
Traficantes de drogas promoveram ataques contra militares e queimaram ônibus, espalhando uma onda de violência em vários pontos do Rio e Niterói. Uma das ações mais audaciosas foi a fuga de bandidos que tentaram invadir duas comunidades do Complexo da Maré pela pista lateral da Av. Brasil, trocando tiros com rivais em plena luz do dia.
A mais importante via expressa do Rio, num horário de intenso movimento, teve o trânsito interrompido por tanques do Exército para garantir a segurança de quem circulava ali. Três suspeitos de participar desta ação foram presos. À noite, um coletivo foi queimado em área nobre de Niterói, em represália à morte de dois jovens.
O governador Pezão vai se reunir hoje às 8h30 com o secretário de Segurança José Mariano Beltrame para tratar dos últimos atos de violência da cidade.
O principal atentado de ontem aconteceu pouco antes das 15h. Traficantes do Complexo do Caju tentam retomar o controle da venda de drogas nas comunidades Vila do João e Conjunto Esperança, ambas na vizinha Maré. Com apoio de criminosos do Morro da Pedreira, em Costa Barros, bandidos tentaram nova investida ontem à tarde. Armados com fuzis e pistolas, o bando acessou as comunidades, mas foi recebido a tiros pelos rivais. Os disparos chegaram à Av. Brasil, o que gerou pânico e fez motoristas tentarem sair do local na contramão.
O bando invasor fugiu pelo Canal do Cunha, uma área de mangue ao lado da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os tiros fizeram com que funcionários da instituição fossem liberados antes do fim do expediente. Em nota, a Fiocruz negou a tentativa de invasão. Com a Força de Pacificação do Exército ocupando a via expressa, policiais do 4º BPM (São Cristóvão), da UPP Caju e de unidades de elite da corporação fizeram cerco na região.
Acionados por testemunhas que viram a quadrilha invadir uma empresa de transportes próxima ao Canal do Cunha — o bando foi flagrado por câmeras de segurança —, os PMs da UPP prenderam os fugitivos Leandro da Silva de Campos, Wallace Marcelino e Edson Ribeiro Roque. Eles tentaram obrigar um motorista da firma a ajudá-los na fuga. Os outros traficantes conseguiram escapar.
Os criminosos, que escaparam pelo mangue, estavam sujos de lama. Na delegacia, o trio confirmou que é do Morro da Pedreira. A polícia já sabe que as tentativas de invasão na Maré são executadas por ordem de Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, chefe do tráfico na Pedreira.
Segundo a polícia, os bandidos entram pelo Caju, que é da mesma facção Amigos dos Amigos (ADA), e atravessam o Canal do Cunha em barcos de pescadores para acessar a Maré. Com os presos, foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas, carregadores e munição.
A guerra de facções rivais na Maré se acirraram na semana passada. Informações passadas ao Disque-Denúncia (2253-1177) citavam ameaças de ataques na região e em outras áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Naquela semana, foram registrados confrontos no Lins de Vasconcelos, Mangueira, complexos da Penha e do Alemão, Tabajaras (em Copacabana).
As informações da polícia são de que, especificamente na Maré, o traficante Playboy quer retomar o reduto que o ADA perdeu para o Terceiro Comando Puro (TCP) em 2008. Desde então, várias tentativas de invasão foram feitas, mas a primeira depois da ocupação do Exército foi há duas semanas.
Ainda segundo alertas do Disque-Denúncia, traficantes também estariam preparando ataques na comunidade do Mandela II, em Manguinhos, e no Batan, em Realengo. Neste último, o plano seria reunir cerca de 50 bandidos e atacar a UPP local durante a madrugada. Os traficantes sairiam da Vila Vintém para reforçar o ataque. Sobre Manguinhos, o alerta de ataque foi feito ontem. Menores armados estariam sendo usados pelo tráfico em um plano de ataque à base da UPP no Mandela.
A polícia também atenta para informações de supostos alertas de ataques criminosos no dia da votação, domingo. Bandidos de diferentes facções estariam se articulando em redes sociais para uma ação contra seu pricipal alvo: as UPPs. No entanto, apesar dos recentes tiroteios, não foi confirmada nenhuma movimentação.