
A mãe de Adílio Cabral dos Santos, morto após ser atropelado por um trem da Supervia em julho, receberá uma indenização da Supervia. O acordo foi firmado com o auxílio da Defensoria Pública, mas o valor é sigiloso. A concessionária tem 10 dias úteis para efetuar o pagamento. Imagens divulgadas na internet mostram a composição passando por cima do corpo da vítima.
O acordo, divulgado pelo órgão nesta quinta (13), foi acertado na quarta (12). Participaram da reunião a mãe e os irmãos da vítima. Adílio era vendedor ambulante e foi atropelado na estação de Madureira. O caso é investigado pela 29ª DP (Madureira), que ainda quer saber se ele estava vivo quando o trem passou por cima do corpo.
Após o atropelamento, um funcionário da SuperVia autorizou a passagem de um trem sobre o corpo de Adílio. Nas imagens, um homem de roupa laranja, que parece ser funcionário da Supervia, acena para o maquinista. O trem, então, avança devagar. A Supervia admitiu ter autorizado a ação.
A mãe Eunice de Souza Feliciano, de 61 anos, afirmou que a vítima tinha saído da prisão em outubro de 2014 e estava reestruturando a vida.
“Foi uma atrocidade, uma coisa terrível, desumanidade. Ele estava começando a se levantar, começando a se congregar, estava bem. A gente brincava muito um com o outro, era meu companheiro”, contou a mãe da vítima.
O irmão de criação, Elcio Silvio Feliciano Junior, contou que o irmão tinha que passar pela linha do trem porque a fiscalização apreendia o material dos ambulantes que passavam pela passarela.
“Ele é ex presidiário, desde que ele saiu ele vende bala, doce. Eu sei que eles [ambulantes] não podem passar por cima da passarela porque o doce deles é apreendidos. Então eles pulam na linha para poder vender. Todo vendedor de bala faz isso e acabou acontecendo isso”, contou.