
Milicianos presos na operação Armagedom, deflagrada na manhã desta quarta-feira (10/12), lucravam cerca de R$ 1 milhão por mês com a exploração de atividades criminosos nas comunidades do Fubá e Caixa D´Agua, no Subúrbio do Rio, e no Campinho, Zona Oeste, segundo investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Segundo o delegado Alexandre Capote, titular da Draco, a milícia que atuava no Morro do Fubá controlava até a venda de pipa e cerol com o objetivo de mostrar aos moradores, desde cedo, quem dominava a região. “Essa foi uma operação importante, porque é um golpe duro nessa milícia altamente perigosa. Eles controlavam a venda de cerol e pipa para as crianças da comunidade. Nós percebemos que isso funcionava como marketing para mostrar para a comunidade quem eram os líderes”, afirmou Capote. Até as 12h, 15 pessoas haviam sido presas, entre elas três policiais militares.
Os três grupos controlavam a distribuição de gás, água e o transporte alternativo nas comunidades. “A organização de canais a cabo, conhecido gatonet, também era realizada por eles. Outro ponto importante era a exploração de bingos na comunidade”, destacou o delegado, ressaltando que um dos bingos encontrados no Morro do Fubá ficava dentro da associação de moradores do local, onde foi encontrado até uma máquina de caça-níquel.
A crueldade com que os milicianos eliminavam suas vítimas também foi alvo das investigações. De acordo com Capote, um dos líderes da milícia postava fotos dos cadáveres no facebook. O grupo que atua na região do Campinho chegou a impedir a realização de uma festa em homenagem a São Jorge.
A Operação Armagedom, que começou por volta das 6h, é realizada pela Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Secretaria de Segurança em parceria com o Ministério Público do Rio. A ação conta ainda com apoio da Corregedoria Geral Unificada, Corregedoria da Polícia Militar e da Corregedoria da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Ao todo, são 450 policiais envolvidos.
Investigações
Entre os suspeitos que tiveram mandados de prisão expedidos, estão cinco policiais militares, um ex-policial militar e um agente da Guarda Municipal. Há ainda 123 mandados de busca e apreensão contra a organização criminosa.
De acordo com as investigações, eles atuavam na exploração de todas as atividades que gerassem lucro nessas comunidades, como controle do transporte alternativo (vans e mototáxis), o monopólio da venda de botijões de gás a preços superfaturados, a cobrança irregular de “taxas de segurança”, distribuição ilícita de sinais de TV a cabo e Internet, e a prática de agiotagem com extorsão a juros “estratosféricos”.
Ainda de acordo com a polícia, as ações da quadrilha são cruéis e envolvem a prática de homicídios, ocultação de cadáveres, tortura, roubos, lesões corporais graves, extorsões, ameaças, constrangimentos ilegais e injúrias.