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Del Nero se afasta da presidência da CBF

epa04707828 Brazilian lawyer Marco Polo Del Nero talks during a press conference at the headquarters of the CBF (Brazilian Soccer Confederation) in Rio de Janeiro, Brazil, 16 April 2015. Del Nero has been appointed the new president of the CBF with a four year term.  EPA/MARCELO SAYAO

Acusado por denúncias de corrupção no Brasil e no exterior, o advogado paulista Marco Polo Del Nero de 74 anos deixou a presidência da CBF. nesta quinta-feira. Del Nero pediu uma licença e indicou Marcus Antônio Vicente, atual vice da CBF e ex-presidente da Federação Capixaba de Futebol (1994 a 2015), para substitui-lo. Na semana passada, Del Nero já havia deixado sua cadeira no Comitê Executivo da Fifa.

Só Wladimir Bernardes ficou menos tempo que Marco Polo Del Nero no cargo – 176 dias em 1924, quando ainda não havia sido disputada uma Copa do Mundo sequer e a CBF ainda se chamava Confederação Brasileira de Desportos.

Del Nero foi indiciado pelo FBI, a Polícia Federal Americana, na mesma investigação que mandou seu antecessor José Maria Marin para a cadeia. Os dois – e vários outros cartolas – são acusados de receber propina de empresas de marketing esportivo durante a negociação de direitos da Copa América e da Copa do Brasil.

Marco Polo Del Nero também é alvo de uma investigação do Conselho de Ética da Fifa, que pode lhe render uma suspensão de todas as atividades relacionadas ao futebol. O dirigente ainda enfrenta uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado, que já conseguiu aprovar a quebra de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico.

Del Nero assumiu a CBF em 16 de abril, exatamente um ano após ter sido eleito. Sua chapa se chamava “Continuidade Administrativa” – e, como o nome deixa claro, se propunha a dar continuidade à administração de seu antecessor, José Maria Marin, que cumpre prisão domiciliar em Nova York enquanto aguarda seu julgamento.

Nos três anos da “Era Marin” (2012-2015), Del Nero ocupou papel central. Era o vice-presidente mais próximo de José Maria Marin e participava das principais tomadas de decisão – e, segundo o FBI, dividiam os subornos. Juntos, demitiram Mano Menezes e contrataram Luiz Felipe Scolari em 2013. Juntos, viram das tribunas do Mineirão a Alemanha golear a seleção brasileira por 7 a 1. Juntos, demitiram Scolari e recontrataram Dunga.