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Presidente da África do Sul cancela viagem por causa da violência no país

Violencia

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, cancelou hoje (18) uma visita à Indonésia, “para se ocupar de problemas domésticos” relacionados com a violência contra estrangeiros no país, informou o gabinete do chefe de Estado.

A polícia informou que deteve, na região do KwaZulu-Natal, 78 pessoas que estariam envolvidas em atos de violência racista. Essas manifestações já causaram a morte de pelo menos seis pessoas nas últimas duas semanas.

Zuma participaria, na Indonésia, da Cúpula África-Ásia, que comemora o acordo de Bandung, de 1955, em que os líderes dos dois continentes impulsionaram os movimentos de libertação e autodeterminação. Jacob Zuma será substituído pelo vice-presidente Cyril Ramaphosa no encontro internacional.

Neste sábado (18), o presidente sul-africano deve visitar os estrangeiros que foram obrigados a abandonar os locais onde moravam e que estão em um acampamento em Chatsworth, em Durban.

O chefe de Estado voltou a condenar os ataques a estrangeiros, incluindo cidadãos moçambicanos, e pediu à polícia para continuar trabalhando “dia e noite para proteger as populações” e prender os responsáveis pelas agressões.

As últimas informações das autoridades de Moçambique mostram que 107 moçambicanos, incluindo 21 crianças, voltaram para o país na sexta-feira (17) e foram instalados em um campo em Boane, província de Maputo, repatriados da África do Sul, devido à onda de violência xenófoba.

Mais de 100 pessoas manifestaram-se hoje, em Maputo, contra a onda de violência na África do Sul em uma marcha que terminou na embaixada sul-africana na capital moçambicana.
A África do Sul estabeleceu campos de refugiados seguros em Durban, um porto-chave na costa do Oceano Índico para os imigrantes que fogem, cujas lojas foram saqueadas na violência que dura há duas semanas.

Segundo algumas fontes, o pânico surgiu depois de alguns logistas receberem mensagens por telemóveis advertindo-os a fechar as suas instalações, alegando que “os Zulus estão vindo para a cidade … para matar todos os estrangeiros na rua”.

A Polícia confirmou o encerramento de alguns estabelecimentos. “Estamos a monitorar a situação”, disse o porta-voz da Polícia de Joanesburgo, Wayne Minnaar, citado pela Reuters.

Entretanto, no actual foco da violência na África do Sul, Durban, a situação continua tensa, apesar da comissária nacional da Polícia, Riah Phiyega, ter dito que a Polícia estava a ganhar a luta contra a xenofonia em KwaZulu-Natal (KZN).

Phiyega disse, perante  a Comissão Parlamentar da Polícia, que a corporação estava a trazer calma à situação.

Mas, segundo referiu ontem o Times LIVE, os ataques a cidadãos estrangeiros alargaram-se a outras cidades de KZN, nomeadamente Pietermaritzburg, onde um grupo de pelo menos 15 sul-africanos tentou saquear lojas de congoleses, no centro da cidade.

O porta-voz da Polícia de KwaZulu-Natal, coronel Jay Naicker, disse que estrangeiros em toda a província estavam a fechar os seus negócios.

“Eles ouvem rumores de ataques iminentes e então fecham as suas lojas”, disse, citado pela Times LIVE.

Desde o início dos ataques, há cerca de duas semanas, pelo menos cinco pessoas – entre as quais uma criança de 14 anos – foram mortas e 74 presas, sob a acusação de assassinato, violência pública, roubo, assalto e posse ilegal de armas de fogo.

Oitocentos polícias foram mobilizados para restaurar a paz. O comissário provincial da Polícia de KZN, tenente-general Mmamonnye Ngobeni, disse que a corporação estava a fazer tudo ao seu alcance para restaurar a paz e estabilidade.