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Traficantes atacam UPPs do Complexo do Lins e fecham Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá

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O  Maciço da Tijuca é um dos esconderijos mais usados por traficantes da Zona Norte. É na mata que liga o Complexo do Lins até a Covanca, em Jacarepaguá, que se abriga parte dos criminosos que nesta sexta-feira, mais uma vez, atacaram militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Lins.

O confronto, por volta das 11h20, fechou as duas pistas Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, uma das mais importantes vias da cidade por 55 minutos. Ninguém ficou ferido, e os PMs fizeram buscas na região para tentar prender os bandidos. Não houve prisões até às 22h.

No tiroteio, na comunidade da Cachoeirinha, o bando estava armado com fuzis e pistolas, segundo relato de um agente da UPP. Eles atiraram e, após revide dos soldados, fugiram. Os disparos começaram quando os policiais se posicionavam em becos da comunidade. Assustados, motoristas tentaram fugir das balas perdidas voltando pela contramão ou de ré, na altura do 2,5 km. O policiamento foi reforçado por homens do Grupamento de Intervenções Táticas (GIT) do Comando de Polícia Pacificadora (CPP). Segundo a polícia, os traficantes buscam refúgio na mata para armar suas estratégias de ataques ao patrulhamento e roubos, além de escapar do cerco dos militares. Geralmente, o bando acampa em casamatas improvisadas com lonas ou em buracos escavados no solo. No local, passam o dia e retornam à noite para a favela, quando conseguem despistar os policiais.

Ainda de acordo com policiais, alguns dos traficantes seriam ex-militares com conhecimento de sobrevivência na selva. Em outras ocasiões, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegou a estourar alguns desses acampamentos improvisados pelos bandidos, de onde eles fugiram deixando para trás armas, drogas e itens de sobrevivência, como mochilas e lampiões. A dificuldade em localizar esses acampamentos é que os bandidos nunca ficam no mesmo lugar por muito tempo: no máximo em dois dias migram para outro ponto da mata.

Foi justamente vasculhando essa região que o subtenente da tropa de elite Marco Antônio Gripp foi morto a tiro em setembro do ano passado. Na época, 60 bandidos do Lins se refugiaram na mata do Maciço da Tijuca para tentar invadir a Covanca. A morte do policial — tido como um dos mais capacitados do Bope — e os constantes confrontos anteciparam os planos da ocupação do Lins, ocorrida em 6 de outubro de 2013.

Exatamente um ano depois da entrada dos militares, o soldado Elias Camilo, da UPP Camarista Méier , foi mais um alvo de tiro dos traficantes, baleado na cabeça enquanto reforçava o patrulhamento no Lins. Ele continua internado. Semana passada, criminosos incendiaram parcialmente dois contêineres da UPP após outro confronto com policiais.

Segundo informações da polícia, o chefe do bando responde pelo nome de Paulo César Souza dos Santos, o Paulinho Muleta. Ele assumiu o controle das quadrilhas nas comunidades Barro Vermelho, Barro Preto, Árvore Seca e Cachoeirinha, após a morte de Claudino dos Santos Coelho, o Russão, ano passado.

A polícia já sabe que a quadrilha do Lins conta com o reforço de peso de um dos maiores chefes do Comando Vermelho nas ruas, Luís Cláudio Machado, o Marreta. À frente do bando na comunidade Cachoeira Grande, dentro do complexo, foi ele quem apoiou com armamento no ano passado a invasão à Covanca, do outro lado da mata do Lins.

Depois de uma fuga cinematográfica do Instituto Penal Vicente Piragibe, em 2012 — ele e comparsas fugiram por um túnel que saía na tubulação de esgoto do presídio —, o ex-chefe do Complexo do Alemão se refugiou no Lins e virou um dos maiores alvos da polícia em operações para sua recaptura. Tudo por conta da sua extensa ficha criminal: entre outros crimes, ele é suspeito da derrubada do helicóptero da PM no Morro dos Macacos, em 2009, e da morte do traficante Eduíno Eustáquio de Araújo, o Dudu da Rocinha.

Com aval do chefão Marreta, Paulinho Muleta comanda o bando que ataca policiais da UPP, promove tiroteios e roubos na região. Uma semana após o soldado Elias ter sido baleado, policiais fizeram operações para prender criminosos e apreender drogas. Os bandidos retaliaram com tiros e deixaram centenas de alunos sem aulas. Por informações que levem às prisões dos chefes do tráfico Marreta e Paulinho Muleta, o Disque-Denúncia (2253-1177) oferece recompensas de R$ 5 mil e R$ 1 mil, respectivamente.

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