
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) do Ministério da Saúde, no Caju, zona portuária do Rio de Janeiro, pretende fazer esta semana 100 cirurgias da mão. O coordenador do Centro de Cirurgia da Mão, Anderson Monteiro, disse, que de segunda-feira até hoje (8), já foram feitos 60 procedimentos. O mutirão conta com uma equipe formada por três cirurgiões de mão e 20 profissionais da área de enfermagem.
O médico informou que os pacientes têm patologias bilaterais, significa que enfrentam problemas nas duas mãos. “Isso envolve processos inflamatórios de origem tendinosa e nervosa que desencadeiam em dor e que têm como necessidade um procedimento cirúrgico para a liberação de tendões e nervos”, explicou.
Anderson Monteiro disse ainda que é preciso reduzir o tempo de espera dos pacientes que exigem procedimentos de média complexidade. Ele ressaltou que a maioria dos hospitais públicos não está funcionando adequadamente e, por isso, a sobrecarga do Into é grande.
“Infelizmente o hospital não foi gerado com a finalidade de atender esse tipo de paciente. O problema é que a demanda é muito grande. Para se ter uma noção, eu devo ter uma média de 600 pacientes aguardando esse tipo de cirurgia”, número que, segundo ele, vai cair com o mutirão.
O médico destacou que além da cirurgia, o esquema de mutirão precisa garantir uma estrutura para o atendimento pós-operatório, por isso o total não poderia ultrapasar o número de 100 intervenções cirúrgicas. “Cirurgia da mão requer um pós-operatório de pelo menos três ou quatro consultas para trocas de curativos e outras coisas mais”.
O coordenador informou ainda que estes tipos de lesões podem forçar um afastamento do trabalho por incapacidade funcional. A merendeira Cláudia Virgínia Quintino de Oliveira, 48 anos, moradora de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, esperou sete meses para fazer as cirurgias nas duas mãos. Uma foi em dezembro e a segunda, agora, no mutirão. Cláudia reclamava de problemas de articulação que surgiram após 20 anos de trabalho. “Eu já não tinha força nas mãos, tinha dormência nelas o tempo todo”, disse.
Depois da operação, os pacientes ficam de duas a três horas internados. Segundo o coordenador, este é o quarto mutirão para cirurgias de mão, o primeiro foi há dois anos. No ano passado ocorreram mais dois e o último é agora em julho.
(Fonte:Agência Brasil)