Logo após a aprovação do orçamento de 2016, manifestantes tentaram forçar o portão do plenário e receberam spray de gengibre.
Os manifestantes tentaram entrar no local no intervalo entre a terceira e a quarta sessões extraordinárias, logo após a primeira redação do orçamento de 2016 ser aprovado, com valor estimado em R$ 80 bilhões. O projeto teve mais de 6,9 mil emendas na comissão de orçamento, com 91% das emendas aprovadas. O texto foi votado em segunda discussão e aprovado.
Vários grupos, a maioria de servidores públicos da educação e da saúde, participaram do protesto. O principal motivo é a demora do pagamento do 13º salário. Na sexta-feira (18), a Casa Civil e a Alerj ratificaram o decreto que dizia que o servidor deveria ir até um banco e fazer um empréstimo para sacar o valor do benefício, que seria pago pelo Estado, com juros de 1,93% ao mês.
Nesta segunda (21), no entanto, muitos servidores não conseguiram retirar seus valores em diferentes instituições financeiras. O secretário estadual da Fazenda, Júlio Bueno, disse que à tarde já estaria disponível o pagamento do 13º.
Outra preocupação é contra possíveis cortes de investimento nas duas áreas. Na quinta-feira (17), uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 35% para 25% da receita de impostos o mínimo a ser investido pelo estado em educação foi apresentada e deve ser votada até quarta (23). A PEC é de autoria do deputado Edson Albertassi (PMDB), líder do governo na Alerj.
O presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), tinha acabado de sair do comando da sessão extraordinária quando a confusão começou. O deputado ressaltou que a segurança do local fez o que deveria ser feito.
“Não utilizamos força desproporcional. Eu pedi para que as galerias fossem ocupadas. Cria um ambiente mais tenso, mais real. É normal que as pessoas se manifestem. Mas não pode ser baderna”, avaliou.
Mesmo após a confusão, que teve manifestantes atingidos com spray de gengibre e pelo menos dois contidos pelos seguranças ao conseguirem invadir o plenário, ele garantiu que as portas seriam abertas para as novas sessões extraordinárias da tarde desta segunda.
“São estudantes e servidores que estão vendo suas universidades sucateadas, então a irritação é bem compreensível. Eles não vão conseguir nada pela invasão, a segurança está no seu papel de impedir a invasão do plenário, então tentei acalmar os ânimos”, explicou o deputado Marcelo Freixo.
“Rio de Janeiro sensacional, tomou a Alerj de pedra e pau. Em 2015 vai ser legal, se tiver corte vai ser legal” e “Ô, deputado, eu quero ver, você sem receber” foram alguns dos gritos que tomaram a plenária da Alerj.
Picciani chegou a suspender a sessão por cinco minutos. “Quando um burro fala, os outros abaixam a orelha”, afirmou Picciani, que após algumas vaias falou aos manifestantes que tinha dado ordens à segurança para que todos os manifestantes entrassem.