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Alteração da cena de crime por PMs abala imagem das UPPs

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O porta-voz das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro, major Ivan Blaz, disse nesta terça-feira (29) que a imagem desse projeto da segurança pública foi abalada pelas cenas gravadas em um celular e divulgadas nas redes sociais, em que quatro policiais militares, depois de balearem um rapaz de 17 anos, modificam a cena do crime para forjar um auto de resistência, no Morro da Providência, na região central do Rio.

O vídeo mostra os PMs colocando uma arma na mão de Eduardo Felipe Santos Victor, que morreu no local. De acordo com o major Blaz, “nossa obrigação maior é dar a devida resposta à sociedade. A desvio de conduta, não cabe explicação: cabe punição. Ela vai ser tomada imediatamente, para que possamos restabelecer a vida rotineira nessas comunidades e para que não percamos tudo aquilo que foi construído sob duras penas”.

Os quatro PMs foram ouvidos na 4ª Delegacia de Polícia, próxima do morro, e em seguida levados para a 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar. Segundo Blaz, em casos semelhantes, os policiais envolvidos acabaram expulsos da corporação.

Do lado de fora da delegacia, onde o porta-voz conversava com a imprensa, moradores da Providência protestavam contra a polícia e a UPP. O vídeo gravado com celular mostra quando um policial pega uma arma, coloca na mão de Eduardo e dá dois tiros para cima. Nas imagens o jovem aparece caído no chão, ensanguentado, e aparentemente já morto.

O advogado Rodrigo Mondego, especializado na defesa dos direitos humanos e atuante nas manifestações de rua, esteve na delegacia e disse que a alteração na cena do crime é um fato que sempre ocorreu, mas que agora ficou comprovado: “Isso mostra algo que é corriqueiro, que todo mundo sempre soube, que sempre houve esse método. Hoje, sendo filmado, foi uma aula prática de como se faz uma auto de resistência e como se forja a morte de pessoas”.

A Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) se manifestou em nota sobre o assunto: “O secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, repudia atos como esse. Ele determinou rigor nas investigações com punição exemplar dos responsáveis”.

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Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, se rendeu antes de ser morto por policiais militares no Morro da Providência, Zona Portuária do Rio. Foi o que afirmou uma testemunha do crime em entrevista ao RJTV, que destacou o envolvimento do rapaz com o tráfico de drogas.

A testemunha contou que viu Eduardo se entregando aos PMs, com as mãos para o alto. Mesmo assim, ele foi executado com tiros a queima-roupa.

“Eu estava dormindo. Acordei assustada com os tiros. Muito tiro. Fui, olhei da janela. De repente eu deparei com o menino. Ele estava armado, mas ele se rendeu”, contou.

Ao ser questionada pela repórter se Eduardo atirou, ela garantiu que não, mas reiterou que ele estava armado e disse saber que ele tinha relação com o tráfico de drogas.