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IBGE vai analisar dados do Ipea sobre miséria

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O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, afirmou nesta quinta-feira (6) que o governo pedirá ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que analise os dados divulgados nesta quarta (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre o número de miseráveis no país . Mercadante reuniu-se nesta manhã com a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello para discutir o assunto. Conforme o Ipea, os dados apontam que o número de brasileiros em condição de extrema pobreza voltou a subir em 2013, após uma década de queda. O país tinha 10,08 milhões de miseráveis em 2012, contra 10,45 milhões um ano depois. O aumento foi de 3,7%. Em compensação ao aumento da miséria, o número de pessoas pobres caiu de 30,35 milhões em 2012 para 28,69 milhões em 2013 – uma redução de 5,4%. Na condição de pobreza, o estudo considera pessoas com renda equivalente ao dobro da linha da miséria. Segundo explicou o ministro a jornalistas, o governo quer saber se o Ipea contabilizou em um mesmo dado as pessoas que declararam ter tido “renda zero” e aqueles que não quiseram declarar a renda. Na avaliação de Mercadante, porém, não é possível dizer ainda se os dados estão “equivocados”. “Nós queremos que o IBGE analise com mais profundidade a amostra [do Ipea], porque todos os outros índices mostram que a pobreza caiu e que esse indicador, de ‘renda zero’, pode ter algum problema metodológico. De qualquer forma, os dados precisam ser analisados e com toda a transparência”, disse Mercadante, após participar de cerimônia no Palácio do Planalto que homenageou os servidores da Presidência com mais de dez anos no serviço público. Questionado sobre se o governo está “preocupado” com os dados divulgados pelo Ipea, Mercadante negou mas disse que há preocupação com o fato de, segundo ele, outras pesquisas não apontarem o aumento na pobreza extrema. O ministro ressaltou a ascensão social dos últimos anos ao afirmar que a pobreza caiu no país e continuará caindo nos próximos. Conforme afirmou a jornalistas, Mercadante disse que o Ministério do Desenvolvimento Social será responsável pelo pedido ao IBGE em razão de informações que “não batem”. “Há uma preocupação com algumas publicações que foram feitas que não expressam o que ocorreu. Todos os microdados da Pnad [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio] estavam disponíveis desde 18 de setembro, qualquer pesquisador tinha acesso e poderia ter analisado esses dados”, ressaltou. O cálculo que apontou o aumento no número de miseráveis no país leva em conta o número de indivíduos extremamente pobres com base nas necessidades calóricas – aquelas com renda insuficiente para consumir uma cesta de alimentos com o mínimo de calorias para suprir uma pessoa de forma adequada, com base em recomendações da FAO e da OMS. A conta estima diferentes valores para 24 regiões do país. Esta é a primeira alta da série histórica do indicador, com início em 2004. Desde 2003 – quando o Brasil possuía 26,24 milhões de pessoas na miséria, o número de miseráveis caía continuamente, chegando a uma queda de 61% até 2012.

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