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Prefeito do Rio nega suspeita do TCU de gastos adicionais nas olimpíadas

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, desconhece as motivações do Tribunal de Contas da União (TCU) para alertar sobre os gastos adicionais na construção do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, nas Olimpíadas de 2016. Em declaração nesta sexta-feira (19/12), Paes disse que vai dar explicações para o órgão federal, mas disse “não ter ideia” do conteúdo do relatório.

“Cerca de 75% dos gastos do Parque Olímpico da Barra vem da Prefeitura, com parceria público privada, sem nenhum tostão do Governo Federal. Aqui [no Parque Olímpico] tem quatro equipamentos que estão sendo feitos com recursos federais e estão todos dentro do preço. A gente vai dar explicações ao TCU, mas não faço a menor ideia, não tem nenhum risco de aumento”, explicou.

No novo relatório divulgado nesta semana pelo Tribunal de Contas da União (TCU), os aditivos nos contratos foram apontados como um fator de risco para o aumento dos gastos nas obras do Parque Olímpico. Em função disso, o Tribunal fez determinações, recomendações e alertas aos gestores responsáveis, como a Casa Civil, Ministério do Esporte, Ministério do Planejamento e Gestão e Comitê Rio 2016.

Para o Paes, os gastos públicos com as Olimpíadas são um motivo de orgulho para o Estado, já que, segundo ele, 57% do orçamento de infra-estrutura está sendo financiado por empresários. Ou seja, dos R$37,6 bilhões previstos, R$ 21,4 bilhões vem de parcerias público privadas. Sobre o aporte feito pelo Governo Federal, o prefeito disse que o valor girava em torno de 8% do total. O valor estimado como legado das olimpíadas para a cidade foi calculado em R$24,1 bilhões pelos organizadores.

Como contrapartida para o investimento da iniciativa privada, Paes disse que ofereceu o potencial construtivo da região para beneficiar as construtoras envolvidas, por exemplo, na construção da Vila dos Atletas – complexo residencial de 31 edifícios que abrigarão as equipes.

“Nós revertemos o potencial construtivo da Barra da Tijuca para o plano inicial, do Lúcio Costa, que permitia a construção de torres maiores e espaçadas nos terrenos. Somente com essa medida a gente já conseguiu negociar o financiamento integral da Vila dos Atletas pelas construtoras”, disse.

Atraso de três semanas
A única pedra no sapato dos executores das obras no Parque Olímpico da Barra da Tijuca ainda é o velódromo. Com capacidade para 5 mil pessoas, o equipamento está com um atraso de três semanas para ser finalizado e precisou passar por ajustes que o tornam menos sofisticado.

“A gente simplificou o projeto executivo, tiramos a sofisticação. Não é uma situação confortável, mas não é motivo para preocupação”, declarou.

Balanço das obras
Em uma coletiva de imprensa, Eduardo Paes mostrou o balanço das obras para o evento esportivo de 2016. A ideia é entregar estádios e equipamentos nos meses de agosto e setembro daquele ano, mas também disponibilizar o espaço para testes ainda em 2015.

Complexo Esportivo de Deodoro
Segundo a prefeitura, as obras no território da Zona Oeste do Rio já começaram. O estádio de canoagem Slalom e a pista de BMX estão em fase de terraplanagem. Após as competições, a ideia do prefeito é transformar o local em uma piscina de uso público.

Campo de Golfe
Cercado de polêmicas sobre a devastação de mata nativa, o campo, segundo Paes, está com a topografia concluída e 18 buracos instalados. O plantio de grama está na fase final, com 95% do território ocupado.

Paes disse que o terreno onde o campo de golfe foi instalado era de “capim colonial” e que 650 mil metros quadrados de mata nativa serão mantidos. Sobre o desmatamento, a prefeitura disse que 6% da flora foi retirada, o que representa 3,5% do território do Parque de Marapendi, em volta da lagoa de mesmo nome.

Porto Maravilha
Apesar de não envolver competições, a reforma da Zona Portuária do Rio é tratada como legado das olimpíadas. A demolição do viaduto da Perimetral foi totalmente concluído e as intervenções nesta área estão em andamento.

Paes disse que pretende inaugurar o Museu do Amanhã no dia 1 de março de 2016, mas não quis garantir. “Pode ser adiado, porque a gente quer abrir já com conteúdo”, disse.

Estádio Aquático
O local de competições no Parque Olímpico da Zona Oeste do Rio está na fase final das fundações. Com 18 mil lugares aproximadamente, esta será uma arena provisória. “Já temos o Julio De Lamare e o parque aquático Maria Lenk, não há necessidade desse ser definitivo”, disse Eduardo Paes.

Arena do Futuro
Local onde serão disputadas provas de esportes como o Handball, a Arena do Futuro está com fundações e montagem de estrutura metálica concluídas.

Arena da Juventude
A Arena da Juventude abrigará as provas de esgrima do pentatlo moderno, além de algumas partidas do basquetebol Olímpico. Com capacidade de 5 mil assentos, o local será definitivo e está em fase de terraplanagem.

Vila dos Atletas
O prefeito informou que os 31 prédios já foram erguidos e que 60% das obras foram executadas. O financiamento, segundo ele, foi feito totalmente com recursos privados. “Em Londres, a vila dos atletas começou com recursos privados e terminou com os públicos”, comparou o prefeito.

Arena Carioca
Será construída no núcleo do Parque Olímpico da Barra para receber as competições de basquetebol, além das disputas Paralímpicas de basquetebol em cadeira de rodas e rugby em cadeira de rodas. Em fase de finalização.

MPC Hotel
O edifício hospedará jornalistas da imprensa escrita de todo o mundo. Eduardo Paes disse que as fundações estão concluídas e que o local está sendo financiado pela iniciativa privada.

Praça do Trem
A praça do entorno do Estádio João Havelange, o Engenhão, está sendo revitalizada. O local abrigará uma Nave do Conhecimento, projeto cultural municipal, totalmente voltado para o esporte. Jovens e crianças terão opções interativas para conhecer mais sobre as modalidades olímpicas.

Centro Internacional e Transmissão
O local será utilizado para abrigar a estrutura de transmissão e edição de emissoras de televisão de todo planeta que estarão no Rio para os Jogos Olímpicos. A obra foi financiada pela iniciativa privada e atualmente está na fase de finalização da estrutura metálica.

Maracanã
Após problemas com a cobertura, o projeto de reparo deve ser concluído no primeiro trimestre de 2015, com possibilidade de ajustes no segundo trimestre.

Marina da Glória
O espaço na Zona Sul do Rio está no início da fase de adaptação, segundo a prefeitura.