
Quatro bairros serão beneficiados pela primeira Companhia Integrada de Polícia de Proximidade (CIPP) inaugurada nesta segunda-feira (24/2) pelo governador Luiz Fernando Pezão, em companhia do secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e do coronel Alberto Pinheiro Neto, comandante-geral da PM. Duas novas companhias serão inauguradas em Niterói e Tijuca, em março e junho, respectivamente.
– A nossa meta é avançar com esse projeto, que nos auxiliará bastante no combate à criminalidade – afirmou Pezão, reafirmando que a segurança pública é uma das prioridades de sua administração e terá orçamento de R$ 9 bilhões.
Grajaú, Andaraí, Vila Isabel e parte da Tijuca integram o projeto-piloto, que conta com um efetivo de cerca de 120 policiais militares sob o comando do 6º BPM (Tijuca). Cada companhia terá um comandante responsável por gerenciar indicadores de criminalidade e atender à comunidade, resgatando, com isso, a figura do “policial de quarteirão”, conferindo familiaridade entre polícia e população.
A primeira CIPP está baseada, provisoriamente, na Praça Verdun, no Grajaú, Zona Norte do Rio. A base permanente será instalada na Praça Barão de Drumond, em Vila Isabel. Os policiais que vão atuar na companhia contarão com celulares e cartões de visita que, em breve, serão distribuídos a moradores e comerciantes da região. Dois canais de comunicação já estão disponíveis: (21) 96971-4334 e 1cipp_6bpm@pmerj.rj.gov.br.
A colaboração da população será fundamental na solução e prevenção de crimes na região, de acordo com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.
– O sucesso dessa companhia não depende apenas da polícia, mas do apoio da população, por meio do diálogo. Esse trabalho será um exemplo para o país, pois a CIPP busca sinergia com outras instituições, como a prefeitura e a Polícia Civil. Trata-se da descentralização dos comandos dos batalhões de polícia com o intuito de levar melhorias para esses lugares – ressaltou Beltrame.
Os agentes, que tiveram aulas de Direitos Humanos e mediação de conflitos, vão usar coletes pretos com faixas amarelas para facilitar a identificação. Durante o dia, o policiamento será feito principalmente a pé. À noite, as rondas serão realizadas com viaturas e motocicletas.
– O objetivo da nova companhia é aprimorar os serviços prestados pela polícia à população. A ideia é que os policiais militares desenvolvam a comunicação com os moradores e adquiram conhecimento sobre os problemas locais – explicou o coronel Alberto Pinheiro Neto, comandante-geral da PM.
Inspirada no atendimento já prestado pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a iniciativa assegura maior transparência à atividade policial, mais agilidade no atendimento à população e proatividade na resolução de conflitos, buscando reduzir os índices de criminalidade. O novo serviço vai adotar também práticas de prevenção e resolução de conflitos.
– Os policiais poderão conhecer os moradores e o cotidiano do bairro. Serão referência em seus quarteirões – afirmou o comandante da primeira CIPP, capitão Gustavo Matheus.
Acompanhamento das ações e ampliação do projeto
O Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes fará o acompanhamento das ações, ao longo o projeto-piloto. Serão avaliados os índices de criminalidade da região e o estado psicológico dos policiais.
Por intermédio de relatórios emitidos pela instituição, a corporação terá subsídios para verificar a necessidade de ajustes e, a partir disso, expandir o projeto para outras regiões, inclusive para o interior fluminense.
Niterói e Tijuca: próximas CIPPs
A segunda CIPP será inaugurada em Niterói, no fim de março. A companhia vai atender os bairros de Icaraí e Santa Rosa. Em junho, será a vez da Tijuca ganhar a terceira unidade da companhia. Há ainda uma outra CIPP prevista para o bairro Caramujo, também em Niterói.
A expectativa do Comando da Polícia Militar é de que, até 2018, as CIPPs tenham se transformado em referência em polícia de proximidade no país.
Novo modelo de policiamento é elogiado por moradores do Grajaú
Presidente da Associação dos Moradores do Grajaú, Lupércio Ramos, de 48 anos, aprovou a implantação do projeto de proximidade no bairro.
– Essa companhia é um presente para o Grajaú. Não só os policiais vão conhecer melhor o bairro, como a população também vai ter contato direto com os agentes, podendo falar sobre preocupações e problemas. É uma iniciativa muito bem-vinda – disse Lupércio.
Nascido e criado no bairro da Zona Norte, o conferente José Peixoto Júnior, de 60 anos, também elogiou a iniciativa estadual.
– Esse reforço no policiamento será muito importante. Os moradores que vivem em ruas um pouco isoladas do bairro vão se sentir mais seguros – afirmou o conferente.
A empregada doméstica Eliana Rodrigues Silva, de 38 anos, que trabalha no bairro há oito anos, acha que a CIPP vai ajudar a coibir ações de criminosos.
– A presença constante de mais policiais pelas ruas do Grajaú vai ajudar a evitar crimes. É uma benção não só para os moradores, mas também para quem frequenta e trabalha na região – disse a doméstica.