O programa SOS Crianças Desaparecidas, da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), já solucionou 85% dos casos encaminhados para o projeto, desde sua implantação, em 1996. Dos 3.315 desaparecimentos acompanhados pela FIA, a 2.813 foram resolvidos.
Segundo o gerente do programa, Luiz Henrique Oliveira, a divulgação de fotos é a principal forma para encontrar as crianças. Fazer o registro de ocorrência na Polícia Civil, assim que o desaparecimento é constatado, acelera o início das investigações e aumenta a chance de uma rápida localização.
– A divulgação das imagens é importante porque a população nos contata para avisar sobre o paradeiro das crianças. Essa colaboração é essencial para as famílias que ficam desestruturadas neste período – explicou Luiz Henrique, que recebeu o Prêmio Extraordinários, do jornal Extra, pelo trabalho realizado à frente do programa.
Há quase 19 anos comandando o projeto, o gerente e sua equipe registraram que em 76% dos casos as crianças fogem de casa por causa de conflitos familiares. São necessários, em média, dois a três meses para que sejam encontradas. Para facilitar a reintegração entre familiares e menores de idade, a equipe do projeto conta com a parceria de outros órgãos estaduais para oferecer apoio psicossocial.
Esse apoio foi essencial para a comerciante Nely da Silva, de 40 anos, quando sua filha mais velha, Joyce da Silva, hoje com 17 anos,desapareceu. Então com 14 anos, um dia a menina deixou de ir à escola e não encontrou com a mãe,como fazia habitualmente. Por cinco dias,Nely procurou pela filha e foi orientada a registrar o boletim de ocorrência e procurar o programa SOS Crianças Desaparecidas.
– A FIA foi o único lugar em que me senti acolhida. Os psicólogos me orientaram, porque Joyce tinha desaparecido e eu tinha que cuidar dos meus filhos menores. O trabalho do SOS ajuda a dar esperança para outras mães, para que nunca desistam de encontrar seus filhos – disse Nely.
Depois de cinco meses, Joyce foi localizada na casa de parentes que não sabiam dos conflitos intrafamiliares que motivaram a fuga. Na FIA, a jovem fez cursos e foi encaminhada para um estágio. Hoje, a família continua recebendo o apoio da equipe do SOS Crianças Desaparecidas.
Ações ajudam a reduzir o número de desaparecimentos
Os outros 15% de casos não solucionados são chamados de “desaparecimentos enigmáticos”, quando a criança some sem deixar vestígios. No entanto, esses números tendem a melhorar com a criação da Delegacia de Descoberta de Paradeiro, que tem um núcleo específico para crianças e adolescentes.
Outra ação que ajudará a reduzir o número de desaparecimentos é o projeto Novo Cidadão, que concede certidão de nascimento e carteira de identidade para bebês ainda nas maternidades.
Com o objetivo de reduzir o número de desaparecimentos temporários, a equipe do SOS distribui pulseiras coloridas para identificação dos menores com os contatos dos responsáveis. A ação é realizada principalmente em grandes eventos. Caso a criança se perca, os responsáveis são facilmente localizados.
Além dos cartazes, fotos nos contracheques dos servidores estaduais, o programa SOS Crianças Desaparecidas criou o portal (www.soscriancasdesaparecidas.rj.gov.br). Também é possível informar sobre o paradeiro dos menores de idade por meio dos telefones (21) 2286-8337 / 2334-8000 / 98595-5296 e pelos e-mails soscriancasdesaparecidas@yahoo.com.br, sosocriancasdesaparecidas@fia.rj.gov.br e sosluiz@yahoo.com.br.