Durante almoço de apoio à candidatura de Eduardo Cunha (PMDB) à presidência da Câmara dos Deputados, o governador do estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, repudiou as acusações que teriam sido feitas pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, contra o ex-governador Sérgio Cabral. Segundo as denúncias, Cabral seria beneficiário do esquema de corrupção na estatal, conforme citado em matéria publicada na edição desta sexta-feira (19/12) no “Estado de S. Paulo”.
“As pessoas citam o nome das outras, mas é preciso dar o direito à defesa. Eu passei mais de quatro anos com o Sérgio e, durante este período, não vi nenhum pedido de indicação em diretoria ou na presidência da Petrobras. É preciso ter tranquilidade na apuração do caso. Eu li a matéria e não vi nenhuma cifra ligada ao nome do governador”, afirmou Pezão.
O governador também negou que o envolvimento no escândalo de construtoras que possuem obras relacionadas à Petrobras no estado do Rio possa prejudicar a produção no estado. “O petróleo está sendo retirado e a produção deve crescer em 2015. São investimentos em refinarias e as pessoas não podem ser prejudicadas”.
O prefeito Eduardo Paes também afirmou que espera que o envolvimento de construtoras no caso não influencie obras no estado. “São empresas importantes para o país. Espero que as empresas sejam preservadas, mas os responsáveis sejam punidos”.
O candidato do PMDB à presidência da Câmara, Eduardo Cunha, afirma que a instalação de uma nova CPMI sobre o caso Petrobras está descartada no momento. “Eu declarei há dois meses que a CPMI morreu no momento em que as delações premiadas foram divulgadas e seu conteúdo não era de nosso conhecimento”.
Ele acredita que só existe a possibilidade de instalação com o acesso dos parlamentares ao conteúdo dos depoimentos dos envolvidos no caso. “Se as delações premiada forem de nosso conhecimento, aí será instalada uma nova CPMI.”
Eduardo Cunha negou que sua candidatura seja de oposição e reafirmou que faz parte de um partido da base aliada no governo.
“Está não é uma candidatura de oposição, mas também não é de submissão ao governo. E uma campanha pela independência do parlamento. Vamos defender a governabilidade, mas respeitando a independência. A candidatura de Chinaglia representa a submissão que o PT quer”.
Sobre o recente discurso proferido pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) de que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) mas não o faria porque “ela não merece”, Eduardo Cunha repudiou a declaração do deputado, mas acredita que ele não deve ser punido. “Eu sou contra qualquer tipo de agressão como a que foi feita por ele. Sou contra a agressão de quem quer que seja. Eu acho que o parlamento tem que se dar ao respeito e, apesar da divergência de ideias, deve-se manter a polidez. Mas isso não vai adiante, até porque a legislatura está acabando”.
O senador e vice-governador eleito do estado do Rio, Francisco Dornelles, afirmou que a candidatura de Cunha e importante pela independência. “Eu vou ajudar na candidatura em tudo o que eu puder, pois sei que ele é capaz de ter uma excelente relação com o governo, mas sem ser pautado por ele.”
Também compareceram e manifestaram seu apoio a candidatura de Eduardo Cunha a presidência da Câmara dos Deputados outras lideranças políticas do estado do Rio como Cristiane Brasil, do PTB, Pastor Everaldo, do PSC, e parlamentares dos estados de Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Eduardo Cunha afirma que a sua candidatura já conta com a adesão de 167 parlamentares, mas este número deve crescer a partir da próxima semana.
Fonte: G1