A quantidade de transplantes de órgãos no Estado do Rio de Janeiro aumentou 13,6% na comparação entre 2013 e 2014, segundo levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Em todo o Brasil, a taxa cresceu 7,6%. Também houve recorde nos transplantes de tecidos, que incluem doações de córneas, medula óssea, ossos e ligamentos. Ao todo, foram feitas 272 doações.
No ano passado foram realizados 668 transplantes de órgãos como rins, fígado e coração em todo o estado. Em 2013 foram 587 transplantes. Também em 2014, foram feitos 886 transplantes de tecidos, sendo 472 de ossos, 301 de córnea e 167 de medula óssea.
Para o médico Rodrigo Sarlo, coordenador do Programa Estadual de Transplantes, o aumento da quantidade de doações é reflexo de um longo trabalho de planejamento.
– Nos últimos seis anos, reestruturamos a Central de Transplantes, contratamos equipes médicas especializadas, elaboramos um sistema de educação e orientação para profissionais de saúde e o grupo de apoio às famílias dos doadores. Além disso, criamos um sistema de gestão com um modelo regional e outro intra-hospitalar para melhorar a qualidade e agilizar o serviço – afirmou Sarlo.
No primeiro modelo, chamado de Organização de Procura de Órgãos, equipes médicas percorrem hospitais no interior à procura de doadores e os órgãos são encaminhados para pacientes na mesma região. Já no modelo intra-hospitalar, uma equipe médica especializada articula as doações dentro da própria unidade.
Graças ao novo modelo, a quantidade de doadores saltou de 225 em 2013 para 272 no ano passado. No Hospital Adão Pereira Nunes foram 49 doadores, outros 42 no Hospital Alberto Torres e 30 no Getúlio Vargas. As três unidades implantaram o modelo intra-hospitalar.
Cultura de doação deve ser ampliada
Para Sarlo é preciso criar uma cultura de doação para que mais vidas sejam salvas no estado. Ele explicou que, ao contrário dos órgãos que só podem ser doados em caso de morte encefálica, os tecidos podem ser transplantados até 24 horas após a constatação da morte do doador.
– Hoje, o Rio já é referência nacional. Vamos continuar aprimorando o trabalho porque temos o compromisso de criar o melhor sistema possível para que a população seja atendida – disse o médico.