
A possível criação de um conjunto habitacional na área ocupada pela Refinaria de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, pode comprometer a saúde dos futuros moradores. Foi o que disse nesta quinta feira (18/10) o professor de engenharia geotécnica Márcio Almeida. Ele dá aulas no Instituto de Pós-Graduação em Engenharia, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O decreto de desapropriação da área foi publicado no Diário Oficial da última terça-feira (16/10). Para o governo estadual, o imóvel apresenta características ideais para a implantação de um projeto habitacional destinado à população de baixa renda. Técnicos do governo acreditam que será possível construir um bairro planejado, com apartamentos, escolas, áreas de lazer, postos de saúde, biblioteca, entre outros equipamentos públicos.
Segundo o professor, estudos realizados no ano de 1998 e reforçados dez anos depois comprovam que no local há uma grande concentração de compostos químicos e metais pesados. Segundo ele, a quantidade desses produtos pode causar doenças graves à população como o câncer, além de contribuir para a poluição do meio ambiente.
Ele explica que na área foram instalados tanques para as atividades industriais de uma refinaria. Na execução de suas funções, os trabalhadores usam equipamentos específicos para a proteção. “Foi tudo aterrado para colocar os tanques. Com certeza esse aterro está contaminado. Para a atividade industrial se coloca uma laje, se faz uma cartilagem e os trabalhadores têm equipamentos que isolam os materiais, mas quando se fala em conjunto habitacional, é outra realidade”, disse.
Márcio Almeida diz que para o governo construir um conjunto habitacional será necessária uma recuperação da área contaminada. Ele calcula que os R$ 100 milhões estimados pelo estado serão insuficientes para completar o trabalho. “O gasto é muito elevado. Com esse valor não vai ser possível completar a recuperação”, afirmou o professor, acrescentando que o tempo necessário é dois a três anos.
Criada no anos 1950, a Refinaria de Petróleo de Manguinhos é uma empresa privada de capital aberto. De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa, a companhia refinou nos últimos 12 meses mais de 3 milhões e 500 mil barris de petróleo. Além disso, gera mil empregos diretos e 4 mil indiretos e contribui com a comunidade local por meio do projeto Usina da Cidadania. Segundo a empresa, o projeto atende a 750 crianças inscritas no programa educacional e de esportes.
A empresa assegura que desenvolve projetos para ampliação e modernização de seu parque de refino e estocagem. Entre as iniciativas estão: a expansão do terminal de tanques de armazenagem, com um investimentos previstos de R$ 1,4 bilhão. “Desta forma, dando continuidade ao trabalho de modernização e expansão de novos negócios, a companhia tem a tranquilidade e a certeza de estar no rumo acelerado de desenvolvimento, ampliando novas oportunidades de negócios em seu parque estratégico de refino e tancagem”, diz a nota.
Fonte: Agencia Brasil